Mostrando postagens com marcador John Ford. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador John Ford. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Ao Rufar dos Tambores

Ao Rufar dos Tambores
Um filme do mestre John Ford menos conhecido. Porém não menos importante. Na história um casal de jovens pioneiros se casa. Mal a cerimônia de casamento termina e eles já sobem em uma carroça em direção ao oeste. O marido, Gilbert Martin (Henry Fonda), comprou um rancho na fronteira. A esposa, Lana Magdelana (Claudette Colbert) é uma moça da cidade e fica assustada com a rudeza do lugar. Fica mais apavorada ainda quando encontra um velho índio, amigo de Gilbert, dentro de sua casa. Apesar desses sustos iniciais as coisas seguem até bem nos primeiros dias.

Só que estoura a guerra de independência das 13 colônias americanas. Os ingleses se aliam com tribos de índios que atacam e queimam as fazendas dos colonos, inclusive a casa onde vive o casal que protagoniza a história. Eles fogem, conseguem sobreviver e se instalam em um forte de madeira mantido e defendido pelos próprios habitantes da região. A guerra é feroz, muitos homens morrem no campo de batalha e Lana logo percebe como é dura a vida de uma mulher naquelas terras sem lei, forjadas na violência.

"Ao Rufar dos Tambores" é um filme muito bom, explorando a vida dos pioneiros do oeste em um momento muito delicado da história dos Estados Unidos. Há cenas emblemáticas, como a da apresentação da primeiras bandeira da nova nação para as pessoas que viviam na fronteira selvagem. Como é de praxe em filmes de John Ford ele também acrescentou alguns breves momentos de humor para não deixar o filme tão pesado. Henry Fonda, como sempre ótimo, mas quem acaba roubando a cena é a atriz que interpreta sua esposa, Claudette Colbert. Enfim, um filme que resgata a vida de pessoas comuns, no limiar do nascimento daquela jovem nação.

Ao Rufar dos Tambores (Drums Along the Mohawk, Estados Unidos, 1939) Direção: John Ford / Roteiro: Lamar Trotti, Sonya Levien / Elenco: Claudette Colbert, Henry Fonda, Edna May Oliver, Eddie Collins / Sinopse: Um casal de pioneiros tenta vencer na vida, em um rancho da fronteira, durante a guerra de independência dos Estados Unidos. No novo lar acabam sendo atacados por índios e ingleses, que lutam contra a separação do colônia do império britânico. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante (Edna May Oliver).

Pablo Aluísio.

A Mocidade de Lincoln

Título no Brasil: A Mocidade de Lincoln
Título Original: Young Mr. Lincoln
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: John Ford
Roteiro: Lamar Trotti
Elenco: Henry Fonda, Alice Brady, Marjorie Weaver, Arleen Whelan, Eddie Collins, Richard Cromwell
  
Sinopse:
O sonho do jovem Abraham Lincoln (Henry Fonda) é se tornar um grande advogado. Até chegar lá porém ele terá que superar muitos desafios. Filho de uma humilde família da interiorana Hodgenville, no Kentucky, trabalhador rural, ele precisa mostrar seu valor nos estudos, mesmo sem muito apoio ou incentivo por parte de seus pais. O filme narra justamente os anos iniciais de sua vida profissional, quando apenas sonhava em vencer na vida.

Comentários:
Quando se fala em filmes sobre a figura do presidente Abraham Lincoln, sempre se lembra dessa produção dos anos 30. É um dos clássicos da brilhante carreira do mestre John Ford. O filme foi vencedor do Oscar na categoria de Melhor Roteiro (Lamar Trotti) justamente por romantizar os primeiros anos de atuação de Lincoln, quando ele era apenas um jovem advogado desconhecido, do interior do Kentucky. Apesar de ser inegavelmente um grande filme, desses para se ter em sua coleção, o fato é que há dois pequenos erros em sua narrativa. O primeiro diz respeito aos próprios fatos mostrados na tela, todos eles meramente ficcionais. Obviamente Lincoln realmente foi um advogado de interior antes de entrar na vida política. Isso é certo, porém os acontecimentos mostrados no filme, os detalhes, as causas, essas são frutos da imaginação do roteirista Lamar Trotti. Outro erro digno de nota vem da própria personalidade do protagonista. Interpretado por Henry Fonda, o jeito de ser e agir do seu Lincoln tem mais a ver com a imagem simbólica que ele construiu em seus anos na Casa Branca, do que com a do jovem advogado cheio de prosa que é encontrado nos livros de história. Em sua juventude Abraham Lincoln era dado a contar causos, piadas e anedotas divertidas, muitas delas explorando a vida de um homem simples do campo. Nada a ver com atitudes gloriosas, majestosas, da imagem oficial. O Lincoln da história era bem mais divertido. Assim o filme perde bastante no quesito veracidade histórica, embora como puro cinema é realmente uma excelente obra cinematográfica.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O Céu Mandou Alguém

