quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 13
O filme seguinte "País sem Leis" (Lawless Range) era outro western, só que nesse a linha ia mais para a investigação e o mistério. Um rancheiro desaparecia de sua propriedade rural sem deixar rastros. O que teria acontecido? John Wayne interpretava o homem da lei que iria investigar o caso, procurando por pistas, investigando o que provavelmente seria um assassinato. O motivo? Simples, tomar as terras do homem desaparecido. Esse foi outro western de matinê dirigido pelo velho Robert N. Bradbury, um dos diretores que mais trabalharam ao lado de Wayne nessa fase de sua carreira.
O primeiro filme de John Wayne em 1936 foi "O Regimento Sinistro" dirigido por Scott Pembroke na Republic Pictures (companhia cinematográfica que marcou época em Hollywood, mas que já não existe mais há muitas décadas). Aqui um capitão do exército americano interpretado por Wayne vai atrás do paradeiro de seu pai que havia desaparecido misteriosamente. Como se pode perceber há uma certa semelhança com o enredo do filme anterior. Na foto da postagem temos o poster do filme, um item raro nos dias de hoje, peça de colecionador.
"Ordem a Bala" foi o filme seguinte de Wayne. Nesse filme John Wayne interpreta um agente federal que viaja até o território do Wyoming. Vai haver uma votação para transformar aquela região em um estado da União e as coisas andam tensas. Os que não querem isso planejam atos terroristas como a explosão de dinamite em pontos de votação. Quem dirigiu esse western foi Joseph Kane. Foi mais um filme produzido pela Republic Pictures.
Pablo Aluísio.
O Pistoleiro do Wyoming
Título Original: Wyoming Outlaw
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: George Sherman
Roteiro: Jack Natteford, Betty Burbridge
Elenco: John Wayne, Don 'Red' Barry, Ray Corrigan, Raymond Hatton
Sinopse:
Will Parker (Don 'Red' Barry) é um rancheiro do Wyoming que devido ao hostil clima da região acaba perdendo toda a sua safra. Desesperado para alimentar seus familiares ele se une a um bando de ladrões de gado. Após um confronto é capturado e preso mas ele não se dá por vencido e foge da prisão, começando uma verdadeira caçada para capturá-lo. Roteiro levemente inspirado em fatos reais.
Comentários:
Filme da Republic Pictures que conta em seu elenco com o famoso John Wayne. Infelizmente os fãs do Duke não precisam ficar muito eufóricos pois o filme não gira em torno do mais famoso cowboy da sétima arte. Na verdade seu personagem, Stony Brooke, é bem secundário. Quem for assistir a esse filme pensando em Wayne certamente se decepcionará por essa razão. No geral é um filme B, feito especialmente para matinês, muito curtinho e rápido que vai direto ao ponto. É um bangue-bangue tradicional, sem maiores surpresas. O roteiro ainda ensaia um pouco mais de capricho no que diz respeito ao personagem principal, um rancheiro que entra para o mundo do crime por necessidade, mas não vai muito adiante em relação a isso. Wayne surge com um figurino que lembra bastante o ídolo Tom Mix, com um enorme chapéu branco, além de roupas claras, impecáveis para quem vive no velho oeste americano. Enfim, coisas de Hollywood da época. Em suma, um faroeste da velha escola que mesmo sendo de rotina segue sendo lembrado por causa da presença do imortal John Wayne.
Pablo Aluísio.
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 12
A sinopse era bem simples: Um agente secreto do governo era enviado para prender uma gangue de falsificadores que operavam perto da fronteira mexicana. John Wayne interpretava esse agente especial chamado John Wyatt. Porém para não ser descoberto pelos bandidos ele chegava na distante cidade de fronteira usando o nome falso de John Rogers. No começo das filmagens ocorreu um fato engraçado. O roteirista queria usar o nome de John Wayne no próprio filme. Seria o nome usado do agente para despistar os falsificadores. Só que Wayne achou a ideia realmente péssima e mandou ele procurar por outro nome. "Essa é uma ideia estúpida!" - Disse o velho cowboy para o pobre roteirista. Ficou John Rogers mesmo.
