terça-feira, 14 de julho de 2026

Antro da Perdição

Título no Brasil: Antro da Perdição
Título Original: Destry
Ano de Lançamento: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: George Marshall
Roteiro: Edmund H. North, D.D. Beauchamp
Elenco: Audie Murphy, Mari Blanchard, Lyle Bettger

Sinopse:
No velho oeste, em uma pequena cidade, um jovem de boa índole é nomeado como o novo xerife. O que ele não sabe, mas vai aprender da pior forma possível, é que todo o sistema ali é corrupto, passando pelo prefeito e por demais homens ricos e influentes e isso vai colocar o xerife recém nomeado em rota de colisão contra todos esses sujeitos desonestos e poderosos. 

Comentários:
"Antro da Perdição" fechou o ano de 1954 para o ator Audie Murphy nos cinemas. Foi lançado nas férias de fim de ano e se deu muito bem nas bilheterias. Esse western foi dirigido pelo ótimo cineasta George Marshall. A história mostrava um jovem que se tornava xerife de uma cidade do velho oeste. O problema é que a corrupção imperava naquela região. O próprio prefeito, aliado a um criminoso e bandoleiro, dominavam tudo, roubando e pilhando toda a riqueza da cidade. Ser um xerife honesto naquele meio certamente não seria fácil. Temos aqui mais um faroeste B estrelado pelo Audie Murphy. Ele costumava ser bem duro quando criticava seus próprios filmes, mas a realidade é que todos eles eram ótimas películas voltadas para a pura diversão. E funcionavam muito bem, lotando as sessões de matinês dos anos 50. Essas eram realizadas para um público mais juvenil, crianças e adolescentes. E os donos de cinema agradeciam. Em suma, não havia nada de errado nessas produções. Muito pelo contrário, várias delas ficaram no imaginário popular de seu público, criando até um doce saudosismo em quem teve a oportunidade de ver no cinema, na época. 

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Tambores da Morte

Título no Brasil: Tambores da Morte
Título Original: Drums Across the River
Ano de Lançamento: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Nathan Juran
Roteiro: John K. Butler, Lawrence Roman
Elenco: Audie Murphy, Walter Brennan, Lyle Bettger

Sinopse:
Colonos e mineradores brancos, vindos do leste, começam uma terrível disputa por terras tradicionalmente ocupadas por povos originários, no velho oeste americano. A disputa visa colocar em mãos o ouro, recém descoberto naquelas ricas regiões inexploradas. 

Comentários:
"Tambores da Morte" foi o segundo filme de Audie Murphy a chegar nos cinemas nesse ano de 1954. A história mostrava uma terra em conflito no velho oeste. Colonos brancos descobriam ouro nas terras tradicionalmente ocupadas por índios. Obviamente que a ganância acabava falando mais alto. Os nativos queriam a preservação de suas terras e os colonos queriam extrair todo aquele ouro das montanhas que eram sagradas pelos índios. A guerra entre eles não demorava a acontecer. Bom western B, bem típico dos anos 50. Não vai muito a fundo na questão envolvendo a posse daquelas terras ricas em ouro, sobre quem efetivamente teria direito a elas, mas funciona muito bem como diversão de matinê. Não poderia se esperar algo diferente disso naqueles tempos. 

Pablo Aluísio e Erick Steve.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Pistoleiro do Destino

Pistoleiro do Destino
Clássico western trazendo o ator Gary Cooper como astro principal de seu elenco. Também conhecido como "Tudo por Uma Mulher" esse faroeste conta uma história interessante. Ao chegar numa pequena cidade do velho oeste, o cowboy Melody Jones (Gary Cooper) é confundido com o famoso pistoleiro Monte Jarrad (Dan Duryea), bandido procurado e com a cabeça à prêmio. Todos na cidadezinha temem a presença de Melody, apesar dele ser na verdade apenas um cowboy, um trabalhador rural, que nunca se envolveu com o mundo do crime. Para piorar a namorada do verdadeiro Jarrad começa a fazer de tudo para que todos continuem acreditando que Melody é de fato o fora-da-lei, isso porque ela quer mesmo desviar a atenção do xerife enquanto o verdadeiro bandido planeja uma forma de escapar da região sem ser enforcado por seus crimes.

