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terça-feira, 18 de agosto de 2026

O Romântico Defensor

O Romântico Defensor
Cole Armin (Randolph Scott) é um cowboy texano que vai até a cidade de Albuquerque para trabalhar ao lado de seu tio, John Armin (George Cleveland). um bem sucedido homem de negócios na região. Durante a viagem a diligência onde se encontra é assaltada por uma quadrilha de bandidos. Quando finalmente chega em seu destino acaba descobrindo que seu tio John teve participação no roubo. Em pouco tempo tio e sobrinho entram em choque por causa do crime ocorrido, ficando em lados opostos da lei. "Albuquerque" é um western ao velho estilo onde tudo funciona muito bem. O roteiro é caprichado, bem desenvolvido, criando situações ora mais dramáticas, ora mais bem humoradas. O lado romântico também não é deixado de lado e aqui Randolph Scott corteja a mocinha Celia Wallace (Catherine Craig). O elenco de apoio é excepcionalmente bom com destaque para George Cleveland como o tio Armin, um vilão mais cerebral do que visceral (tanto que não pega em armas, apenas planeja de longe formas de prejudicar o seu sobrinho). George 'Gabby' Hayes, um veterano nas telas com quase 200 filmes também está excelente como Juke, um velho barbudo e ranzinza que trabalha para o personagem de Randolph Scott. Ele funciona muito bem como alívio cômico dentro da trama.

"Albuquerque" ficou muito conhecido pelo público americano por causa das inúmeras reprises televisivas ao longo de todos esses anos. Na década de 50 a Paramount, produtora do filme, negociou com a Universal a venda dos direitos autorais de mais de 700 faroestes, todos para serem exibidos no canal NBC no período vespertino. "Albuquerque" fazia parte desse pacote. Passando constantemente na TV norte-americana o filme foi criando uma espécie de intimidade com o público, se tornando uma obra muito conhecida e querida entre os fãs americanos de western. Até no Brasil o filme também foi bem reprisado nos primórdios da TV brasileira. Por aqui quando em sua exibição na extinta TV Tupi a produção recebeu o título pomposo de "O Romântico Defensor". Enfim é isso. "Albuquerque" certamente tem todos os ingredientes que fazem um bom western. Além disso seu clima nostálgico é completamente irresistível. Um faroeste dos bons que merece ser conhecido pelos fãs do gênero.

O Romântico Defensor (Albuquerque, EUA, 1948) Direção: Ray Enright / Roteiro: Gene Lewis baseado no romance "Dead Freight for Piute", de Luke Short / Elenco: Randolph Scott, Barbara Britton, George 'Gabby' Hayes, Lon Chaney Jr, Catherine Craig, George Cleveland / Sinopse: Cole Armin (Randolph Scott) é um cowboy texano que vai até a cidade de Albuquerque para trabalhar ao lado de seu tio, John Armin (George Cleveland). um bem sucedido homem de negócios na região. Durante a viagem a diligência onde se encontra é assaltada por uma quadrilha de bandidos. Quando finalmente chega em seu destino acaba descobrindo que seu tio John teve participação no roubo. Em pouco tempo tio e sobrinho entram em choque por causa do crime ocorrido, ficando em lados opostos da lei.

Pablo Aluísio.

Rua dos Conflitos

Título no Brasil: Rua dos Conflitos
Título Original: Abilene Town
Ano de Produção: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Edwin L. Marin
Roteiro: Ernest Haycox, Harold Shumate
Elenco: Randolph Scott, Ann Dvorak, Edgar Buchanan, Rhonda Fleming, Lloyd Bridges
  
Sinopse:
1870. A guerra civil deixa rastros de morte e destruição por toda a nação norte-americana. Em Abilene (uma conhecida cidade do velho oeste, famosa por suas belas planícies) o xerife Dan Mitchell (Randolph Scott) tenta colocar ordem e justiça pelas vastas terras da região. O lugar passa por um conflito violento envolvendo colonos e criadores de gado que decidem contratar pistoleiros violentos para impor seu ponto de vista a todos os moradores da cidade.

Comentários:
Um filme estrelado pelo astro do western Randolph Scott atuando como um bravo e honesto xerife do velho oeste já é um bom motivo para se assistir. Some-se a isso o bom roteiro e o elenco de apoio acima da média (que conta inclusive com um jovem Lloyd Bridges como o líder dos colonos) e você terá no mínimo uma boa diversão. Não é uma grande produção, na verdade foi um faroeste de orçamento mediano bancado pela United Artists. O estilo procura ser o de diversão familiar, sem muita violência ou cenas de impacto. Um filme tipicamente produzido para as matinês de cinema que faziam grande sucesso na década de 1940. Há um pouco de romance, com o personagem de Scott disputando o coração de duas mulheres, a garota de um saloon (interpretada por Ann Dvorak) e a de uma jovem mocinha, Rhonda Fleming (bem carismática e diria até encantadora). Enquanto o xerife luta contra os bandidos ainda há espaço para um pouco de música, com um bom número musical a cargo da atriz Ann Dvorak. Tudo um tanto leve e ameno. Essa cidade de Abilene sempre surgia em filmes de faroeste porque historicamente ela foi um centro de carga e descarga de grandes carregamentos de gado. Depois que as manadas eram enviadas para todo o país (em vagões de trem), os cowboys, pistoleiros e todos os tipos violentos que povoavam o oeste americano ficavam na cidade, pelos saloons, causando todos os tipos de confusões. Ser xerife de um lugar assim definitivamente não era algo fácil. O diretor Edwin L. Marin trabalhou em vários filmes ao lado de Randolph Scott e morreu precocemente, com apenas 52 anos de idade. Uma perda lamentada muito pelo ator que perdeu um de seus mais leais colegas de trabalho.