No filme seguinte John Wayne voltou a trabalhar com o diretor Robert N. Bradbury. Nessa fase de sua carreira esse cineasta foi quem mais dirigiu Wayne em seus faroestes. É curioso que depois que Wayne foi para a Paramount e outros grandes estúdios de Hollywood trabalhar em filmes mais bem elaborados, ele não tenha pensado em levar esse velho parceiro, dos velhos tempos, para dirigir algum de seus novos filmes. De uma maneira ou outra eles trabalharam juntos com frequência - e trabalharam bem, produzindo bons filmes de matinês.
Essa nova produção se chamava "Da Derrota à Vitória" (Westward Ho). John Wayne interpretou basicamente o mesmo personagem do filme anterior, chamado John Wyatt. Só que agora seu objetivo era a vingança. No passado seu pai foi morto por criminosos. E seu irmão foi levado como réfem. Décadas depois Wayne reencontra seu irmão, agora já um homem adulto, em um trem rumo ao oeste. O problema é que ele não tem mais memórias do passado e está agora trabalhando ao lado dos mesmos bandidos que mataram seu pai. Com bom roteiro esse foi um dos faroestes mais interessantes dessa época na filmografia de John Wayne.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 6 de novembro de 2025
No Tempo das Diligências
O filme também tem todas as características que criaram a fama do cinema de John Ford. A produção foi rodada no cenário mais famoso de sua filmografia, o Monument Valley. Foi a primeira vez que Ford filmou no local e ficou tão fascinado pelo resultado na tela que resolveu voltar lá inúmeras vezes nos anos seguintes, como por exemplo, em "Paixão dos Fortes", "Sangue de Heróis", "Legião Invencível", "Caravana de Bravos", "Rio Bravo", "Rastros de Ódio", "Audazes e Malditos" a até mesmo em seu último faroeste, "Crepúsculo de Uma Raça". O personagem Ringo Kid foi escrito para ser estrelado inicialmente pelo ator Gary Cooper. Já a prostituta Dallas foi criada para ser interpretada pela famosa atriz Marlene Dietrich.
Curiosamente ambos foram descartados do projeto por não terem acertado um cachê adequado ao orçamento do filme. Ford assim escalou John Wayne e Claire Trevor para os personagens, algo que consideraria anos depois um grande acerto pois os dois estão muito bem em cena. Também visando economizar o diretor acabou contratando índios Navajos para a formação do bando Apache de Gerônimo. Tantas economias e cortes de custo acabou virando uma marca registrada da produção que apesar de ser bem simples e direta também é muito eficiente e marcante. Hoje "No Tempo das Diligências" é considerado um dos grandes clássicos do gênero western, de forma muito merecida aliás.
No Tempo das Diligências (Stagecoach, Estados Unidos, 1939) Direção: John Ford / Roteiro: Ernest Haycox, Dudley Nichols / Elenco: John Wayne, Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine, George Bancroft / Sinopse: Diligência com sete passageiros tenta atravessar uma região dominada pelo violento e hostil bando do famoso chefe Gerônimo. Vencedor do Oscar nas categorias de melhor ator coadjuvante (Thomas Mitchell) e melhor canção. Indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, diretor, direção de arte (Alexander Toluboff), fotografia em preto e branco (Bert Glennon) e Edição (Otho Lovering e Dorothy Spencer). Vencedor do prêmio de melhor direção (John Ford) pela associação dos críticos de cinema de Nova Iorque.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 11
domingo, 5 de outubro de 2025
Filmografia de John Wayne - Parte 1
sábado, 4 de outubro de 2025
John Wayne (1907–1979)
🕰️ Linha do Tempo – John Wayne (1907–1979)
1907 – Nascimento
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Nasce em 26 de maio de 1907, em Winterset, Iowa (EUA), com o nome Marion Robert Morrison.
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Ganha o apelido “Duke” (Duque), que o acompanharia por toda a vida.
Década de 1920 – Início no cinema
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Trabalha como figurante e assistente de estúdio na Fox Film.
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Começa a aparecer em pequenos papéis, principalmente em filmes mudos.
1930 – Primeira grande chance
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O diretor Raoul Walsh lhe dá o primeiro papel principal em A Grande Jornada (The Big Trail, 1930)*.
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O filme fracassa nas bilheteiras, mas marca sua estreia como protagonista.