Embora à primeira vista pareça um faroeste convencional, o que temos aqui é um filme que foge um pouco dos padrões da época, inclusive apostando em um pouco de humor e romance, onde o roteiro não explorava apenas os tiroteios ou os duelos, mas também os problemas criados após o personagem de Cooper ser confundido com um bandido rápido no gatilho. O Melody Jones de Cooper é na verdade um sujeito bem pacato, tímido e introvertido. Esse jeito caladão caía muito bem no tipo de personagem que o ator Gary Cooper costumava interpretar em seus filmes.

Dessa forma o roteiro de Nunnally Johnson tem um jeito diferenciado em relação ao típico roteiro de filmes de faroeste daqueles tempos. Também desenvolve melhor a principal personagem feminina, a destemida Cherry de Longpre (Loretta Young). Esse diferencial foi proposital pois o estúdio estava tentando também atrair o público feminino para assistir ao filme. Uma leve mudança para aumentar as bilheterias. E a presença de Gary Cooper acentuava ainda mais esse apelo junto às mulheres, já que ele era considerado um dos maiores galãs do cinema americano. Alto, boa pinta, com jeito de pioneiro do volho oeste, honesto e confiável, ele fazia suas fãs suspirarem quando iam ao cinema.

Pistoleiro do Destino / Tudo por Uma Mulher (Along Came Jones, Estados Unidos, 1945) Estúdio: MGM / Direção: Stuart Heisler / Roteiro: Nunnally Johnson, Alan Le May / Elenco: Gary Cooper, Loretta Young, William Demarest, Dan Duryea, Frank Sully, Don Costello / Sinopse: Melody Jones (Cooper) é um cowboy íntegro e honesto que passa a ser confundido com um perigoso pistoleiro e criminoso na pequena cidade do velho oeste onde chega após uma longa viagem pelo deserto.

Pablo Aluísio.

Legião de Heróis

Título no Brasil: Legião de Heróis
Título Original: North West Mounted Police
Ano de Produção: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Cecil B. DeMille
Roteiro: Alan Le May, Jesse Lasky Jr
Elenco: Gary Cooper, Madeleine Carroll, Paulette Goddard, Preston Foster, Robert Preston, George Bancroft

Sinopse:
A história do filme se passa em 1885. Dusty Rivers (Cooper) é um Texas Ranger que viaja para o Canadá para prender um caçador procurado por assassinato e roubo. O criminoso cruzou a fronteira e passou a incitar os nativos da região em uma rebelião contra o governo canadense. O clima passa a ser de guerra. Caberá a Rivers prender o procurado para evitar um banho de sangue. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor edição e melhor direção de fotografia.

Comentários:
Um faroeste diferente, cuja história se passa no frio Canadá e não nas longas areias do deserto do velho oeste dos Estados Unidos. Nem preciso escrever que a direção de fotografia ficou belíssima, justamente por causa das locações em regiões especialmente belas daquele país montanhoso e gelado. Acabou vencendo o Oscar de forma mais do que merecida. Além disso o filme se destaca também por ter dois nomes importantes na história do cinema americano. O primeiro é Cecil B. DeMille, lendário produtor e magnata do cinema na era de ouro de Hollywood. O interessante é que ele gostou tanto do roteiro do filme que decidiu dirigir, algo que nem sempre fazia, uma vez que se notabilizou mesmo por ser um grande produtor na velha Hollywood. Gary Cooper é o outro nome que se destaca e logo chama a atenção. Considerado um dos grandes atores de estilo faroeste do cinema americano, esse veterano das telas está em seu papel habitual, a do homem honesto e íntegro, que deseja fazer cumprir a lei, custe o que custar. Em conclusão temos aqui um clássico do western que se destaca justamente por suas peculiaridades. Grande filme!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Enterrem Meu Coração na Curva do Rio