Pablo Aluísio.

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 10

Depois do sucesso comercial de "O Último dos Moicanos" o ator Randolph Scott deu um tempo nas fitas de faroeste. E isso surpreendeu muita gente já que todos esperavam que ele iria cair com tudo no gênero para aproveitar o sucesso. Apenas algum tempo depois é que ele voltaria a usar chapéu de cowboy, botas e esporas para montar seu belo cavalo branco. Isso voltaria a acontecer em "A Heroína do Texas" (The Texans), boa produção dirigida pelo cineasta  James P. Hogan. O que chamava bastante a atenção aqui é que todas as atenções do roteiro iam para a mocinha do filme e não para o herói. Algo raro em um estilo cinematográfico tão voltado para o público masculino. Era algo novo e inovador, algo que poucos tinham feito em Hollywood naquele período histórico do cinema americano.

A estrelinha do filme, a atriz Joan Bennett, foi até mesmo creditada na frente do astro Randolph Scott. isso mostrava também como ele poderia ser generoso com as colegas de profisssão. Ele vinha de um sucesso de bilheteria e poderia muito bem calçar seu ego de astro de western em Hollywood e exigir seu nome em primeiro lugar nos créditos do filme. Porém não fez isso. Foi bem humilde e companheiro, sendo usado até mesmo como escada da jovem atriz. A sinopse era padrão: "Após a Guerra Civil, um ex-soldado confederado enfrentava novas batalhas, incluindo os membros de uma quadrilha de bandidos que tentavam roubar uma jovem indefesa".

Após esse filme Scott atuou em um drama chamado "Almas sem Rumo". Um bom filme, mas também um pouco cheio de clichês melodramáticos típicos daquele período. Isso porém logo foi esquecido porque ele voltaria ao velho oeste em um grande clássico do cinema, "Jesse James". Esse é considerado um dos melhores filmes de western já feitos. Dirigido pelo ótimo Henry King, trazendo um excelente elenco que contava com Tyrone Power e Henry Fonda como os irmãos foras-da-lei James, esse é um daqueles filmes que até hoje são debatidos e reprisados por fãs de faroeste clássico em sua era de ouro.

Em uma produção com tantos astros e estrelas, Randolph Scott acabou sendo escalado para um personagem secundário, porém não menos importante. Will Wright. Porém o mais importante desse filme é que o ator percebeu que o segredo para fazer fortuna em Hollywood era produzir seus próprios filmes. Ele teve a ideia, justamente nesse set de filmagens, de começar a ele mesmo produzir uma série de filmes de cowboy, algo que o tornaria um dos atores mais ricos de Hollywood nos anos seguintes.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Os Astros: Randolph Scott

Os Astros: Randolph Scott
Randolph Scott foi um dos maiores nomes do cinema western clássico e tornou-se um símbolo das produções de faroeste produzidas por Hollywood entre as décadas de 1930 e 1960. Nascido em 1898, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, Scott inicialmente não planejava seguir carreira artística. Durante a juventude, trabalhou em diversas atividades e serviu no Exército americano durante a Primeira Guerra Mundial. Posteriormente, mudou-se para a Califórnia, onde acabou entrando em contato com a indústria cinematográfica que crescia rapidamente em Hollywood. Alto, elegante e dono de forte presença física, Randolph Scott chamou atenção dos produtores de cinema e começou a conquistar pequenos papéis nos anos finais do cinema mudo. Sua aparência clássica de herói americano logo o transformou em ator ideal para filmes de aventura e westerns. Durante os primeiros anos da carreira, trabalhou ao lado de grandes estrelas da época e participou de produções de diversos gêneros antes de se especializar definitivamente no faroeste. Scott desenvolveu uma imagem de homem honesto, corajoso e silencioso, características que se tornariam marcas registradas de seus personagens. Ao longo de mais de três décadas de carreira, ele ajudou a consolidar a popularidade do western como um dos gêneros mais importantes do cinema americano.

Nos anos 1930 e 1940, Randolph Scott tornou-se presença constante em produções de faroeste produzidas pelos grandes estúdios de Hollywood. Filmes como Jesse James, Virginia City e The Desperadoes ajudaram a fortalecer sua reputação junto ao público. Scott possuía um estilo de atuação mais contido do que outros astros da época, transmitindo autoridade e serenidade mesmo nos momentos de maior tensão dramática. Seu jeito calmo diante do perigo combinava perfeitamente com os heróis do Velho Oeste retratados no cinema clássico americano. Ao contrário de personagens exageradamente explosivos, seus protagonistas geralmente demonstravam firmeza moral e senso de justiça. Randolph Scott também trabalhou ao lado de importantes diretores e atores do período dourado de Hollywood. Embora tenha participado de filmes de guerra, aventuras e dramas, foi no western que encontrou seu verdadeiro espaço artístico. O público passou a associar imediatamente sua imagem aos vastos desertos, cidades fronteiriças e confrontos armados típicos do Oeste americano. Sua popularidade cresceu especialmente entre espectadores que admiravam histórias de coragem, honra e individualismo. Scott transformou-se em um dos rostos mais reconhecidos do gênero western durante os anos de ouro do cinema americano.

