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terça-feira, 11 de agosto de 2026

O Céu Mandou Alguém

Título no Brasil: O Céu Mandou Alguém
Título Original: 3 Godfathers
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: John Ford
Roteiro: Laurence Stallings, Frank S. Nugent
Elenco: John Wayne, Pedro Armendáriz, Harry Carey Jr

Sinopse:
Três bandoleiros liderados por Robert Hightower (John Wayne) decidem roubar um banco na pequenina cidadezinha de Welcome no Arizona. Na fuga acabam sem água, perdidos no meio de um dos desertos mais hostis dos Estados Unidos. Lá encontram uma carruagem abandonada, com uma mulher grávida, prestes a ter um filho. Após ajudar no nascimento da criança a mãe morre. Agora os três assaltantes tentarão sobreviver naquele deserto implacável, tentando fugir do xerife e seus assistentes, ao mesmo tempo em que tentam manter o recém-nascido vivo.

Comentários:
Esse é certamente um dos mais interessantes e menos badalados filmes do mestre John Ford (1894 - 1973). O filme começa como todos os westerns da época, com um trio de bandidos de olho no banco de uma cidadela perdida no meio do deserto. Segue-se a perseguição do xerife e então o diretor dá uma guinada e tanto no enredo, fazendo daqueles três assaltantes pessoas de bom coração, que ajudam uma jovem mãe a ter seu filho no meio do deserto. Os três personagens, um americano (Wayne), um mexicano (Pedro Armendáriz) e um jovem pistoleiro conhecido como 'The Abilene Kid' (Harry Carey Jr.) mostram seu lado mais humano, mesmo após terem cometido um crime. O enredo não disfarça uma conotação levemente religiosa ao comparar aqueles três bandidos, os padrinhos do menino recém nascido (daí o título em inglês, 3 Godfathers), com a própria natividade do menino Jesus (com direito até mesmo a uma estrela brilhante no céu). Como um dos próprios personagens fala, eles seriam versões modernas dos três reis magos! Ford também utiliza a natureza do deserto como um elemento opressor sobre todos os personagens, tanto os perseguidos, como os perseguidores. Essa linguagem serve para demonstrar a pequenez do ser humano diante da natureza. O filme no final das contas, embora pouco conhecido, é mais uma das provas da genialidade de um cineasta realmente diferente, marcante, que deixou sua marca para sempre na história da sétima arte.

Pablo Aluísio.

O Anjo e o Malvado

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Título no Brasil: O Anjo e o Malvado
Título Original: Angel and the Badman
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: James Edward Grant
Roteiro: James Edward Grant
Elenco: John Wayne, Gail Russell, Harry Carey

Sinopse:
Quirt Evans (John Wayne) é um cowboy e pistoleiro que após ser perseguido no deserto por inimigos que querem sua morte, consegue escapar com a ajuda de uma jovem chamada Penelope Worth (Russell). Ela o leva até uma comunidade religiosa Quaker. Recuperado, Evans precisa decidir se vai voltar em busca dos homens que o caçaram no deserto ou se vai esquecer tudo, começando uma nova vida. 

Comentários:
Depois de fazer alguns filmes para o esforço de guerra (da segunda guerra mundial, obviamente) e até ter arriscado papéis de galã em filmes românticos, John Wayne decidiu que deveria voltar para as origens de sua carreira. Ele contratou o roteirista James Edward Grant e pediu que ele escrevesse uma história que lembrasse os enredos de seus primeiros filmes. Tudo bancado pelo próprio John Wayne através de sua recém criada companhia cinematográfica (a John Wayne Productions). Gostou tanto do roteiro que resolveu colocar o próprio Grant para dirigir o filme (muito embora o próprio Wayne fosse o diretor de fato dessa produção). O resultado ficou apenas regular. Não havia como voltar ao passado, a um estilo de cinema que já havia sido ultrapassado. Wayne tinha saudades de seus filmes da década de 1930, mas aquele já era um outro momento histórico, do pós-guerra. As ilusões e a inocência já não existiam mais. De qualquer forma, dentro de suas limitações, poderíamos até dizer que é um bom bang-bang, muito embora fique bem longe dos grandes filmes do ator. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Inferno nos Trópicos

Título no Brasil: Inferno nos Trópicos
Título Original: Tycoon
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Richard Wallace
Roteiro: Borden Chase, John Twist
Elenco: John Wayne, Anthony Quinn, Laraine Day, Cedric Hardwicke, Judith Anderson, James Gleason

Sinopse:
O engenheiro Johnny Munroe (John Wayne) é contratado para construir um túnel ferroviário através de uma montanha localizada na América do Sul. O desafio é criar uma estrada para chegar às minas da região. Sua tarefa fica complicada e sua ética fica comprometida quando ele acaba se apaixonando pela filha de seu chefe nesse projeto ousado e desafiador. 