Década de 1930 – Anos de aprendizado
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Atua em dezenas de western B, filmes de baixo orçamento que moldam sua imagem de herói do oeste.
1939 – O sucesso chega
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Estoura com o clássico “No Tempo das Diligências” (Stagecoach), dirigido por John Ford.
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Torna-se uma grande estrela de Hollywood.
Década de 1940 – Consolidação
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Atua em sucessos como:
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Rastros de Sangue (The Shepherd of the Hills, 1941)
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Fort Apache (1948)
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Rio Bravo (1948)
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Participa de filmes de guerra durante e após a Segunda Guerra Mundial, reforçando sua imagem patriótica.
Década de 1950 – O auge
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Trabalha em grandes produções de John Ford:
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Rio Grande (1950)
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Depois do Vendaval (The Quiet Man, 1952)
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Rastros de Ódio (The Searchers, 1956)* – considerado seu melhor desempenho dramático.
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Torna-se o ator mais popular dos Estados Unidos por vários anos seguidos.
Década de 1960 – Estrela madura
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Atua em Alamo (1960), que também dirige e produz.
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Outros sucessos: Hatari! (1962), Os Comancheros (1961) e Os Filhos de Katie Elder (1965).
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Em 1969, ganha o Oscar de Melhor Ator por Bravura Indômita (True Grit)*.
Década de 1970 – Últimos trabalhos
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Continua ativo, mesmo enfrentando sérios problemas de saúde.
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Destaques: O Último Pistoleiro (The Shootist, 1976)* – seu último filme, onde interpreta um pistoleiro moribundo, em uma clara metáfora de sua própria condição.
1979 – Morte
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Falece em 11 de junho de 1979, em Los Angeles, vítima de câncer.
1980 – Homenagem póstuma
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Recebe a Medalha de Ouro do Congresso dos EUA por sua contribuição ao cinema e à cultura americana.
🎬 Legado
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Mais de 170 filmes ao longo de 50 anos de carreira.
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Símbolo máximo do western clássico.
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Figura associada à coragem, honra e patriotismo.
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Ícone cultural que influenciou gerações de atores e cineastas.
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
A morte de John Wayne
A morte de John Wayne
John Wayne faleceu em 11 de junho de 1979, em Los Angeles, aos 72 anos, vítima de câncer.
Ele já havia enfrentado problemas graves de saúde antes: nos anos 1960, retirou um pulmão e duas costelas devido a um câncer de pulmão. Era fumante pesado, hábito que contribuiu muito para sua condição. Nos últimos anos, debilitado, lutou contra a doença até não resistir.
Foi sepultado no Pacific View Memorial Park, em Corona del Mar, Califórnia. Sua morte marcou profundamente o público norte-americano, que via nele um símbolo nacional.
O legado de John Wayne
O legado de John Wayne é vasto e ainda presente na cultura popular:
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Ícone do western: Atuou em mais de 170 filmes, consolidando a imagem do cowboy corajoso, moralmente firme e defensor da justiça. Filmes como No Tempo das Diligências (1939), Rastros de Ódio (1956) e Bravura Indômita (1969) – que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator – são marcos do gênero.
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Símbolo americano: Wayne foi visto como a personificação do espírito do "Velho Oeste" e dos valores tradicionais dos EUA, associado à bravura, independência e patriotismo.
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Influência cultural: Sua figura inspirou gerações de atores, diretores e até políticos. Até hoje, seu jeito de andar, falar e se portar é imitado e referenciado em filmes, séries e literatura.
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Reconhecimento: Em 1980, um ano após sua morte, o Congresso dos EUA concedeu-lhe a Medalha de Ouro do Congresso, uma das maiores honrarias civis do país.
👉 Em resumo: John Wayne morreu de câncer em 1979, mas deixou como legado a imagem eterna do cowboy e do herói americano, um dos maiores mitos do cinema clássico de Hollywood.