A fase mais elogiada da carreira de Randolph Scott ocorreu durante os anos 1950, quando ele realizou uma série de westerns considerados clássicos ao lado do diretor Budd Boetticher. Essa parceria produziu filmes extremamente respeitados pelos críticos e admirados até hoje pelos fãs do gênero. Obras como Ride Lonesome, Seven Men from Now e Comanche Station apresentavam narrativas mais psicológicas e personagens moralmente complexos. Nesses filmes, Scott interpretava homens experientes, marcados pelo passado e frequentemente movidos por vingança, dever ou solidão. A parceria entre ator e diretor ficou conhecida pela atmosfera seca, pelos diálogos econômicos e pelas paisagens grandiosas do Oeste americano. Muitos historiadores do cinema consideram esses trabalhos alguns dos melhores westerns já produzidos. Randolph Scott conseguia transmitir profundidade emocional com poucos gestos e expressões discretas, algo que aumentava ainda mais o impacto de seus personagens. Sua figura elegante montando cavalos em cenários desérticos tornou-se uma das imagens mais clássicas do western americano. Esses filmes influenciaram diretamente gerações posteriores de diretores e atores especializados no gênero.

Apesar da enorme fama nas telas, Randolph Scott sempre manteve vida pessoal relativamente discreta em comparação com outras celebridades de Hollywood. Diferentemente de muitos astros do período, evitava escândalos públicos e raramente aparecia envolvido em grandes polêmicas da imprensa. Durante muitos anos, existiram rumores e especulações sobre sua vida privada, especialmente devido à amizade extremamente próxima com o ator Cary Grant, com quem dividiu residência durante parte da juventude em Hollywood. Entretanto, Scott preferia manter sua intimidade distante dos holofotes. Além do cinema, demonstrou grande habilidade como investidor e homem de negócios, acumulando fortuna considerável fora das telas. Essa independência financeira permitiu que escolhesse seus projetos com maior liberdade ao longo da carreira. Nos anos finais como ator, Randolph Scott passou a reduzir gradualmente sua participação no cinema, encerrando sua trajetória artística no início da década de 1960. Seu último filme foi Ride the High Country, dirigido por Sam Peckinpah, considerado uma despedida simbólica da era clássica do western. A produção tornou-se um marco importante na transição entre os westerns tradicionais e os filmes mais violentos e realistas que surgiriam posteriormente. Scott aposentou-se do cinema mantendo enorme respeito dentro da indústria.

Randolph Scott faleceu em 1987, aos 89 anos, deixando um legado profundamente ligado à imagem clássica do cowboy do cinema americano. Sua carreira atravessou importantes transformações em Hollywood, desde o cinema em preto e branco até o surgimento das produções modernas dos anos 1960. Embora nunca tenha recebido prêmios importantes como o Oscar, Scott conquistou reconhecimento duradouro entre críticos, historiadores e admiradores do western. Seu estilo sóbrio e elegante ajudou a definir o arquétipo do herói silencioso que influenciaria diversos atores posteriores, incluindo nomes famosos do faroeste italiano e do cinema de ação americano. Muitos de seus filmes continuam sendo exibidos em canais especializados e estudados por fãs do gênero western. Randolph Scott representava valores tradicionais frequentemente associados ao Velho Oeste cinematográfico, como honra, coragem, disciplina e independência. Sua presença nas telas transmitia autoridade natural sem necessidade de exageros dramáticos. Até hoje, ele permanece como uma das figuras mais respeitadas da história do faroeste hollywoodiano. Sua contribuição para o cinema ajudou a transformar o western em um dos gêneros mais populares e influentes do século XX. O nome de Randolph Scott continua eternamente ligado à era dourada dos grandes cowboys de Hollywood.

Império da Desordem

Título no Brasil: Império da Desordem
Título Original: The Desperadoes
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Charles Vidor
Roteiro: Robert Carson
Elenco: Randolph Scott, Glenn Ford, Claire Trevor, Evelyn Keyes, Edgar Buchanan

Sinopse:
O filme The Desperadoes acompanha o xerife Cheyenne Rogers, responsável por manter a ordem em uma cidade do Velho Oeste aparentemente tranquila. Seu antigo amigo, o fora da lei Johnny Corral, chega à região planejando um grande assalto a banco junto de sua quadrilha. Dividido entre a amizade e o dever, o xerife tenta impedir que Corral mergulhe ainda mais no crime, enquanto a tensão entre os dois cresce rumo a um inevitável confronto. Em meio a perseguições, tiroteios e rivalidades, a cidade torna-se palco de disputas entre justiça e lealdade pessoal.