Esse é um filme muito importante, seu roteiro conta capítulos relevantes da história da conquista do oeste dos Estados Unidos. Após o massacre da sétima cavalaria pelas tribos comandadas por Touro Sentado (August Schellenberg) o governo americano consegue finalmente celebrar um tratado de paz com a nação Sioux. Os guerreiros são desarmados e povo indígena enviado para reservas no Arizona, Colorado e outros estados do oeste. Nesse processo também começa a mudança cultural entre os índios. Siouxs como Ohiyesa (Chevez Ezaneh) ganham nomes cristãos e são enviados para estudar nas grandes cidades do leste. Era o começo do fim da identidade cultural do nativo americano.

Baseado em fatos reais esse filme foi inspirado no best seller escrito por Dee Brown que desde seu lançamento já vendeu mais de quatro milhões de cópias. A obra pertence a um grande movimento de revisionismo que foi muito forte dentro do meio acadêmico americano durante os anos 1970. Basicamente o livro mostrava o processo de destruição da cultura nativa dos povos indígenas americanos, em especial os Sioux, povo guerreiro e orgulhoso que foi de fato o último a se render ao exército da União no século XIX. Subjugados, os últimos guerreiros e suas famílias foram enviados para distantes e secas reservas em regiões onde não havia caça e nem condição de se viver da terra. Chefes tribais como o glorioso Touro Sentado que venceu as tropas do General Custer foram humilhados, vivendo sob vigilância do governo americano que os colocou numa situação de viver às custas das rações distribuídas pelos agentes federais.

Todo esse clima de tensão acabou favorecendo ao renascimento de um novo sentimento contra o homem branco, o que gerou mais mortes e destruição, culminando com o desaparecimento dos últimos grandes chefes tribais. Esse filme da HBO tenta passar parte da riqueza da obra original mas se concentra em apenas duas linhas narrativas. Na primeira acompanhamos o fim da vida de Touro Sentado. As humilhações que lhe foram impostas e a complicada convivência com os brancos, sempre rompendo seus tratados anteriores em busca de mais subjugação por parte dos nativos. Já na segunda linha narrativa o roteiro explora a história de um jovem Sioux que, levado para o centro da civilização branca, troca de nome e se forma em Medicina. Sua crise de identidade porém logo se impõe e ele tenta superar essa complicada e delicada situação. É um ótimo filme, muito consciente do ponto de vista histórico e social, que certamente agradará aos que gostam de conhecer mais sobre a história do velho oeste americano.

Enterrem Meu Coração na Curva do Rio (Bury My Heart at Wounded Knee, Estados Unidos, 2007) Estúdio: HBO Films / Direção: Yves Simoneau / Roteiro: Daniel Giat, baseado na obra de Dee Brown / Elenco: August Schellenberg, Anna Paquin, Chevez Ezaneh, Aidan Quinn / Sinopse: A história do filme é toda baseada em fatos reais, contando a história das guerras e do choque cultural entre homens brancos e nativos americanos, durante a conquista do oeste.

Pablo Aluísio.

O Filho da Estrela Nascente

Título no Brasil: O Filho da Estrela Nascente
Título Original: Son of the Morning Star
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Television, The Mount Company
Direção: Mike Robe
Roteiro: Evan S. Connell, Melissa Mathison
Elenco: Gary Cole, Rosanna Arquette, Stanley Anderson, George Dickerson, Terry O'Quinn, Dean Stockwell

Sinopse:
Enviado pelo governo americano para combater guerreiros rebeldes das nações Sioux e Apache, o General George Armstrong Custer (Gary Cole) acaba caindo em uma emboscada numa região conhecida como Little Bighorn. O dia é 25 de junho de 1876 e a chacina da Sétima Cavalaria dos Estados Unidos entraria para a história. Filme vencedor do Primetime Emmy Awards nas categorias de Melhor Som, Figurino e Edição. 