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 10
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 9
terça-feira, 2 de setembro de 2025
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 8
quinta-feira, 7 de agosto de 2025
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 7
O enredo era simples. John Wayne interpretava um cowboy chamado John Drury. Em uma cidade do velho oeste ele encontrava todos os tipos de gente, desde a mocinha romântica em perigo, até um grupo de bandoleiros sob ás ordens do manda chuva do lugar. Conforme podemos ver no poster original um destaque dessa fita era a presença do cavalo treinado Duke, um alazão muito bonito e forte, que acabou roubando várias cenas do próprio John Wayne. O curioso é que embora tenha se tornado um dos astros mais populares desse tipo de filme, ele nunca teria um cavalo ligado ao seu mito, como aconteceu por exemplo com Roy Rogers e Trigger. Ao invés disso preferiu deixar os animais de seus filmes em segundo plano, com exceção talvez única desse filme onde o "Duke" ganhou espaço até mesmo no cartaz da fita.
No filme seguinte, "A Grande Estirada" (The Big Stampede, Estados Unidos, 1932), John Wayne interpretou um xerife, John Steele. Em um lugar remoto no meio do deserto, sem homens para apoiá-lo na captura de um violento pistoleiro e sua quadrilha, ele se vê forçado a recrutar cowboys comuns, alguns até mesmo com histórico de prisão, para enfrentar os demais criminosos. Esse foi outro filme de Wayne na Warner Bros, outra fita rápida com apenas 54 minutos de duração. Com direção de Tenny Wright e roteiro escrito a partir do conto "The Land Beyond the Law" de Marion Jackson, o filme era mais um a ser exibido em matinês por cinemas em toda a América. A estratégia de lançamento desse tipo de produção era simples e lucrativa. Os filmes eram exibidos geralmente em sessões duplas, com outras produções, a preços promocionais. Baratos e altamente lucrativos, fizeram a fortuna de muitos produtores na época.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 4 de agosto de 2025
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 6
John Wayne se saiu tão bem na fita anterior que foi logo escalado para outro bang-bang de Tim McCoy. Esse segundo filme, também rodado e lançado em 1932 se chamava "A Lei da Coragem" (Two-Fisted Law). O roteiro era bem simples, mas movimentado e divertido. No centro da trama tínhamos um pacato rancheiro que acaba se vendo no meio de uma disputa por prata nas montanhas próximas de sua propriedade rural. Curiosamente nesse filme John Wayne usou o nome de Duke, que nomeava seu personagem e que também era o seu apelido pessoal, bem conhecido de todos que frequentavam sua recém comprada casa em Hollywood. O Duke do roteiro foi levado pelo próprio Duke, ou seja, ele mesmo, John Wayne.
Depois de dois filmes de western John Wayne resolveu variar um pouco aparecendo no drama esportivo "Homem de Peso" (Lady and Gent). Dirigido por Stephen Roberts essa produção foi a primeira da carreira de John Wayne a ser indicada a um Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original (indicação dada aos talentosos roteiristas Grover Jones e William Slavens McNutt). Wayne interpretava um boxeador chamado Buzz Kinney. Após concluir a escola ele entrava para o mundo dos ringues, mas logo descobria que se tornar um campeão não dependia apenas de seus talentos e golpes, mas também de um intenso jogo de interesses envolvendo apostadores e membros da máfia.
E por falar em bons roteiros, a fita seguinte de John Wayne chamada "O Expresso da Aventura" também era muito bem escrita. O enredo mostrava um trem, onde um crime era cometido. As suspeitas iam para um estranho assassino conhecido apenas como "The Wrecker". John Wayne, ainda bem jovem, interpretava Larry Baker, um investigador que chegava no trem para descobrir o verdadeiro assassino. Com ecos de Agatha Christie, o filme ainda hoje é admirado pelas boas doses de suspense.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 2 de julho de 2025
O Primeiro Rebelde
Título Original: Allegheny Uprising
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: William A. Seiter
Roteiro: P.J. Wolfson
Elenco: Claire Trevor, John Wayne, George Sanders, Brian Donlevy, Robert Barrat, Moroni Olsen
Sinopse:
A história do filme se passa antes da independência dos Estados Unidos. Em 1759, no Vale Allegheny, na Pensilvânia, colonos locais e combatentes indígenas tentam persuadir as autoridades britânicas a proibirem por meio da lei o comércio clandestino de álcool e armas com índios saqueadores da região.