Comentários:
The Desperadoes é lembrado como o primeiro faroeste produzido pela Columbia Pictures em Technicolor, algo que ajudou a destacar visualmente a produção em uma época dominada por westerns em preto e branco. O filme reúne dois importantes nomes do gênero: Randolph Scott, símbolo clássico do herói honrado do Oeste, e Glenn Ford, ainda em ascensão na carreira. A direção de Charles Vidor combina ação, humor e romance de maneira leve e acessível. Embora siga fórmulas tradicionais do western da época, o filme permanece como uma produção divertida e importante dentro da evolução visual dos faroestes hollywoodianos dos anos 1940.

Erick Steve. 

A Bela do Yukon

A Bela do Yukon
Poucos conhecem esse filme de Randolph Scott. É interessante relembrar que Scott não atuou apenas em faroestes ao longo da carreira. Ele também se saiu muito bem nos chamados "filmes de champagne" (como os críticos da época costumavam dizer). Essas eram produções mais refinadas, geralmente passadas na alta classe, com roteiros românticos, mas ao mesmo tempo leves. Uma espécie de novela do antigo cinema americano. Pois bem, aqui há a fusão desses dois estilos: o western e a trama mais sofisticada. O personagem central nem é o interpretado por Randolph Scott. Ele é o dono da casa de shows de variedades de uma cidadezinha do velho oeste. Ele chegou nesse lugar depois de ter problemas legais em Seattle. Com fama de trambiqueiro acabou precisando ir embora. Na nova cidade acabou se dando bem, montando seu saloon que também funcionava como cassino e casa de shows com muitas garotas dançando ao estilo francês.

Uma delas é Belle De Valle (Gypsy Rose Lee); No começo ela finge não conhecer Honest John Calhoun (Randolph Scott), mas na verdade são velhos conhecidos, mais do que isso, amantes de outros tempos. O roteiro assim vai se desenvolvendo, mostrando vários números musicais e um ou outro momento de ação. Não há tiroteios ou duelos. Logo no começo do filme vem um aviso muito bem humorado informando aos espectadores que aquele não seria um faroeste de tiros e perseguições a cavalo. É na verdade até mesmo uma comédia de costumes, mostrando a vida nessa cidadezinha. O mais divertido é que em determinado ponto o personagem de Randolph Scott resolve abrir um banco na cidade! Logo ele que sempre foi acusado de enganar os outros em seu passado! O absurdo vem depois quando sua agência é assaltada por ninguém menos do que o próprio xerife da cidade! Tudo bem divertido. No geral é um filme de que gostei bastante. A produção não é classe A porque o filme foi rodado durante a II Guerra e os estúdios já não tinham os mesmos recursos de antes, mas nada consegue atrapalhar esse filme champagne saboroso passado no velho oeste americano.

A Bela do Yukon (Belle of the Yukon, Estados Unidos, 1944) Direção: William A. Seiter / Roteiro: Houston Branch, James Edward Grant / Elenco: Randolph Scott, Gypsy Rose Lee, Dinah Shore / Sinopse: Randolph Scott interpreta um cowboy que resolve dar no pé de sua cidade Seattle após alguns problemas com a lei. Ele é considerado um sujeito pouco honesto, dado a pequenos tranbiques. Na nova cidade ele resolve montar uma casa de shows e variedades, assumindo uma nova identidade, Honest John Calhoun. Tudo caminha bem até a chegada da bailarina Belle De Valle (Gypsy Rose Lee) que conhece muito bem o passado nada lisonjeiro e honesto de Calhoun. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Música original ("Sleighride in July" de Jimmy Van Heusen e Johnny Burke) e Melhor Trilha Incidental (Arthur Lange).

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 9

Quatro anos antes do clássico "E O Vento Levou" chegar nas telas de cinema o ator Randolph Scott estrelou em um filme muito parecido com aquele dirigido por Fleming. Se tratava de "Noivado na Guerra" (So Red the Rose), um romance épico passado durante a guerra civil dos Estados Unidos. Scott era esse homem comum, com planos para se casar, ter filhos e morar em seu rancho, que via todos os seus planos de vida irem para o buraco com a eclosão de um dos conflitos armados mais sanguinários da história daquela nação.

A produção requintada e caprichada chamava bem a atenção. O próprio Randolph Scott dizia a todos que esse era até aquele momento seu filme mais bem realizado. Só que infelizmente com a chegada de "E O Vento Levou" alguns anos depois, ninguém mais iria se lembrar desse primeiro filme. "Quando eu assisti ao filme de Clark Gable me lembrei imediatamente do meu, mas aí já era tarde demais!" - Brincaria o ator durante uma entrevista.

Bem menos pretensioso foi o filme posterior de Scott. Era uma crônica social sobre costumes da época chamado de "Escândalo na Aldeia" (Village Tale). O enredo se passava todo dentro de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde praticamente todos os moradores se conheciam. Randolph Scott era o jovem rapaz que começava a virar alvo de fofocas dentro da cidadela. Os boatos diziam que ele estava envolvido com uma mulher mais velha e casada. Imagine então os problemas vindos de uma fofoca maldosa como essa. Foi um bom filme, mas com resultado comercial apenas modesto.