Título no Brasil: O Céu Mandou Alguém
Título Original: 3 Godfathers
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: John Ford
Roteiro: Laurence Stallings, Frank S. Nugent
Elenco: John Wayne, Pedro Armendáriz, Harry Carey Jr

Sinopse:
Três bandoleiros liderados por Robert Hightower (John Wayne) decidem roubar um banco na pequenina cidadezinha de Welcome no Arizona. Na fuga acabam sem água, perdidos no meio de um dos desertos mais hostis dos Estados Unidos. Lá encontram uma carruagem abandonada, com uma mulher grávida, prestes a ter um filho. Após ajudar no nascimento da criança a mãe morre. Agora os três assaltantes tentarão sobreviver naquele deserto implacável, tentando fugir do xerife e seus assistentes, ao mesmo tempo em que tentam manter o recém-nascido vivo.

Comentários:
Esse é certamente um dos mais interessantes e menos badalados filmes do mestre John Ford (1894 - 1973). O filme começa como todos os westerns da época, com um trio de bandidos de olho no banco de uma cidadela perdida no meio do deserto. Segue-se a perseguição do xerife e então o diretor dá uma guinada e tanto no enredo, fazendo daqueles três assaltantes pessoas de bom coração, que ajudam uma jovem mãe a ter seu filho no meio do deserto. Os três personagens, um americano (Wayne), um mexicano (Pedro Armendáriz) e um jovem pistoleiro conhecido como 'The Abilene Kid' (Harry Carey Jr.) mostram seu lado mais humano, mesmo após terem cometido um crime. O enredo não disfarça uma conotação levemente religiosa ao comparar aqueles três bandidos, os padrinhos do menino recém nascido (daí o título em inglês, 3 Godfathers), com a própria natividade do menino Jesus (com direito até mesmo a uma estrela brilhante no céu). Como um dos próprios personagens fala, eles seriam versões modernas dos três reis magos! Ford também utiliza a natureza do deserto como um elemento opressor sobre todos os personagens, tanto os perseguidos, como os perseguidores. Essa linguagem serve para demonstrar a pequenez do ser humano diante da natureza. O filme no final das contas, embora pouco conhecido, é mais uma das provas da genialidade de um cineasta realmente diferente, marcante, que deixou sua marca para sempre na história da sétima arte.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Os Diretores: John Ford

John Ford
John Ford foi um dos maiores diretores da história do cinema, sendo uma figura central na consolidação da linguagem cinematográfica clássica de Hollywood. Ele nasceu em 1º de fevereiro de 1894, em Cape Elizabeth, no estado do Maine, nos Estados Unidos, com o nome de John Martin Feeney. Filho de imigrantes irlandeses, Ford cresceu em um ambiente marcado por fortes tradições culturais e familiares, elementos que mais tarde influenciariam muitos de seus filmes. Ainda jovem, mudou-se para a Califórnia, onde começou a trabalhar na indústria cinematográfica ao lado de seu irmão mais velho, Francis Ford, que também era ator e diretor. Nos primeiros anos de sua carreira, John Ford desempenhou diversas funções nos estúdios, aprendendo na prática os fundamentos do cinema em uma época em que a indústria ainda estava em formação. Essa experiência inicial foi essencial para o desenvolvimento de seu estilo único e de sua visão artística.

Durante a era do cinema mudo, John Ford dirigiu uma grande quantidade de filmes, muitos deles westerns, gênero com o qual ele se tornaria profundamente associado. Foi ao longo das décadas de 1920 e 1930 que ele começou a consolidar sua reputação como um dos principais diretores de Hollywood. Um de seus maiores sucessos foi Stagecoach (1939), conhecido no Brasil como No Tempo das Diligências, que revolucionou o gênero western ao trazer maior profundidade psicológica aos personagens e uma narrativa mais sofisticada. O filme também ajudou a transformar John Wayne em uma grande estrela do cinema. Ford era conhecido por seu domínio da linguagem visual, pelo uso expressivo das paisagens — especialmente do Monument Valley — e pela capacidade de contar histórias humanas dentro de cenários épicos. Seu estilo influenciou gerações de cineastas e ajudou a definir a estética do western clássico.

Ao longo de sua carreira, John Ford demonstrou grande versatilidade, dirigindo filmes de diferentes gêneros, incluindo dramas, adaptações literárias e filmes históricos. Entre suas obras mais importantes estão The Grapes of Wrath (As Vinhas da Ira, 1940), baseado no romance de John Steinbeck, e How Green Was My Valley (Como Era Verde o Meu Vale, 1941), que lhe rendeu um de seus vários prêmios da Academia. Ford conquistou quatro Oscars de Melhor Diretor, um recorde que permanece até hoje, consolidando sua posição como um dos maiores nomes da história do cinema. Seus filmes frequentemente exploravam temas como comunidade, tradição, honra e sacrifício, refletindo valores profundamente enraizados na cultura americana. Além disso, Ford era conhecido por sua direção firme no set e por seu estilo direto, muitas vezes exigente com atores e equipe.