Comentários:
Faroeste B rodado na RKO. John Wayne, ídolo das matinês dos filmes de western, estava prestes a fazer o primeiro grande filme de sua carreira chamado "No Tempo das Diligências". Importante explicar que esse western aqui foi filmado antes do grande clássico, mas só chegou nos cinemas depois, aproveitando todo o sucesso de público e crítica da obra-prima assinada por John Ford. De qualquer forma é bom explicar que não há nada de excepcional a se conferir nesse "O Primeiro Rebelde" a não ser algumas boas cenas de ação. No geral é mais uma produção em série das muitas que John Wayne filmou nessa fase de sua carreira. A fase dos grandes faroestes, clássicos imortais do cinema, só viria um pouco mais tarde em sua carreira.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 1 de julho de 2025
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 5
A diva Loretta Young seria a estrela do próximo filme de Wayne intitulado "Três Garotas Perdidas" (Three Lost Girls, 1931). Aqui John Wayne voltava aos personagens coadjuvantes nesse drama urbano sobre uma jovem mulher que se tornava vítima de um crime. Ela vinha do interior e alugava um pequeno apartamento para morar com outras duas jovens. Todas as suspeitas de autoria do crime apontavam para um arquiteto famoso que havia se envolvido com uma delas. John Wayne interpretava justamente o tal sujeito. Um filme que não teve muita repercussão, mas que serviu como aprendizado para o ator.
As coisas só melhoraram mesmo para Wayne no filme seguinte com "Estância de Guerra" (The Range Feud, 1931). Aqui ele retornava para os filmes de western nessa produção estrelada por Buck Jones, um ator que na época disputava o título de ator cowboy mais popular do cinema com Tom Mix, a quem Wayne procurava seguir os passos. O filme obviamente tinha um roteiro muito simples, com bandidos e mocinhos bem delimitados, o que era próprio para um faroeste de matinê. Depois dessa produção o ator chegou na conclusão que se continuasse a aparecer em papéis secundários jamais conseguiria atingir seus objetivos.
Por essa razão ele recusou várias propostas de trabalho que pareciam não colaborar muito para o avanço de sua carreira. O ator parecia firme no sentido de só aceitar novos filmes em que ele próprio fosse o protagonista. "Águia de Prata" (The Shadow of the Eagle, 1932) era o tipo de filme que ele procurava na época. Dirigido por Ford Beebe e produzido pelo estúdio Mascot Pictures, nessa película Wayne interpretava Craig McCoy, um piloto pioneiro, veterano da I Guerra Mundial, que decidia montar sua pequena companhia aérea. Aviador inteligente ele acabaria sendo o primeiro piloto da história a colocar um rádio de comunicação em sua aeronave. Um filme muito bom, com roteiro bem escrito e ótimas cenas de aviação. Justamente o que John Wayne estava buscando em sua carreira.
Pablo Aluísio.
sexta-feira, 6 de junho de 2025
O Vale do Paraíso
Título Original: Paradise Canyon
Ano de Produção: 1935
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: Carl Pierson
Roteiro: Lindsley Parsons, Robert Emmett Tansey
Elenco: John Wayne, Marion Burns, Reed Howes, Earle Hodgins, Gino Corrado, Yakima Canutt
Sinopse:
John Wyatt (John Wayne) é um agente do governo americano, devidamente disfarçado de cowboy, que vai até uma pequena cidade da fronteira para investigar uma quadrilha de falsificadores, especializados em falsficações de dinheiro e documentos federais. O chefe do bando de bandidos atende pelo nome de Curly Joe Gale (Yakima Canutt), um ex-coronel confederado que almeja destruir o governo da União. Seu desejo de vingança porém terá que passar por cima dos planos de Wyatt.