Os fãs do ator queriam ver mesmo eram índios, lutas, tiroteios, duelos e cavalos. Assim Scott voltou ao velho oeste no grande sucesso "O Último dos Moicanos" (The Last of the Mohicans). O filme surpreendeu se tornando uma das maiores bilheterias do ano. Também caiu nas graças da crítica, chegando a ter três indicações ao Oscar, um feito e tanto. A história se passava durante a colonização pioneira dos Estados Unidos. Scott com figurino de Daniel Boone enfrentava os perigos daquelas terras desconhecidas. Uma das maiores ameaças vinha justamente dos nativos conhecidos como moicanos, com seus penteados bem característicos (imitados pelos punks séculos depois) e uma fúria violenta contra o homem branco que vinha para invadir suas terras.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 12 de março de 2026

A Formosa Bandida

Título no Brasil: A Formosa Bandida
Título Original: Belle Starr
Ano de Lançamento: 1941
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Irving Cummings
Roteiro: Niven Busch, Lamar Trotti
Elenco: Gene Tierney, Randolph Scott, Dana Andrews, George Sanders, Elizabeth Patterson, Chill Wills

Sinopse:
Inspirado na figura histórica da lendária fora-da-lei do Velho Oeste, o filme narra a história de Belle Starr, uma jovem sulista que vê sua vida transformada pela Guerra Civil Americana. Após a derrota do sul e a destruição de sua família e de suas terras, Belle passa a nutrir um profundo ressentimento contra os vencedores do conflito. Determinada a lutar contra o novo domínio político e militar imposto na região, ela se envolve com guerrilheiros e fora-da-lei que resistem às autoridades federais. Durante esse período turbulento, Belle se aproxima do rebelde e carismático Sam Starr, interpretado por Randolph Scott, com quem compartilha tanto a luta quanto um romance marcado por perigo e paixão. A narrativa mistura romance, aventura e drama histórico ao retratar uma mulher que se torna uma figura lendária do Oeste americano.

Comentários:
Quando foi lançado em 1941, Belle Starr recebeu atenção moderada da crítica e do público. O jornal The New York Times destacou o charme e a presença de Gene Tierney em um de seus primeiros papéis importantes no cinema, elogiando também a atmosfera de aventura do filme. A revista Variety observou que a produção combinava elementos de drama histórico e western romântico, ressaltando o desempenho sólido de Randolph Scott, que já era um rosto conhecido do gênero. Comercialmente, o filme teve desempenho razoável nas bilheterias e ajudou a consolidar a carreira de Gene Tierney em Hollywood. Embora não seja considerado um dos grandes clássicos do western, Belle Starr permanece como uma curiosidade interessante dentro da filmografia de Randolph Scott e como um dos primeiros papéis marcantes de Tierney. Hoje o filme é lembrado principalmente por sua tentativa de romantizar a figura histórica da famosa fora-da-lei e por representar o estilo de produções de western histórico que Hollywood produziu no início da década de 1940.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 8

Randolph Scott surgiu nos cinemas com seu novo filme intitulado "Perigo à Frente". Era um western, gênero pelo qual ele ia ficando cada vez mais afeiçoado, não apenas pelas boas bilheterias, mas também pela excelente receptividade que vinha da crítica. O ator tinha mesmo o porte e o visual perfeito para filmes do velho oeste e ele pareceu entender bem isso na época. Esse filme foi todo rodado no rancho que servia de estúdio para a Paramount Pictures. Um lugar bonito, espaçoso, onde uma equipe de cinema tinha toda a estrutura adequada para trabalhar.

O curioso é que o roteiro trazia um enredo que se passava no Alasca, envolvendo dois homens e uma mulher numa aventura que envolvia minas, bandidos e tiroteios. Mesmo não sendo o lugar perfeito para reproduzir o Alasca nevado, do frio intenso, os técnicos do filme deram um jeito para tornar tudo crível. A direção desse faroeste foi entregue pela Paramount a Arthur Jacobson, veterano do cinema mudo. O roteiro era novamente baseado em um conto escrito por Zane Grey, autor bastante popular naquela década, a ponto inclusive do poster do filme trazer seu nome em destaque.

É interessante notar que nesse ano de 1935 o ator realizou poucos filmes. Ele havia sofrido uma queda de cavalo que o deixou fora de combate por alguns meses. Quando finalmente viu que estava bem novamente escolheu um filme mais ameno para atuar. Nada de cavalos ou perseguições perigosas pelo deserto do Arizona. Assim Scott surgiu no romance dançante estilo "champagne e bolhas" intitulado "Nas Águas da Esquadra". Embora o título do filme leve muita gente a pensar que se tratava de um filme de guerra com a marinha americana, ele era na realidade um musical, com muita dança e números coreografados. Randolph Scott não era a estrela da fita, mas sim o inesquecível casal formado por Fred Astaire e Ginger Rogers.