Comentários:
A RKO estava em dificuldades financeiras, por isso voltou a contratar John Wayne para estrelar essa aventura passada na América do Sul. O próprio ator aceitou o convite de bom grado pois tinha uma dívida de gratidão com a RKO desde o começo de sua carreira. O filme é interessante, bem produzido e com roteiro um pouco irregular pois apresenta elementos que no meu ponto de vista seriam desnecessários nesse tipo de história. Eu considerei a parte romântica do filme um pouco valorizada acima do que era esperado. Alguém que ia atrás de um filme de aventuras com John Wayne não estava necessariamente esperando uma atuação de galã romântico por parte dele. Aliás ele nunca funcionou direito nesse tipo de papel. Talvez por essa razão o filme não tenha sido bem sucedido nas bilheterias de cinema na época de seu lançamento. Como foi uma produção muito cara, acabou trazendo prejuízo para a já problemática vida financeira da RKO que algum tempo depois iria acabar indo á falência, fechando suas portas definitivamente. 

Pablo Aluísio.

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 18

A década de 1950 chegou e John Wayne não sabia, mas iria fazer seus filmes mais importantes nesses anos que viriam. O curioso é que por essa fase o próprio Wayne já falava em se aposentar, comprar um rancho no sul da Califórnia e se estabelecer por lá. Não estava mais muito empolgado com o cinema. Já havia ganho dinheiro suficiente para cuidar de um próspero rancho de cavalos. Era o seu principal plano. Ter um rancho com os melhores cavalos para alugar o seu plantel para os estúdios de cinema. No set de filmagens de seus filmes John Wayne estava sempre repetindo essa mesma ladainha. Que estava velho e cansado, que iria comprar um rancho para criar cavalos. 

A história chegou até os ouvidos do diretor John Ford. Ele tinha uma relação de amizade tão próxima de John Wayne que beirava a insanidade. Eles gostavam de se provocar. Ford assim enviou um telegrama para Wayne dizendo: "Ouvi dizer que você está querendo se aposentar. Deixa de falar asneiras, seu Hipopótamo. Quero você em meu próximo filme!". Ao ler a mensagem Wayne soltou uma grande gargalhada e mandou a resposta: "Tudo certo, caolho! Basta me dizer onde vai ser feito o filme. Estarei lá!"

O filme seria mais um grande clássico da dupla John Ford - John Wayne. Intitulado "Rio Grande" seria mais um filme da linha de produções de western que tinham como tema a cavalaria americana. Anos depois esse filme seria classificado como um dos mais importante da trilogia da cavalaria americana na conquista do Oeste selvagem do mestre Ford. 

O curioso é que o personagem de John Wayne era muito mais velho do que o próprio ator. Acabou sendo mais uma piada para John Ford que lhe disse no primeiro dia de filmagem: "Já que você vive falando como um velho, vou te dar um personagem de velho para fazer nesse filme!". Para completar, o personagem de Wayne iria usar um vasto bigode, típico do período histórico em que a história se passava. John Wayne odiava bigodes, mas John Ford aproveitou para ter mais um elemento de humor com Wayne. Ele lhe disse: "Ou usa bigode ou está fora do filme!". Piadas à parte o filme foi um grande sucesso de público e crítica, demonstrando mais uma vez que quando os dois amigos se reuniam geralmente resultava em mais uma grande obra-prima do cinema.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Dia Voltarei

Título no Brasil: Um Dia Voltarei
Título Original: Flame of Barbary Coast
Ano de Lançamento: 1945
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: Joseph Kane
Roteiro: Borden Chase, Prescott Chaplin
Elenco: John Wayne, Ann Dvorak, Joseph Schildkraut

Sinopse:
Em San Francisco, no crepúsculo do velho oeste, um cowboy chamado Duke Fergus (John Wayne) se apaixona por uma bela dançarina e cantora de saloon conhecida como Ann 'Flaxen' Tarry (Ann Dvorak). Só que conquistar seu coração não vai ser tão fácil pois ele terá que disputá-la contra o magnata corrupto Tito Morell (Joseph Schildkraut). Filme indicado ao Oscar nas categoria de Melhor Som e Melhor Música Original (R. Dale Butts e Morton Scott). 

Comentários:
A Segunda Guerra Mundial estava chegando ao seu final quando John Wayne decidiu voltar aos filmes de faroeste. Só que dessa vez ele optou por um roteiro bem leve, quase uma comédia romântica passada nos tempos do velho oeste. Nada de muita ação envolvida, a história se concentrava mais nessa cantora e bailarina, cujo coração era disputada por dois homens, um magnata rico e sem escrúpulos e o cowboy de Wayne, trabalhador, de bom coração, muito ético e tudo mais. O fato curioso é que o próprio Wayne escolheu a atriz que iria trabalhar nesse papel da dançarina de saloon. E ele escolheu Ann Dvorak. Os críticos da época do lançamento original do filme criticaram a escolha pois ela já tinha passado da idade certa para interpretar essa personagem. Para Wayne isso entretanto era irrelevante. Ele estava interessado mesmo em seus talentos como cantora e dançarina. E nesse aspecto a veterana realmente não deixou nada a desejar. 

Pablo Aluísio.