Comentários:
Essa é uma minissérie que foi lançada no Brasil, no mercado de vídeo VHS, em edição dupla. A intenção dos produtores foi contar de forma isenta e historicamente correta a verdadeira história do General Custer e a Sétima Cavalaria. Como se sabe esse foi um dos eventos mais famosos da história do velho oeste americano, quando Custer e seus homens foram derrotados e mortos por nativos liderados por Cachorro Louco e Touro Sentado. A morte dos soldados e seu general traumatizou os americanos na época, a tal ponto que o exército entrou definitivamente na chamada guerra indígena, onde centenas de milhares de índios foram mortos em batalhas sangrentas e brutais. Outros foram despachados para territórios desertos, hostis, onde muitos morreram de fome ou pela exaustão de se viver em lugares tão impróprios para a vida humana. Assim o roteiro procura responder a pergunta que perdurou por todos esses séculos: Custer era um verdadeiro herói ou um carniceiro que foi fazer o serviço sujo do governo americano, matando homens, mulheres, idosos e crianças sem distinção? No meio da barbárie se destacam as boas cenas de luta e a reconstituição histórica perfeita que fez esse filme ser premiado pelo Emmy, o Oscar da TV americana. Hoje em dia essa produção anda meio esquecida. Pessoalmente nunca vi uma reprise nos canais de TV a cabo. Seria uma boa ideia resgatar esse bom momento televisivo sobre um dos generais mais controversos da história dos Estados Unidos e sua colonização rumo ao oeste selvagem. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 23 de junho de 2026

O Intrépido General Custer

O Intrépido General Custer
Cinebiografia romanceada do General George Armstrong Custer (Errol Flynn) e sua sétima cavalaria. A tropa ficou muito famosa na história norte-americana por causa de suas lutas contra tribos hostis lideradas pelo chefe Sioux Touro Sentado. O clímax do filme acontece justamente na batalha de Little Big Horn quando os soldados americanos enfrentaram de forma decisiva, em campo aberto, as hordas indígenas. Quando resolvi assistir esse filme fui com o pensamento de que veria uma produção muito bem realizada, historicamente incorreta, mas que no final das contas tinha tudo para ser um bom western de entretenimento estrelado pelo ídolo Errol Flynn. Acertei bem no alvo! 

O título em inglês é uma expressão popular no exército que se refere aos soldados mortos em serviço, no campo de batalha - uniformizados, com suas botas! (They Died with Their Boots On). Pois bem, a primeira parte do filme é um tanto romanceada além do que seria razoável, inclusive com toques de humor em excesso, algo que eu realmente não esperava nesse tipo de produção. Essa parte inicial tem muito mais a ver com o estilo bonachão de Errol Flynn do que com a biografia do general Custer, que era um sujeito sisudo e de poucas palavras na vida real (ao contrário da caracterização de Flynn, sempre sorridente e soltando piadas).

Já dos sessenta minutos em diante o filme cresce muito (são duas horas e meia de duração). Isso acontece porque o lado mais romanceado do filme é deixado de lado para que o roteiro desenvolva os eventos que aconteceram com o General e seus soldados. A partir desse momento do filme Custer se torna um general e vai para o oeste lutar nas chamadas guerras indígenas. O filme aqui se torna mais sério, com roteiro muito bem estruturado e com um final muito bem realizado, inclusive do ponto de vista histórico (os tropeços em termos de história ocorrem quase todos na primeira parte do filme). O elenco de apoio traz a simpática Olivia de Havilland fazendo mais uma vez o interesse romântico de Flynn. Charley Grapewin surge no papel de "California Joe", um dos melhores personagens do filme, aqui na pele de um excepcional ator, ótimo mesmo. De resto o filme faz jus à fama do diretor Raoul Walsh, sempre muito competente. Se não é fiel do ponto de vista histórico, pelo menos serve, ainda nos dias de hoje, como um competente veículo de diversão para o espectador.