O ator só voltaria a montar um cavalo e vestir suas roupas de cowboy no faroeste "O Inválido Poderoso" (Rocky Mountain Mystery). Mais uma adaptação de um livro de western assinado por Zane Grey. Em algumas cenas Randolph Scott surgia mancando o que levou o diretor Charles Barton a lhe perguntar se estava tudo bem, tudo OK. O ator disse que não havia problemas, que eles deveriam continuar a rodar o filme. A história girava em torno do assassinato de vários herdeiros de uma rica mina no Texas. Cabia a Scott tentar desvendar o mistério. Bom filme, valorizado por uma bonita fotografia em preto e branco. Além disso o tal mistério envolvendo os crimes mantinha o espectador interessado até o final do filme.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Conquistadores do Oeste

Título no Brasil: Conquistadores do Oeste
Título Original: Western Union
Ano de Lançamento: 1941
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Fritz Lang
Roteiro: Lamar Trotti
Elenco: Robert Young, Randolph Scott, Dean Jagger, Virginia Gilmore, John Carradine, Slim Summerville

Sinopse:
Ambientado no Velho Oeste durante a expansão das comunicações nos Estados Unidos, o filme acompanha a construção da linha telegráfica da Western Union através de territórios perigosos. Entre ataques indígenas, conflitos internos e desafios naturais, trabalhadores e aventureiros arriscam suas vidas para conectar o país por meio da nova tecnologia. No centro da história está um homem tentando redimir seu passado criminoso enquanto luta por um futuro melhor e por um romance improvável.

Comentários:
Uma parceria improvável reunindo Randolph Scott e o diretor Fritz Lang. Esse cineasta se notabilizou por seu elegante cinema noir, ou seja, nada tendo a ver com filmes de faroeste. De qualquer maneira, naqueles tempos, os grandes estúdios não estavam muito interessados nisso. Um diretor contratado tinha que dirigir os filmes que eram determinados pelos grandes chefões. Então temos aqui Lang dirigindo um western bem americano! Para quem havia dirigido filmes como Metrópolis e M – O Vampiro de Düsseldorf, não poderia haver nada mais diferente para dirigir! O saldo porém foi muito positivo. O filme apresenta uma fotografia em Technicolor berrante, incomum para muitos faroestes do início dos anos 1940. Além disso mistura elementos de aventura histórica, romance e ação, além de abordar o progresso tecnológico na fronteira americana. Enfim, um filme diferente, dirigido por um diretor de outra escola de cinema. Felizmente tudo terminou bem! 

Pablo Aluísio. 

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 7

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 7
Depois de atuar em um drama chamado "Sonho Desfeito" onde interpretava um jovem médico que tentava superar a morte de sua esposa, o ator Randolph Scott voltou para os filmes de faroeste. A nova produção se chamava "O Último Assalto" (The Last Round-Up, EUA, 1934). Aqui já vejo Scott bem no tipo de papel que iria se eternizar em sua filmografia nos anos que viriam pela frente.

O filme era uma refilmagem de uma produção do cinema mudo. Um faroeste B dirigido por um grande diretor, o sempre lembrado Henry Hathaway, um dos cineastas mais consagrados da era de ouro do cinema americano. Na trama Randolph Scott interpretava um ex fora-da-lei que só tinha um sonho: se casar com a garota que amava para depois tocar seu rancho em paz. Tudo porém vai por água abaixo quando uma quadrilha de ladrões de gado chegava em sua região para espalhar medo e terror. Ao mesmo tempo velhos comparsas o seduziam para realizar um último roubo a banco, algo que o coloca em uma situação bem delicada.

"Amor em Trânsito" (Wagon Wheels, EUA, 1934) veio logo a seguir. Mais um filme de western. Aqui o estilo foi mais focado para a pura ação, o que os americanos gostam de denominar de um autêntico filme bang-bang. No enredo um trem em disparada atravessava o oeste selvagem enquanto todos procuravam detê-lo de alguma forma, sejam os habituais bandoleiros, ladrões de trens e locomotivas, sejam os próprios índios em busca de escalpos dos homens brancos que ousavam invadir suas terras com aqueles "cavalos de metal".

Bem movimentado, foi uma parceria bem sucedida entre o ator Randolph Scott e o diretor Charles Barton. Novamente o roteiro era inspirado em um livro de western escrito por Zane Grey que foi um dos escritores mais populares da época nesse tipo de gênero cinematográfico, tendo vários de seus romances adaptados para as telas de cinema. Mais um western produzido pela Paramount Pictures, que seria um estúdio muito habitual para Scott nessa fase de sua carreira no cinema.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A Vingança dos Daltons

Título no Brasil: A Vingança dos Daltons
Título Original: When the Daltons Rode
Ano de Produção: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: George Marshall
Roteiro: Harold Shumate, Emmett Dalton
Elenco: Randolph Scott, Kay Francis, Brian Donlevy

Sinopse:
Tod Jackson (Randolph Scott) é um jovem advogado que vai até o distante Kansas para visitar seus clientes e amigos, os Daltons, que possuem um belo e próspero rancho na região. O problema agora é que uma poderosa empresa cobiça as terras dos Daltons e estão dispostos a colocar as mãos naquela propriedade de todas as formas possíveis, inclusive levantando falsas acusações de crimes contra todos os que ousam desafiar o poder da companhia.