Quando a Mulher se Atreve

Título no Brasil: Quando a Mulher se Atreve
Título Original: In Old Oklahoma
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures 
Direção: Albert S. Rogell
Roteiro: Thomson Burtis, Ethel Hill
Elenco: John Wayne, Martha Scott, Albert Dekker

Sinopse:
Em 1906, nas terras indígenas de Oklahoma, um cowboy chamado Daniel F. Somers (John Wayne) luta pelos seus direitos de arrendamento de um rancho contra um ganancioso empresário que deseja suas terras, pois há petróleo em seu subsolo. Enquanto a disputa se desenvolve, uma linda professora rouba os corações de ambos os inimigos.

Comentários:
Era para ser mais um faroeste de rotina na carreira de John Wayne, mas houve algumas mudanças interessantes. A produção decidiu filmar tudo no deserto de Utah, ao invés da Califórnia onde seus filmes anteriores tinham sido feitos. Isso trouxe uma bela fotografia ao filme como um todo. Era uma região diferente, com belas paisagens. Outras surpresas viriam. Os críticos gostaram do filme e teceram elogios e o filme acabou sendo indicado ao Oscar em duas categorias. Eram indicações bem inustiadas em se tratando de um western. Foi indicado na categoria de melhor som, pois se usou um equipamento de captação novo na época e melhor música. Acabou sendo um caso raro de filme de faroeste indicado por sua trilha sonora. Quem poderia imaginar?

Pablo Aluísio.

Fugitivos do Terror

Título no Brasil: Fugitivos do Terror
Título Original: Three Faces West
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Bernard Vorhaus
Roteiro: F. Hugh Herbert
Elenco: John Wayne, Sigrid Gurie, Charles Coburn, Spencer Charters

Sinopse:
O filme Three Faces West acompanha um médico austríaco refugiado que foge da Europa com sua filha após a ascensão do nazismo. Eles se estabelecem em uma comunidade agrícola nos Estados Unidos, onde tentam reconstruir suas vidas em meio às dificuldades provocadas pelas tempestades de areia do período conhecido como Dust Bowl. Enquanto a cidade enfrenta a destruição das plantações e o êxodo dos moradores, o médico passa a trabalhar ao lado de um jovem fazendeiro para ajudar a população local a sobreviver e encontrar esperança em tempos difíceis.

Comentários:
Three Faces West mistura drama social, romance e elementos de faroeste, refletindo preocupações importantes da época, como a crise dos refugiados europeus e os efeitos devastadores do Dust Bowl nos Estados Unidos. O filme também possui um tom de propaganda humanitária, defendendo a acolhida de imigrantes em um momento marcado pelo avanço do nazismo na Europa. John Wayne aparece em um papel mais dramático e menos heroico do que em muitos de seus westerns posteriores, demonstrando versatilidade em sua carreira inicial. Embora hoje seja uma obra menos conhecida, o filme é valorizado por seu contexto histórico e pela combinação incomum entre drama rural americano e questões internacionais do período pré-Segunda Guerra Mundial.

Erick Steve. 

Filmografia de John Wayne - Parte 2

Filmografia de John Wayne - Parte 2
Mais uma leva de filmes do ator John Wayne, agora na primeira metade da década de 1940, justamente os anos em que os Estados Unidos estiveram envolvidos na Segunda Grande Guerra Mundial. John Wayne não foi para as forças armadas americanas, ficando nos Estados Unidos, onde atuou em produções que ajudaram no esforço de guerra de sua nação. 

1940:
Comando Negro
Fugitivos do Terror
A Longa Viagem de Volta
A Pecadora

1941:
O Traído
O Carnaval da Vida
O Morro dos Maus Espíritos

1942:
Dama por uma Noite
Vendaval de Paixões
Indomável
Caminho Fatal
Tigres Voadores
Ódio e Paixão
Uma Aventura em Paris

1943:
Arrisca-te, Mulher!
Quando a Mulher se Atreve

1944:
Romance dos Sete Mares
Adorável Inimiga

1945:
Adorável Inimiga
Um Dia Voltarei
Espírito Indomável
Dakota
Fomos os Sacrificados

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 17

Provavelmente o último filme de John Wayne ao velho estllo tenha sido "O Anjo e o Malvado" (Angel and the Badman, 1947). Esse western seguia a fórmula das antigas fitas que Wayne havia feito bem no começo de sua carreira. Ele próprio escolheu o roteiro, bancou o filme através de sua recém criada companhia cinematográfica e atuou na distribuição ao lado da Republic Studios, que não teria vida longa, fechando as portas em poucos anos. Na realidade o próprio Wayne dirigiu esse filme, mas por receio de ser criticado, acabou colocando o roteirista do filme como creditado na direção. Isso mostrava que ele ainda tinha uma certa insegurança de ser visto como um cineasta em Hollywood. 

Depois disso John Wayne entraria definitivamente na grande fase de sua carreira. Ele deixaria os pequenos filmes de bang-bang de lado para atuar em filmes de western que mais se pareciam com grandes épicos sobre a fundação dos Estados Unidos. Grande produções, com elencos milionários, filmes dirigidos por grandes mestres da sétima arte. Foi a era de ouro de sua carreira. 

"Sangue de Heróis" (Fort Apache, 1948) foi seu primeiro grande filme nessa nova era. Dirigido por John Ford, o elenco contava ainda com outro grande astro de Hollywood naqueles anos, o excelente Henry Fonda. O diretor Ford queria contar a história da cavalaria norte-americana na conquista do Oeste selvagem. Sua ideia inicial era construir uma série de filmes sobre esse tema e esse seria o mais bem acabado nesse seu ambicioso projeto. 