O Intrépido General Custer (They Died with Their Boots On, EUA, 1941) Direção: Raoul Walsh / Roteiro: Wally Kline, Eneas MacKenzie / Elenco Errol Flynn, Olivia de Havilland, Arthur Kennedy / Sinopse: Cinebiografia romanceada do General George Armstrong Custer (Errol Flynn) e sua sétima cavalaria. Militar famoso desde os tempos da guerra civil ele liderou uma série de ataques contra índios rebeldes em territórios distantes do velho oeste e acabou tendo um final trágico.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Os Filmes de Faroeste de Burt Lancaster - Parte 1

Ele não foi essencialmente um ator de filmes de western. Só que como todo astro de Hollywood também fez filmes de faroeste. Na era de ouro do cinema americano não havia saída. Todo ator, seja de que categoria fosse, tinha que também ter seu legado de filmes do velho oeste. Além disso a bilheteria era quase certa, então mais do que natural que eles fossem escalados pelo estúdio para esse tipo de produção. 

Em relação a Burt Lancaster ele de fato estrelou poucos filmes nesse estilo. Tendo atuado em quase 90 filmes ao longo da carreira, era de se esperar mais atuações dele nesse tipo de filme. Ao invés de subir no cavalo e trilhar as planícies do oeste selvagem, Burt se concentrou mesmo em filmes policiais, aventuras de capa e espada e também dramas românticos ao velho estilo. 

Só em 1951 ele finalmente trilhou o caminho que seus admiradores tanto esperavam. O filme se chamava "O Vale da Vingança" (Vengeance Valley, EUA, 1951). Era sem dúvida um western autêntico, mas também um drama romântico, com toques psicológicos, mostrando uma família com muitos conflitos, no mundo rural do Colorado. Pai e dois filhos em conflito permanente. Em jogo uma fazenda rica em cabeças de gado! 

De fato Burt Lancaster não queria fazer mais um bang-bang, como aqueles que faziam fila nas rotinas das sessões de matinê dos cinemas. Ele queria um roteiro mais adulto, algo mais profundo psicologicamente, mesmo que não fosse tão a fundo no drama dos personagens. Esse filme assim lhe soou bem adequado. E foi uma boa estreia pois o primeiro western da carreira de Burt Lancaster acabou agradando aos críticos e também fez sucesso comercial. Ele se sentiu assim duplamente gratificado pelo resultado alcançado. 

Pablo Aluísio.

Mato em Nome da Lei

Mato em Nome da Lei 
Neste excelente faroeste, com um elenco de primeira grandeza, que conta com nomes como: Robert Ryan e também com um (quase) desconhecido Robert Duvall - Burton Stephen Lancaster, ou simplesmente, Burt Lancaster, vive na pele de Jered Maddox, um agente da lei na pequena cidade de Bannock. Certa noite, com Maddox ausente, um bando de arruaceiros e assassinos entram na pequena Bannock e promovem um tremendo quebra-quebra, culminando com a morte de um senhor inocente. Passado alguns mêses, Maddox chega à pequena cidade de Sabbath e imediatamente vai ao encontro do xerife Cotton Ryan (Robert Ryan). Maddox mostra uma lista de nomes a Cotton onde estão relacionados todos os baderneiros que estiveram em Bannock, e diz que ele tem até o meio-dia do dia seguinte para prender os vaqueiros e entregá-los a ele (Maddox) para que sejam julgados pelo assassinato em Bannock.

Cotton abre o jogo com Maddox e diz a ele que os vaqueiros da lista, trabalham para o rico fazendeiro Vincente Bronson (Lee J. Cobb). Cotton explica que foi Bronson quem o nomeou xerife, e além disso grande parte das pessoas que vivem ali, também trabalham para o fazendeiro, mesmo que indiretamente. Ou seja: os habitantes daquele povoado, ou gostam realmente de Bronson, ou têm medo dele. Uma coisa é certa: ele é o dono da cidade. Sendo assim Ryan deixa claro à Maddox que não vai ajudá-lo em nada. Furioso, Maddox diz à Ryan que todos os vaqueiros serão presos. Por bem ou por mal. No dia seguinte, Ryan parte em direção à fazenda de Bronson para dar-lhe o recado de Maddox. Para surpresa, Bronson não age como um cafajeste desumano; pelo contrário: o fazendeiro mostra-se um homem equilibrado e arrependido pelo que seus homens fizeram na pequena cidade. Na verdade, Bronson não quer entregar seus homens e nem a si mesmo a Maddox, e faz uma proposta: indenizar à família do senhor que morreu na baderna, além de indenizar também o xerife Maddox para que ele esqueça as ordens de prisão. Mas Ryan adverte que Maddox não aceitará a proposta.