Comentários:
Mais um ótimo western com o mito Randolph Scott. Infelizmente é uma de suas produções menos lembradas, já que após sua estreia nos cinemas ficou décadas fora de circulação - só mais recentemente foi relançado nos Estados Unidos dentro de um box de DVDs que resgatou parte da filmografia esquecida do eterno cowboy do velho oeste. Alguns aspectos merecem menção. Como se sabe com a expansão das estradas de ferro rumo ao Pacífico muitas companhias entraram em atritos com rancheiros e fazendeiros que não abriam mão de suas terras - justamente aquelas por onde os trilhos teriam que passar. Quando o dinheiro não bastava para convencer a venda dessas terras entrava em ação bandoleiros contratados por essas empresas para intimidar e coagir a venda, muitas vezes usando de métodos violentos e ilegais. Esse pedaço esquecido da história serve justamente de mote para esse bom faroeste que certamente agradará em cheio aos fãs do western mais clássico do cinema americano.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Caravana de Ouro

Caravana de Ouro
Na fase final da Guerra Civil Americana, os confederados sofrem pela falta de recursos, dinheiro e equipamentos. A única solução é encontrar de forma urgente uma nova fonte de ouro. Ela existe em Virginia City, Nevada, porém a região está dominada pelas tropas da União. O alto comando do exército sulista decide então enviar o Capitão Vance Irby (Randolph Scott) para liderar uma caravana que traga o ouro até Richmond. A União, por sua vez, envia o Major Kerry Bradford (Errol Flynn) para deter os planos dos rebeldes. Começa a partir daí um jogo de traições, falsas pistas e acobertamentos envolvendo o valioso carregamento.

Virginia City é uma obra pouco lembrada do mestre Michael Curtiz. Com roteiro mais bem elaborado do que o habitual, envolvendo uma curiosa trama de espionagem protagonizada por dois militares se fazendo passar por espiões e agentes infiltrados, o filme acabou sendo considerado complexo demais para o público ao qual se destinava. Hoje em dia ganha muito em novas revisões, justamente por causa da bem arquitetada história. Outro ponto que chama logo a atenção é o elenco, com três grandes mitos da história de Hollywood. O primeiro é Errol Flynn, eterna estrela das produções dirigidas por Curtiz na Warner. Seu personagem tem ares de Robin Hood, a perícia de um Capitão Blood e a valentia do General Custer. De maneira geral, apesar de ser o protagonista do enredo, é o personagem menos interessante do filme, apenas uma mistura pouco criativa de vários outros papéis desempenhados por Flynn ao longo de sua carreira.

Já o Capitão confederado Vance Irby, interpretado por Randolph Scott, é muito mais bem desenvolvido. Comandante de uma prisão militar no começo do filme, ele é enviado pessoalmente pelo presidente Jeff Davis para trazer o ouro para os cofres sulistas numa última e desesperada tentativa de vencer uma guerra que naquela altura já parecia estar perdida, pois como bem explica um dos generais rebeldes: “Guerras são vencidas com dinheiro e não apenas com bravura e honra”. Randolph Scott está completamente à vontade, até porque o western sempre foi o seu gênero preferido no cinema. Humphrey Bogart surge em cena como John Murrell, líder de um grupo de bandoleiros que está de olho no ouro. É muito divertido assistir Bogart nesse papel, pois ele é bastante sui generis em sua carreira. Com um bigodinho bem estranho, ele mal pôde ser reconhecido por causa de sua caracterização. Além disso, trata-se de um personagem bem coadjuvante, o único vilão verdadeiro da trama, papel aceito pelo ator por causa de sua amizade e gratidão para com Curtiz, cineasta a quem tinha enorme respeito. Assim, Caravana do Ouro é de fato um ótimo faroeste que merece ser desempoeirado após ficar tantos anos esquecido sob as areias do tempo.

Caravana de Ouro (Virginia City, Estados Unidos, 1940) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Robert Buckner / Elenco: Errol Flynn, Randolph Scott, Humphrey Bogart, Miriam Hopkins / Sinopse: Durante os momentos finais da Guerra Civil Americana, um oficial confederado lidera uma arriscada caravana para transportar ouro através de território dominado pela União, desencadeando um perigoso jogo de espionagem e traições.

Pablo Aluísio. 

Em Cartaz: Caravana de Ouro
O western Caravana de Ouro estreou nos cinemas em 1940, produzido pela Warner Bros. e dirigido por Michael Curtiz, reunindo um elenco de peso liderado por Errol Flynn, Randolph Scott, Humphrey Bogart e Miriam Hopkins. Ambientado nos momentos finais da Guerra Civil Americana, o filme acompanha uma arriscada missão confederada para transportar uma enorme carga de ouro a partir da cidade de Virginia City, enquanto forças da União tentam impedir o plano. Lançado em plena era de ouro dos filmes de aventura, o longa foi divulgado como uma superprodução de ação e suspense histórico.

Do ponto de vista comercial, Caravana de Ouro teve um bom desempenho de bilheteria, confirmando a popularidade contínua de Errol Flynn junto ao público. Embora não esteja entre os maiores sucessos da carreira do ator, o filme arrecadou valores suficientes para ser considerado lucrativo para o estúdio, especialmente no mercado doméstico americano. A combinação de western, drama de guerra e ação ajudou a atrair um público amplo, reforçando a força do gênero nos anos 1940.

A recepção crítica na época foi majoritariamente positiva, destacando o ritmo acelerado e o espetáculo visual. O jornal The New York Times escreveu que o filme era “uma aventura robusta e movimentada, encenada com energia e competência”, elogiando a direção segura de Michael Curtiz e a escala das sequências de ação. Já a revista Variety descreveu o longa como “um western de grande fôlego, repleto de incidentes dramáticos e apelo comercial garantido”, ressaltando seu potencial junto ao público popular.