Um grande filme, de fato. Marcou época e se tornou um dos maiores sucessos cinematográficos do ano. John Wayne e Henry Fonda se deram muito bem no set de filmagens. Tanto que se pensava na época que eles iriam trabalhar juntos em outros filmes com mais frequência. Algo que infelizmente não iria acontecer. Fort Apache fez tanto sucesso que Wayne não largou mais John Ford. Ele havia encontrado o diretor que tanto procurava, desde o começo de sua carreira, nos distantes anos 1920. Seria a consolidação de uma grande parceria entre eles. E o cinema só teria a ganhar com eles trabalhando juntos! 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 7 de abril de 2026

Caminho Fatal

Título no Brasil: Caminho Fatal
Título Original: In Old California
Ano de Lançamento: 1942
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: William C. McGann
Roteiro: Gertrude Purcell, Frances Hyland
Elenco: John Wayne, Binnie Barnes, Albert Dekker, Helen Parrish, Patsy Kelly, Edgar Kennedy

Sinopse:
Durante a corrida do ouro na Califórnia, no século XIX, um farmacêutico de Boston chamado Tom Craig (Wayne), chega a Sacramento para começar uma nova vida, mas logo enfrenta problemas. Ele entra em conflito com o chefe político local Britt Dawson, que exige pagamento de proteção dos cidadãos. No fundo essa seria uma extorsão em cima de comerciantes locais. 

Comentários:
Antes de qualquer coisa eu não gosto desse título nacional. Muito ruim e genérico. O título original do filme é mais adequado ao que se vê na tela pois esse filme se propõe a contar um pouco sobre a vida dos primeiros  pioneiros a chegarem na Califórnia, na velha Califórnia, durante a corrida do ouro nas montanhas daquele estado norte-americano. Um bom drama faroeste da Republic que inclusive chegou a arrancar elogios dos críticos mais ácidos da época. Um deles chegou a ironizar em seu texto dizendo que sim, John Wayne podia atuar! Dizem que o velho Duke levou aquela crítica como um insulto pessoal! Não tiro suas razões. Mas enfim, eis aqui um western até diferente na filmografia de John Wayne a começar pelo roteiro, que foi escrito por duas mulheres! O mais machista de todos os gêneros cinematográficos finalmente se rendia ao talento dessas damas escritoras. Nada mal. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 16

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 16
Em 1942 o mundo estava em guerra. O ataque japonês ao porto norte-americano de Pearl Harbor colocou os Estados Unidos no conflito. Vários atores e diretores entraram nas forças armadas, mas curiosamente John Wayne não conseguiu entrar para o exército. Além da idade, havia problemas de saúde com o já veterano Wayne. Isso iria de certa forma manchar um pouco sua fama de grande patriota, mas Wayne percebeu que sua carreira iria se tornar gloriosa a partir daquele momento. Sem a concorrência dos grandes astros, excelentes roteiros lhe foram oferecidos. O tempo de filmes B tinha ficado para trás. 

Embora estivesse em busca de filmes de guerra, outro gênero ao qual iria se dedicar naqueles anos, John Wayne não pretendia negligenciar seus filmes de faroeste, ainda que isso tenha realmente acontecido. Afinal havia sido eles que lhe trouxeram fama e sucesso no cinema. Por isso ainda em 1942 ele voltou a vestir a velha vestimenta de cowboy, subiu em um cavalo e estrelou o filme "Caminho Fatal". Com direção de William C. McGann, esse era um western tradicional, como nos velhos tempos. No filme Wayne interpretava um sujeito que se mudava de Boston para uma cidade no velho oeste, bem no meio da corrida ao ouro. Em tempos de violência, ele iria aprender rapidamente as regras do jogo naquele lugar distante da civilização. 

O mais interessante de tudo é que ele daria um tempo depois dessa produção nos filmes de faroeste. Na realidade ficaria dois anos afastado do gênero, justamente os anos da guerra. Nesse período, como era de se esperar, ele atuou em filmes com temáticas militares para levantar a moral dos soldados americanos que lutavam na Europa e no Pacífico. Seu maior sucesso nessa fase foi "Tigres Voadores" sobre uma esquadrilha de bravos pilotos americanos lutando na guerra. Se ele não podia lutar a guerra real, iria se dedicar, pelo menos por um tempo, em ser um modelo de herói dos filmes que estavam passando nos cinemas. Deu certo e todos essas produções foram bem nas bilheterias. 