À noite, descansando no hotel, Maddox recebe a visita da bela Laura Shelby (Sheree North) uma linda mulher que no passado foi sua amante. Ela pede ao implacável agente que poupe a vida de seu atual marido que também está na lista: Hurd Price (J.D. Cannon). Maddox não dá ouvidos à ex-amante e diz que vai prender seu marido também. Na fazenda, Vincent Bronson reúne seus vaqueiros e diz o que está acontecendo. Os homens se revoltam e pensam num meio de contornar o problema e tirar Maddox da jogada. A reunião esquenta e o braço direito e capataz de Bronson, Harvey Stenbaugh (Albert Salmi), revolta-se com a situação, diz que não vai negociar, e vai até a cidade para matar Maddox. Os dois vão para a rua e ficam frente a frente. Maddox, numa frieza impressionante, saca sua arma e, rápido como um raio, mata Stenbaugh.

Depois de saber da morte de seu amigo e braço direito, Bronson se desespera, reúne seus homens e juntos seguem para a pequena Sabbath para o enfrentamento final contra o implacável agente da lei. Apesar do título infeliz recebido no Brasil, "Mato em Nome da Lei" (Lawman - 1971) é um excelente faroeste, dirigido pelo inglês Michael Winner, que três anos depois dirigiria o explosivo "Desejo de Matar" com Charles Bronson. "Mato em Nome da Lei", destaca-se não só pelo excelente roteiro mas também pela excelente jogada de utilizar elementos de outros clássicos do western como "Matar ou Morrer". Outra qualidade do filme é a construção da história em torno da enorme categoria e carisma do grande Burt Lancaster, encarnado no papel de um impagável, obsessivo e incorruptível xerife Maddox.

Mato em Nome da Lei (Lawman, Estados Unidos,1971) Direção: Michael Winner / Roteiro: Gerald Wilson / Elenco: Burt Lancaster, Robert Ryan, Lee J. Cobb, Robert Duvall / Sinopse: Jered Maddox (Burt Lancaster) é um xerife que vai até outra cidade para prender um grupo de criminosos, algo que não será nada fácil para ele.

Telmo Vilela Jr.


terça-feira, 9 de junho de 2026

Alan Ladd - Shane (1953)

Alan Ladd - Shane (1953)
O filme Os Brutos Também Amam (Shane) foi lançado em 23 de abril de 1953, dirigido por George Stevens e estrelado por Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, Brandon De Wilde, Jack Palance e Ben Johnson. Baseado no romance de Jack Schaefer, o filme conta a história de Shane, um misterioso pistoleiro que chega a uma pequena comunidade de fazendeiros no Wyoming. Procurando deixar para trás seu passado violento, ele encontra trabalho na fazenda da família Starrett e rapidamente conquista a admiração do jovem Joey Starrett. No entanto, a paz da região está ameaçada por um poderoso criador de gado que tenta expulsar os pequenos proprietários de suas terras. À medida que a tensão aumenta, Shane percebe que talvez seja impossível escapar completamente da violência que marcou sua vida. O filme combina ação, drama e reflexão moral, explorando temas como heroísmo, sacrifício e o fim do Velho Oeste. A relação entre Shane e o garoto Joey tornou-se uma das mais emocionantes do gênero. Assim, Os Brutos Também Amam transformou-se em um dos westerns mais influentes da história do cinema.