Comentários:
Os filmes mais antigos da carreira de John Wayne nem sempre são muito lembrados. Os cinéfilos esquecem que John Wayne já era extremamente popular nos anos 30, quando começou a atuar em uma série infindável de filmes de western em estúdios como a Republic. De fato o ator foi se transformando em um astro justamente por essa época. A grande maioria dessas fitas eram produções simples, baratas, de orçamentos bem modestos e pequenos, que rendiam verdadeiras fortunas nas matinês de fim de semana. O público alvo era mesmo os mais jovens, a garotada. Por isso os filmes eram também de curta duração (esse aqui, "Paradise Canyon", por exemplo, só tinha 52 minutos de duração, incluindo os créditos!). John Wayne nessa época fazia uma linha que lembrava o maior ídolo do cinema de bang-bang: Tom Mix! Isso mesmo, o ator procurava seguir os passos de Mix, tanto na caracterização de seus personagens, como também nos figurinos. Wayne surgia em cena com enormes chapéus brancos que era uma das marcas registradas justamente do astro máximo Tom Mix. Curiosamente o tempo faria com que Mix fosse esquecido, enquanto John Wayne se transformaria no mito que todos conhecemos. O roteiro, como era de se esperar, era bem básico, o que não significava que fosse ruim, muito pelo contrário, era apenas característico daqueles tempos distantes e inocentes do cinema americano, onde a diversão era o mais importante de tudo em um filme. Sob esse ponto de vista conseguiram certamente chegar no que queriam."O Vale do Paraíso" é pura diversão pipoca!
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 5 de junho de 2025
Sob o Sol do Arizona
Título Original: Neath the Arizona Skies
Ano de Produção: 1934
País: Estados Unidos
Estúdio: Paul Malvern Productions
Direção: Harry L. Fraser
Roteiro: Burl R. Tuttle
Elenco: John Wayne, Sheila Terry, Shirley Jean Rickert
Sinopse:
Chris Morrell (John Wayne) é um cowboy durão que de repente se vê na incumbência de cuidar de uma garotinha mestiça que se encontra abandonada. Chris tem esperanças de encontrar seu pai, que dizem viver nas montanhas, mas enquanto isso não acontece tem que deixar a menina a salvo de malfeitores que descobrem que ela é na verdade a herdeira não reconhecida de uma rica mulher branca que morreu na região.
Comentários:
Uma produção rodada ainda na primeira fase da carreira do mito John Wayne. Apesar de bastante jovem o ator já mostrava seu grande carisma, numa caracterização que se tornaria típica em sua carreira nos anos que viriam, a do durão de bom coração. Aqui Wayne tem o desafio de contracenar com uma simpática - e muito talentosa - atriz mirim. Muitos anos depois Wayne citaria o filme como uma prova de que ele havia atuado ao lado de uma criança e mesmo assim ainda conseguia chamar a atenção do público para si. Em tempos de Shirley Temple era realmente uma façanha e tanto. Apesar de ser um bangue-bangue bem na média do que era produzido em massa pelos estúdios naquela época, o filme ainda consegue crescer bastante em seu terço final quando um clima de suspense e tensão se impõe na história. Em suma, uma bela pedida para conferir o grande Wayne no alvorecer de sua maravilhosa carreira.
Pablo Aluísio
terça-feira, 3 de junho de 2025
Para Lá da Estrada
Título Original: The Trail Beyond
Ano de Produção: 1934
País: Estados Unidos
Estúdio: Paul Malvern Productions
Direção: Robert N. Bradbury
Roteiro: Lindsley Parsons
Elenco: John Wayne, Noah Beery, Verna Hillie, Robert Frazer, James A. Marcus, Earl Dwire
Sinopse:
Com roteiro baseado no livro "The Wolf Hunters" de James Oliver Curwood, esse western conta a estória de Rod Drew (John Wayne), um cowboy e explorador que é enviado para minas distantes nas montanhas para localizar e encontrar um mineiro desaparecido e sua filha. Chegando lá ele descobre que o homem que procura provavelmente encontrou um importante veio de ouro e que por essa razão muito foi morto por aqueles que queriam a localização dessa fortuna em minerais. Caberá a Drew descobrir o que de fato se passou naquela região distante e esquecida.