Ele só retornaria mesmo ao velho estilo em 1945, no mesmo ano em que a guerra chegou ao seu final. John Wayne atendia assim aos inúmeros pedidos de fãs que chegavam todos os dias no estúdio. Ele estava de volta ao mundo do velho oeste. O filme que marcou seu retorno era intitulado "Dakota", justamente o nome de um estado do meio-oeste dos Estados Unidos. A história do filme se passava em 1871, onde empresários nortistas desonestos lutavam contra fazendeiros de trigo da região de Dakota, com o objetivo de aproveitar o desenvolvimento trazido pela nova ferrovia inaugurada na região. Tudo para controlar a cidade de Fargo, considerada a mais rica daquele estado. Esse sem dúvida foi um bom filme de sua carreira naquele período. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

O Morro dos Maus Espíritos

Título no Brasil: O Morro dos Maus Espíritos
Título Original: The Shepherd of the Hills
Ano de Lançamento: 1941
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Harold Bell Wright, Grover Jones
Elenco: John Wayne, Betty Field, Harry Carey, Beulah Bondi, James Barton, Samuel S. Hinds

Sinopse:
Western dramático mostrando os dramas e lutas de uma família de pioneiros que vivem nas colinas do Missouri durante a colonização do velho oeste dos Estados Unidos. Um estranho misterioso, mas agradável, chega nessa região e faz amizade com uma jovem do interior, que não se sente bem com seu noivo que jurou encontrar e matar seu próprio pai.

Comentários:
John Wayne começou a fazer sua carreira estrelando filmes menores de faroeste para as matinês. Eram filmes bem simples, com produções modestas. Esse aqui é um faroeste muito mais ambicioso, elegante e melodramático. Uma maneira de fazer grande cinema, como se dizia na época. Mostra a vida de pioneiros vivendo nas colinas, criando ovelhas e pequenos rebanhos e seus dramas da vida social. John Wayne é o jovem impetuoso e cabeça quente. Um homem que deseja se casar e começar seu próprio rancho, ter sua vida, só que ele precisa antes superar muitos problemas do passado, inclusive traumas familiares. Como se pode perceber, é um personagem com complexidade psicológica, nada a ver com os pistoleiros e cowboys superficiais de seus primeiros filmes. Enfim, eis aqui um dos primeiros grandes filmes da carreira de John Wayne. Com preciosa direção do cineasta Henry Hathaway, esse é sem sombra de dúvidas um clássico do western norte-americano. 

Pablo Aluísio.


segunda-feira, 2 de março de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 15

A década de 1940 começou, o mundo estava em guerra, mas John Wayne não conseguiu se alistar para lutar na Europa, como muitos de seus colegas atores. Embora existam muitas versões diferentes sobre isso, o mais plausível talvez seja o fator idade. Ele já não tinha a idade certa para entrar nas forças armadas. Ao ficar nos Estados Unidos, o ator acabou tendo acesso a filmes que normalmente não faria, pois os estúdios dariam esses papéis para outros atores. De certa forma foi um lance de sorte em sua carreira, algo que mudaria seu status em Hollywood dali em diante. Exemplos dessa mudança de ares pode ser vista em seus filmes seguintes. 

"O Morro dos Maus Espíritos" era um western muito requintado. Nada parecido com os filmes de faroeste B que o ator vinha aparecendo desde o começo de sua trajetória como ator em Hollywood. A produção era classe A, realmente contando com um roteiro muito bem elaborado, baseado em um best-seller da época. A história tinha um ótimo argumento, lidando com conflitos familiares e a chegada de um estranho misterioso que poderia trazer segredos do passado que deveriam ser esquecidos. Na época o próprio John Wayne declarou que aquele havia sido o melhor personagem de sua carreira. 

Enquanto a segunda guerra mundial devastava a Europa, as coisas só melhoravam para o "Duke" nos Estados Unidos. Os roteiros que eram oferecidos a ele eram primorosos, afinal os estúdios ficaram sem seus principais astros como James Stewart e Clark Gable, pois ambos entraram no esforço de guerra. Até mesmo os que não vestiram farda foram se apresentar no exterior para as tropas americanas que lutavam no front europeu e do Pacífico Sul. 

"Vendaval de Paixões" foi outro grande sucesso de bilheteria de John Wayne. O papel tinha sido preparado para contar com Clark Gable no elenco, mas como ele estava na guerra, o único nome capaz de fazer frente em termos de chamariz de público era justamente o de John Wayne. Com uma produção de encher os olhos, assinada pelo lendário Cecil B. DeMille, Wayne arrancou elogios da crítica e aclamação do público que adorou esse épico romântico ao velho estilo. Cecil B. DeMille, que também dirigiu o filme, disse aos jornais da época que John Wayne iria se tornar o maior nome de Hollywood e conforme os anos foram passando suas previsões se tornaram realmente certeiras. No dez anos seguintes ele realmente se tornaria o mais popular astro do cinema americano. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Comando Negro

Título no Brasil: Comando Negro
Título Original: Dark Command
Ano de Produção: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio:  Republic Pictures
Direção: Raoul Walsh
Roteiro: Grover Jones, Lionel Houser
Elenco: John Wayne, Claire Trevor, Walter Pidgeon, George 'Gabby' Hayes, Porter Hall, Raymond Walburn

Sinopse:
Na véspera da eclosão da guerra civil americana, o texano Bob Seton (John Wayne) chega na pequena cidadezinha de Lawrence, Kansas. Ele pensa em viver por lá, só que seus planos são ameaçados por William 'Will' Cantrell (Walter Pidgeon), um ambicioso e fanático militante da causa sulista na região. Não demora muito e ele começa a impor o terror para toda a população local.