Quando foi lançado, Os Brutos Também Amam recebeu uma recepção crítica extraordinariamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um western de rara beleza e profunda emoção humana”. Já o Los Angeles Times destacou que George Stevens havia elevado o gênero a um novo patamar artístico. A revista Variety elogiou a produção como “uma obra de primeira classe, combinando espetáculo visual e intensidade dramática”. Muitos críticos ficaram impressionados com a fotografia das montanhas de Wyoming, a qualidade do roteiro e a abordagem mais séria dos conflitos morais. A atuação de Alan Ladd recebeu elogios por sua contenção e elegância, enquanto o jovem Brandon De Wilde foi amplamente celebrado por sua interpretação comovente. O filme foi visto como muito mais do que um simples western de ação. A crítica reconheceu sua profundidade emocional e sua sofisticação temática. Dessa forma, o longa conquistou aclamação quase unânime.

A consagração crítica tornou-se ainda mais evidente durante a temporada de premiações. Os Brutos Também Amam recebeu seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor para George Stevens e Melhor Ator Coadjuvante para Brandon De Wilde e Jack Palance. O filme venceu o Oscar de Melhor Fotografia em Cores, graças ao magnífico trabalho de Loyal Griggs. Muitos críticos consideraram que a obra deveria ter conquistado ainda mais estatuetas. Publicações como The New Yorker destacaram a capacidade do filme de combinar o mito do pistoleiro solitário com uma sensibilidade humana incomum para o gênero. A figura de Shane passou a ser vista como um dos arquétipos definitivos do herói do western. Ao longo das décadas, a reputação crítica do filme apenas cresceu. Hoje ele é frequentemente incluído em listas dos maiores westerns já produzidos. Sua influência sobre gerações de cineastas é imensa.

Do ponto de vista comercial, Os Brutos Também Amam foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido pela Paramount Pictures, o filme arrecadou valores expressivos para a época e tornou-se uma das produções mais lucrativas de 1953. O público respondeu com entusiasmo à combinação de ação emocionante, personagens memoráveis e paisagens espetaculares. Alan Ladd encontrava-se no auge de sua popularidade e atraiu multidões aos cinemas. O filme também teve excelente desempenho internacional, contribuindo para ampliar o prestígio do western americano em diversos países. Relançamentos posteriores e exibições televisivas ajudaram a manter sua popularidade durante décadas. O público desenvolveu um carinho especial pelo personagem Shane e pelo emocionante desfecho da história. Assim, seu impacto comercial foi tão significativo quanto seu sucesso crítico. O filme consolidou-se como um dos grandes êxitos do gênero.

Atualmente, Os Brutos Também Amam é amplamente considerado uma obra-prima do western clássico. Muitos historiadores do cinema o apontam como um dos filmes que ajudaram a transformar o western em um gênero respeitado artisticamente. A atuação de Alan Ladd permanece como a mais célebre de sua carreira, e a imagem do pistoleiro solitário cavalgando em direção ao horizonte tornou-se um dos símbolos mais duradouros do cinema americano. O filme continua sendo estudado por sua construção visual, seus temas de redenção e sua reflexão sobre a violência. A famosa frase final de Joey — "Shane! Shane! Volte!" — permanece entre os momentos mais emocionantes da história do cinema. Críticos modernos continuam elogiando a direção de George Stevens e a profundidade emocional da narrativa. Dessa forma, sua reputação permanece extraordinária. Os Brutos Também Amam continua sendo uma referência fundamental para todo o gênero western.

Os Brutos Também Amam (Shane, Estados Unidos, 1953) Direção: George Stevens / Roteiro: A. B. Guthrie Jr., baseado no romance Shane, de Jack Schaefer / Elenco: Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, Brandon De Wilde, Jack Palance e Ben Johnson / Sinopse: Um misterioso pistoleiro tenta abandonar seu passado violento ao ajudar uma família de fazendeiros ameaçada por poderosos criadores de gado, tornando-se um herói relutante em uma comunidade do Oeste americano.

Erick Steve.