Durante a Segunda Guerra Mundial, John Ford serviu na Marinha dos Estados Unidos e dirigiu documentários importantes sobre o conflito. Um de seus trabalhos mais notáveis desse período foi The Battle of Midway, que documentou um dos momentos decisivos da guerra no Pacífico. Sua contribuição para o cinema documental e para o esforço de guerra foi amplamente reconhecida, e ele chegou a receber condecorações militares por seu trabalho. Após a guerra, Ford continuou dirigindo filmes de grande impacto, incluindo westerns que se tornaram clássicos, como Rastros de Ódio (The Searchers, 1956), considerado por muitos críticos um dos maiores filmes já feitos. Nesse período, ele aprofundou ainda mais sua abordagem estética e temática, explorando conflitos morais e psicológicos com maior complexidade.

John Ford faleceu em 31 de agosto de 1973, deixando um legado monumental para o cinema mundial. Sua obra influenciou diretores como Orson Welles, Akira Kurosawa e Steven Spielberg, entre muitos outros. Ford é frequentemente lembrado como um dos arquitetos do cinema clássico, responsável por estabelecer padrões narrativos e visuais que continuam sendo utilizados até hoje. Sua capacidade de unir espetáculo visual com profundidade emocional fez de seus filmes obras atemporais. Ao longo de décadas, ele ajudou a moldar a identidade do cinema americano e a elevar o western a um dos gêneros mais importantes da história da sétima arte. Seu nome permanece como sinônimo de excelência cinematográfica e de uma era dourada que definiu os rumos do cinema moderno.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

No Tempo das Diligências

No Tempo das Diligências
Esse foi o primeiro grande sucesso comercial e de crítica que uniu dois dos maiores mitos dos filmes de faroeste: John Wayne e John Ford. Partindo de uma premissa até simples o roteiro consegue desenvolver extremamente bem todos os personagens mostrando que um grande filme não precisa necessariamente ter um argumento complexo ou complicado, pelo contrário. O enredo, olhando sob esse ponto de vista, é extremamente eficiente: uma diligência com sete passageiros resolve enfrentar uma viagem das mais perigosas, atravessando um território hostil dominado pelo bando Apache liderado pelo famoso chefe Gerônimo. De forma muito talentosa John Ford desenvolve cada passageiro da melhor forma possível. E cada um deles é um retrato de tipos que fizeram parte da colonização rumo ao velho oeste. Estão lá o médico Alcoólatra interpretado por Thomas Mitchell (vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante por seu desempenho), a prostituta Dallas (Claire Trevor) banida da cidade por motivos óbvios pela liga da moralidade, o jogador trapaceiro Hatfield (John Carradine), o Xerife Curley (George Bancroft) e finalmente o pistoleiro foragido, às do gatilho, que é procurado pela lei, o famoso Ringo Kid (John Wayne). Todos representando tipos comuns do oeste americano. 

O filme também tem todas as características que criaram a fama do cinema de John Ford. A produção foi rodada no cenário mais famoso de sua filmografia, o Monument Valley. Foi a primeira vez que Ford filmou no local e ficou tão fascinado pelo resultado na tela que resolveu voltar lá inúmeras vezes nos anos seguintes, como por exemplo, em "Paixão dos Fortes", "Sangue de Heróis", "Legião Invencível", "Caravana de Bravos", "Rio Bravo", "Rastros de Ódio", "Audazes e Malditos" a até mesmo em seu último faroeste, "Crepúsculo de Uma Raça". O personagem Ringo Kid foi escrito para ser estrelado inicialmente pelo ator Gary Cooper. Já a prostituta Dallas foi criada para ser interpretada pela famosa atriz Marlene Dietrich.

Curiosamente ambos foram descartados do projeto por não terem acertado um cachê adequado ao orçamento do filme. Ford assim escalou John Wayne e Claire Trevor para os personagens, algo que consideraria anos depois um grande acerto pois os dois estão muito bem em cena. Também visando economizar o diretor acabou contratando índios Navajos para a formação do bando Apache de Gerônimo. Tantas economias e cortes de custo acabou virando uma marca registrada da produção que apesar de ser bem simples e direta também é muito eficiente e marcante. Hoje "No Tempo das Diligências" é considerado um dos grandes clássicos do gênero western, de forma muito merecida aliás.

No Tempo das Diligências (Stagecoach, Estados Unidos, 1939) Direção: John Ford / Roteiro: Ernest Haycox, Dudley Nichols / Elenco: John Wayne, Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine, George Bancroft / Sinopse: Diligência com sete passageiros tenta atravessar uma região dominada pelo violento e hostil bando do famoso chefe Gerônimo. Vencedor do Oscar nas categorias de melhor ator coadjuvante (Thomas Mitchell) e melhor canção. Indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, diretor, direção de arte (Alexander Toluboff), fotografia em preto e branco (Bert Glennon) e Edição (Otho Lovering e Dorothy Spencer). Vencedor do prêmio de melhor direção (John Ford) pela associação dos críticos de cinema de Nova Iorque.

Pablo Aluísio.