Comentários:
Hoje em dia esse western é pouco lembrado. Entretanto foi um dos grandes sucessos da carreira de John Wayne. Tanto do ponto de vista do público, como também da crítica. Foi produzido pelo lendário produtor Sol C. Siegel, que fez fortuna e fama em Hollywood, sendo conhecido pelo extremo capricho que trazia para seus filmes. A direção também foi excelente, caindo nas mãos do mestre Raoul Walsh. Tantos talentos fizeram com que o filme fosse indicado em duas categorias do Oscar, concorrendo como melhor direção de arte (realmente o filme tem um estilo e visual belíssimo) e melhor música original (a cargo do maestro Victor Young, consagrado pelos maravilhosos temas que compôs para filmes em Hollywood). O roteiro também conseguiu mesclar com rara inspiração personagens históricos reais (como Cantrell e seu bando de renegados) com personagens de pura ficção (como no caso do ranchero interpretado por John Wayne). Em suma, um dos grandes clássicos da Republic, um estúdio que marcou época na Hollywood em sua fase de ouro.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 14

Vamos em frente. O filme intitulado "O Rei do Rio Pecos" foi lançado em 1936, com direção do cineasta Joseph Kane. Nesse filme John Wayne interpreta um personagem chamado  John Clayborn. No passado seus pais foram mortos por um barão do gado, um sujeito muito rico, mas totalmente inescrupuloso. O tempo passa e Clayborn se forma em direito, se tornando advogado. A partir desse ponto ele tentará trazer justiça para a região, levando ao tribunal o homem que matou seus pais. Só que naquela terra sem lei isso vai ser mais do que complicado de se realizar. Só sobrará mesmo o caminho da justiça pelas próprias mãos.

O filme seguinte de John Wayne ganhou um título nacional que hoje em dia soa mais do que divertido. A produção por aqui, no Brasil, recebeu o título nacional de "Limpando a Zona" (do original " The Lonely Trail"). Só rindo não é mesmo? Mas qual éra a história dessa antiga película do Duke? John Wayne interpreta um sujeito, um cowboy, que é contratado para livrar uma região de bandoleiros e encrenqueiros em geral. Gente perversa, bandidos de modo geral. O serviço vai ser trabalhoso, mas ele acaba dando conta do recado.

Depois de limpar a zona, John Wayne não parou e foi trabalhar no filme seguinte. Ele trabalhava sem parar nessa época. Jovem e disposto, saía de um filme e entrava no próximo, sem pausa para descansar. Seu filme seguinte ganhou um título forte no Brasil, se chamando simplesmente "Tenacidade" (Winds of the Wasteland). Ele aqui interpreta um astuto empresário no velho oeste que tenta ficar rico com a chegada do telégrafo. Um filme interessante, um pouco fora do comum do que ela fazia nessa fase de sua carreira.

"Sentinelas do Mar" (Sea Spoilers) também mudava os ares, os cenários dos filmes de Wayne. Aqui ele deixava de ser um cowboy para se tornar um valente marinheiro dos sete mares. Ele acaba se envolvendo em um crime quando chega em um navio e encontra um homem morto dentro dele. Quem teria matado aquele homem desconhecido? Para complicar ainda mais o mistério, tudo levaria a crer que sua própria garota estaria envolvida naquele crime. Um filme bem diferente de John Wayne.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 13

O faroeste "Terras Virgens" (The New Frontier) explorava em seu roteiro uma questão interessante na colonização do oeste. O governo dos Estados Unidos doava terras para colonização do homem branco. Quem chegasse primeiro nessas propriedades rurais e conseguisse se firmar, construindo uma casa de madeira, construindo currais para criação de gado, ganhava a propriedade definitiva dessas terras inexploradas. Uma forma de afastar os índios, assumindo a posse dessas regiões. A direção desse filme ficou a cargo de Carl Pierson.

O filme seguinte "País sem Leis" (Lawless Range) era outro western, só que nesse a linha ia mais para a investigação e o mistério. Um rancheiro desaparecia de sua propriedade rural sem deixar rastros. O que teria acontecido? John Wayne interpretava o homem da lei que iria investigar o caso, procurando por pistas, investigando o que provavelmente seria um assassinato. O motivo? Simples, tomar as terras do homem desaparecido. Esse foi outro western de matinê dirigido pelo velho Robert N. Bradbury, um dos diretores que mais trabalharam ao lado de Wayne nessa fase de sua carreira.

O primeiro filme de John Wayne em 1936 foi "O Regimento Sinistro" dirigido por Scott Pembroke na Republic Pictures (companhia cinematográfica que marcou época em Hollywood, mas que já não existe mais há muitas décadas). Aqui um capitão do exército americano interpretado por Wayne vai atrás do paradeiro de seu pai que havia desaparecido misteriosamente. Como se pode perceber há uma certa semelhança com o enredo do filme anterior. Na foto da postagem temos o poster do filme, um item raro nos dias de hoje, peça de colecionador. 

"Ordem a Bala" foi o filme seguinte de Wayne. Nesse filme John Wayne interpreta um agente federal que viaja até o território do Wyoming. Vai haver uma votação para transformar aquela região em um estado da União e as coisas andam tensas. Os que não querem isso planejam atos terroristas como a explosão de dinamite em pontos de votação. Quem dirigiu esse western foi Joseph Kane. Foi mais um filme produzido pela Republic Pictures.