Comentários:
Mais um faroeste dos primeiros anos da carreira do mito John Wayne. Aqui o roteiro não se contentava em apenas contar uma estória típica de bandidos e mocinhos, tiroteios e duelos, mas também em desvendar um segredo: quem teria matado o mineiro que o personagem de John Wayne teria ido resgatar? O roteiro, como era de supor, daria margem a uma boa história de detetive, assassinatos e suspense, porém como se trata de uma fita curtinha (meros 55 minutos de duração!) não havia mesmo como ir muito adiante. Assim tudo é resolvido de forma muito rápida, sem muita sofisticação ou mistério. Curiosamente o livro que deu origem ao filme, "The Wolf Hunters" (em tradução livre: "Caçadores de Lobos"), é bem mais rico nesse aspecto. Aliás esse roteiro poderia ter sido aproveitado por Wayne anos depois, quando nos anos 50 ele já estrelava filmes mais bem elaborados e bem produzidos. O ator inclusive adquiriou os direitos de adaptação dessa estória para filmar depois, mas curiosamente nunca o fez. Dizem algumas biografias que ele nunca chegou a gostar de nenhum roteiro adaptado do livro, fazendo com que uma nova versão jamais fosse feita. Uma pena.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 2 de junho de 2025
A Ferro e Fogo
Título Original: Randy Rides Alone
Ano de Produção: 1934
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: Harry L. Fraser
Roteiro: Lindsley Parsons
Elenco: John Wayne, Alberta Vaughn, George 'Gabby' Hayes
Sinopse:
Randy Bowers (John Wayne) é um cowboy honesto que é preso por crimes que nunca cometeu. Com a ajuda de Sally Rogers (Alberta Vaughn) ele finalmente consegue fugir da prisão. Uma vez solto, começa a ser caçado pelo xerife local. Em fuga acaba parando em um esconderijo de uma quadrilha de renegados. Seu plano agora é provar sua inocência ao mesmo tempo em que procura descobrir quem é o verdadeiro criminoso.
Comentários:
Western estrelado por John Wayne na Republic Pictures. Como muitas outras fitas de Wayne nos anos 1930 essa aqui também é um faroeste de matinê, com meros 53 minutos de duração - o que o qualifica como um média-metragem. Esses pequenos e curtos filmes faziam muito sucesso, principalmente entre a garotada que adorava filmes passados no velho oeste americano. A produção é modesta, tem cenários simples, com figurinos de época no padrão geral que imperava dentro desse tipo de filme. O que se destaca mesmo são as cenas externas, rodadas em um rochedo em Santa Clarita, na Califórnia. Outro ponto digno de observação vem do próprio figurino de John Wayne. Ele se apresenta com uma roupa muito semelhante à de Tom Mix, o mais famoso cowboy dos primórdios do cinema americano. Enfim, como diversão pura, "Randy Rides Alone" vale bastante a pena.
Pablo Aluísio.
domingo, 1 de junho de 2025
Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 4
O importante nem era tanto aceitar filmes pensando em um futuro na carreira, mas sim trabalhar, atuar no que vinha pela frente. Ter o dinheiro para morar e viver em Los Angeles, mesmo que modestamente, já era uma vitória para o jovem ator. Ele que havia sido criado numa fazendo de criação de cavalos já tinha a experiência de montaria necessária para atuar em qualquer cena de western.
O que faltava para John Wayne nesse longo período, que durou praticamente toda a década de 1920, era uma chance de se destacar no elenco e chamar a atenção do público. Ao invés disso porém nos anos 20 o ator foi fazendo uma sucessão de filmes sem muita importância. Curiosamente ele chegou a atuar nesse tempo até mesmo em filmes bíblicos como "A Arca de Noé" de 1928. Infelizmente muitas dessas fitas antigas se perderam porque as películas eram altamente inflamáveis e expostas ao calor pegavam fogo. Como os estúdios na época não tinham maiores preocupações em preservar os filmes depois deles terem sido exibidos muita coisa se perdeu com o tempo.
A grande virada em sua carreira aconteceria apenas em 1930 quando ele, pela primeira vez, interpretaria um personagem de destaque, inclusive com nome. Na maioria dos filmes anteriores John Wayne interpretava tipos que sequer tinham nomes nos roteiros. Ele era identificado apenas como o Extra 1 ou o Extra 2, ou então nem era creditado. Já em "A Grande Jornada" ele interpretava finalmente um cowboy que tinha nome e sobrenome. Seu personagem se chamava Breck Coleman. Outra novidade importante: Wayne era o principal nome do elenco, o astro do filme! Dirigido pelo grande cineasta da história de Hollywood, o mestre Raoul Walsh, ele tinha a primeira grande chance em quatro anos amargando papéis sem importância em Hollywood.
Pablo Aluísio.




