Pablo Aluísio.

O Pistoleiro do Wyoming

Título no Brasil: O Pistoleiro do Wyoming
Título Original: Wyoming Outlaw
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: George Sherman
Roteiro: Jack Natteford, Betty Burbridge
Elenco: John Wayne, Don 'Red' Barry, Ray Corrigan, Raymond Hatton

Sinopse:
Will Parker (Don 'Red' Barry) é um rancheiro do Wyoming que devido ao hostil clima da região acaba perdendo toda a sua safra. Desesperado para alimentar seus familiares ele se une a um bando de ladrões de gado. Após um confronto é capturado e preso mas ele não se dá por vencido e foge da prisão, começando uma verdadeira caçada para capturá-lo. Roteiro levemente inspirado em fatos reais.

Comentários:
Filme da Republic Pictures que conta em seu elenco com o famoso John Wayne. Infelizmente os fãs do Duke não precisam ficar muito eufóricos pois o filme não gira em torno do mais famoso cowboy da sétima arte. Na verdade seu personagem, Stony Brooke, é bem secundário. Quem for assistir a esse filme pensando em Wayne certamente se decepcionará por essa razão. No geral é um filme B, feito especialmente para matinês, muito curtinho e rápido que vai direto ao ponto. É um bangue-bangue tradicional, sem maiores surpresas. O roteiro ainda ensaia um pouco mais de capricho no que diz respeito ao personagem principal, um rancheiro que entra para o mundo do crime por necessidade, mas não vai muito adiante em relação a isso. Wayne surge com um figurino que lembra bastante o ídolo Tom Mix, com um enorme chapéu branco, além de roupas claras, impecáveis para quem vive no velho oeste americano. Enfim, coisas de Hollywood da época. Em suma, um faroeste da velha escola que mesmo sendo de rotina segue sendo lembrado por causa da presença do imortal John Wayne.

Pablo Aluísio.

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 12

O filme "Paraíso dos Falsários" (Paradise Canyon) foi dirigido pelo cineasta Carl Pierson. Johw Wayne aqui contracenou com um elenco muito bom, com destaque para as participações de Marion Burns e Reed Howes. Realizado pelo produtor Paul Malvern, o filme era tipicamente uma produção para as matinês de sábado, com uma curta duração de apenas 57 minutos! Um bangue-bangue rápido, voltado principalmente para os mais jovens e crianças.

A sinopse era bem simples: Um agente secreto do governo era enviado para prender uma gangue de falsificadores que operavam perto da fronteira mexicana. John Wayne interpretava esse agente especial chamado John Wyatt. Porém para não ser descoberto pelos bandidos ele chegava na distante cidade de fronteira usando o nome falso de John Rogers. No começo das filmagens ocorreu um fato engraçado. O roteirista queria usar o nome de John Wayne no próprio filme. Seria o nome usado do agente para despistar os falsificadores. Só que Wayne achou a ideia realmente péssima e mandou ele procurar por outro nome. "Essa é uma ideia estúpida!" - Disse o velho cowboy para o pobre roteirista. Ficou John Rogers mesmo.

No filme seguinte John Wayne voltou a trabalhar com o diretor Robert N. Bradbury. Nessa fase de sua carreira esse cineasta foi quem mais dirigiu Wayne em seus faroestes. É curioso que depois que Wayne foi para a Paramount e outros grandes estúdios de Hollywood trabalhar em filmes mais bem elaborados, ele não tenha pensado em levar esse velho parceiro, dos velhos tempos, para dirigir algum de seus novos filmes. De uma maneira ou outra eles trabalharam juntos com frequência - e trabalharam bem, produzindo bons filmes de matinês.

Essa nova produção se chamava "Da Derrota à Vitória" (Westward Ho). John Wayne interpretou basicamente o mesmo personagem do filme anterior, chamado John Wyatt. Só que agora seu objetivo era a vingança. No passado seu pai foi morto por criminosos. E seu irmão foi levado como réfem. Décadas depois Wayne reencontra seu irmão, agora já um homem adulto, em um trem rumo ao oeste. O problema é que ele não tem mais memórias do passado e está agora trabalhando ao lado dos mesmos bandidos que  mataram seu pai. Com bom roteiro esse foi um dos faroestes mais interessantes dessa época na filmografia de John Wayne.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

No Tempo das Diligências

No Tempo das Diligências
Esse foi o primeiro grande sucesso comercial e de crítica que uniu dois dos maiores mitos dos filmes de faroeste: John Wayne e John Ford. Partindo de uma premissa até simples o roteiro consegue desenvolver extremamente bem todos os personagens mostrando que um grande filme não precisa necessariamente ter um argumento complexo ou complicado, pelo contrário. O enredo, olhando sob esse ponto de vista, é extremamente eficiente: uma diligência com sete passageiros resolve enfrentar uma viagem das mais perigosas, atravessando um território hostil dominado pelo bando Apache liderado pelo famoso chefe Gerônimo. De forma muito talentosa John Ford desenvolve cada passageiro da melhor forma possível. E cada um deles é um retrato de tipos que fizeram parte da colonização rumo ao velho oeste. Estão lá o médico Alcoólatra interpretado por Thomas Mitchell (vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante por seu desempenho), a prostituta Dallas (Claire Trevor) banida da cidade por motivos óbvios pela liga da moralidade, o jogador trapaceiro Hatfield (John Carradine), o Xerife Curley (George Bancroft) e finalmente o pistoleiro foragido, às do gatilho, que é procurado pela lei, o famoso Ringo Kid (John Wayne). Todos representando tipos comuns do oeste americano. 

O filme também tem todas as características que criaram a fama do cinema de John Ford. A produção foi rodada no cenário mais famoso de sua filmografia, o Monument Valley. Foi a primeira vez que Ford filmou no local e ficou tão fascinado pelo resultado na tela que resolveu voltar lá inúmeras vezes nos anos seguintes, como por exemplo, em "Paixão dos Fortes", "Sangue de Heróis", "Legião Invencível", "Caravana de Bravos", "Rio Bravo", "Rastros de Ódio", "Audazes e Malditos" a até mesmo em seu último faroeste, "Crepúsculo de Uma Raça". O personagem Ringo Kid foi escrito para ser estrelado inicialmente pelo ator Gary Cooper. Já a prostituta Dallas foi criada para ser interpretada pela famosa atriz Marlene Dietrich.

Curiosamente ambos foram descartados do projeto por não terem acertado um cachê adequado ao orçamento do filme. Ford assim escalou John Wayne e Claire Trevor para os personagens, algo que consideraria anos depois um grande acerto pois os dois estão muito bem em cena. Também visando economizar o diretor acabou contratando índios Navajos para a formação do bando Apache de Gerônimo. Tantas economias e cortes de custo acabou virando uma marca registrada da produção que apesar de ser bem simples e direta também é muito eficiente e marcante. Hoje "No Tempo das Diligências" é considerado um dos grandes clássicos do gênero western, de forma muito merecida aliás.

No Tempo das Diligências (Stagecoach, Estados Unidos, 1939) Direção: John Ford / Roteiro: Ernest Haycox, Dudley Nichols / Elenco: John Wayne, Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine, George Bancroft / Sinopse: Diligência com sete passageiros tenta atravessar uma região dominada pelo violento e hostil bando do famoso chefe Gerônimo. Vencedor do Oscar nas categorias de melhor ator coadjuvante (Thomas Mitchell) e melhor canção. Indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, diretor, direção de arte (Alexander Toluboff), fotografia em preto e branco (Bert Glennon) e Edição (Otho Lovering e Dorothy Spencer). Vencedor do prêmio de melhor direção (John Ford) pela associação dos críticos de cinema de Nova Iorque.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 11

"Terror no Texas" (Texas Terror) foi dirigido por Robert N. Bradbury, um cineasta que por essa época era o que mais trabalhava ao lado de John Wayne. Acontece que o ator estava sob contrato com a produtora cinematográfica Paul Malvern Productions, especializada em filmes de bang-bang produzidos para as matinês de sábado. Nesse "faroeste rápido" John Wayne voltava a interpretar um xerife chamado John Higgins. Ele se sentia culpado após a morte de uma amiga. E por isso resolvia entregar sua estrela de homem da lei. Só que precisava voltar à ativa após a irmã dessa mesma amiga ser ameaçada por bandoleiros.

Outro bom filme desse ano (estamos falando de 1935) é o western intitulado "Uma Trilha no Deserto" (The Desert Trail). John Wayne nessa produção interpretou um herói dos rodeios, um sujeito chamado John Scott. Ele deixa os festivais de montaria para ajudar um amigo, agora acusado injustamente de ter matado um homem. O roteiro (assinado por Lindsley Parsons) era na média das produções de matinê. Mais um filme feito a toque de caixa pela mesma Paul Malvern Productions, só que dessa vez com um novo diretor comandando tudo, Lewis D. Collins (aqui sendo creditado como Cullen Lewis, um pseudônimo).

Seu primeiro filme no ano de 1936 foi "A Difícil Vingança" (The Dawn Rider). Usando um figurino que lembrava muito Tom Mix, com aquele típico e enorme chapéu branco, Wayne voltava ao velho oeste. De fato, ele foi provavelmente um dos atores que mais trabalharam nesse gênero cinematográfico ao longo da história pois nessa época fazia filmes em ritmo industrial, um atrás do outro. Mal saía de um set de filmagens e já se apresentava no dia seguinte para mais um faroeste de matinê.

Pois bem, nesse filme um velho tema voltava à tela. O Duke, ainda bem jovem, interpretava um personagem chamado John Mason. Bom rapaz, rápido no gatilho, honesto e trabalhador, sentia a injustiça de ver se pai ser morto por malfeitores na rua da pequena cidade onde morava. Assim decidia realizar a justiça pelas próprias mãos. O tema da vingança envolvendo familiares era muito comum na época e perdurou por anos em filmes de western, sendo copiado à exaustão até mesmo por filmes italianos (o conhecido, amado e odiado, western spaghetti).

Pablo Aluísio.