Entre os destaques apontados pela imprensa estava a presença de Humphrey Bogart no papel do vilão John Murrell. Alguns críticos observaram que Bogart oferecia “uma atuação surpreendentemente sinistra e memorável”, contrastando com os heróis tradicionais do gênero. Outros jornais notaram que o filme, embora ambientado na Guerra Civil, tratava o conflito mais como pano de fundo para ação e aventura do que como uma reconstrução histórica rigorosa, algo visto como uma virtude no cinema de entretenimento da época.

Com o passar dos anos, Caravana de Ouro consolidou-se como um clássico do western de estúdio, lembrado tanto pela direção eficiente de Curtiz quanto pelo encontro de grandes estrelas em início ou auge de carreira. As críticas publicadas em 1940 já indicavam que o filme não pretendia redefinir o gênero, mas sim oferecer um espetáculo envolvente e bem produzido. Hoje, ele permanece como um exemplo representativo do cinema de aventura hollywoodiano do início da década de 1940 e do poder narrativo da Warner Bros. naquele período.

Randolph Scott - Filmografia da Década de 1940


Randolph Scott - Filmes de Western dos anos 40
Caravana de Ouro
A Vingança dos Daltons
Conquistadores do Oeste
A Formosa Bandida
Indomável
Império da Desordem
A Bela do Yukon
Rua dos Conflitos
A Terra dos Homens Maus
O Passo do Ódio
Terra de Paixões
Romântico Defensor
Águas Sangrentas
A Volta dos Homens Maus
Sete Homens Maus
Devastando Caminhos
A Lei é Implacável
O Lutador

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 6

"Na Pista do Criminoso" foi uma produção B da Paramount Pictures. Apresentava apenas 61 minutos de duração, feita e realizada para ser exibida em matinês dos cinemas de bairro, a preços promocionais. Tudo feito em ritmo de linha de produção mesmo. Para se ter uma ideia a Paramount produziu mais de 700 fitas como essa entre os anos de 1929 a 1949, todas vendidas depois para a recém-nascida TV que exibia os filmes em horários matutinos, tornando o western ainda mais popular, principalmente entre os mais jovens.

Já o filme seguinte, "A Hora do Coquetel", nada tinha a ver com cavalos, esporas e duelos. Era um filme que tinha a proposta de ser mais sofisticado, passado na alta classe de Nova Iorque. É curioso que antes de decidir se dedicar totalmente ao western, Randolph Scott intercalava filmes de cowboy, com produções mais românticas. Ele procurava seguir nesse último aspecto os filmes mais chiques e borbulhantes como champagne estrelados por seu amigo pessoal Cary Grant. Por essa época inclusive eles decidiram morar juntos em uma bela mansão em Hollywood, o que acabou sendo a origem dos boatos envolvendo os dois. Para as fofocas da época eles formavam um casal gay no armário.

"O Homem da Floresta" (Man of the Forest) trazia um Randolph Scott ainda bem jovem, magro, com bigodinho ao estilo Errol Flynn (na época um dos maiores astros de Hollywood). Era um western dirigido pelo grande Henry Hathaway, ainda também em começo de carreira. O roteiro era baseado em um livro escrito por Zane Grey. Esse escritor era tão popular na época que seu nome ganhava grande destaque nos materiais promocionais dos filmes feitos a partir de seus romances e novelas. Randolph Scott era o xerife na história, que de forma ousada lidava com temas complicados, envolvendo o sequestro de uma jovem garota e um vilão astuto, mestre em jogar a culpa de seus crimes nos outros. O filme tem uma sequência de perseguição em um desfiladeiro nos arredores de Los Angeles que acabou ferindo um dos dublês que caiu com seu cavalo de uma altura considerável. O próprio Scott escapou também de descer ladeira abaixo nessa cena. Anos depois ele ainda se recordaria desse dia de filmagens que quase lhe custou a vida.

Depois desse filme Randolph Scott continuou trabalhando na Paramount Pictures para seu próximo faroeste. Outra adaptação de um romance escrito por Zane Grey, também com direção de Henry Hathaway. Esse novo western recebeu o título de "Rixa Antiga" (To the Last Man), O enredo se passava nas montanhas do Kentucky. Após a guerra civil uma briga de famílias rivais levava um jovem para a prisão por longos 15 anos. Quando ele finalmente cumpre sua pena decide ir até o estado de Nevada para se vingar de Lynn Hayden (Randolph Scott), que ele considerava ser o principal responsável por sua prisão. Esse filme foi bem marcante para Scott porque foi um dos primeiros a lhe dar grande promoção em seu cartaz. Ele estava virando um ator realmente popular em Hollywood.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O Homem da Floresta

Título no Brasil: O Homem da Floresta
Título Original: Man of the Forest
Ano de Produção: 1933
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Jack Cunningham, Zane Grey
Elenco: Randolph Scott, Verna Hillie, Harry Carey, Noah Beery, Barton MacLane, Buster Crabbe

Sinopse e comentários:
"O Homem da Floresta" (Man of the Forest, Estados Unidos, 1933) trazia um Randolph Scott ainda bem jovem, magro, com bigodinho ao estilo Errol Flynn (na época um dos maiores astros de Hollywood). Era um western dirigido pelo grande Henry Hathaway, ainda também em começo de carreira. O roteiro era baseado em um livro escrito por Zane Grey. Esse escritor era tão popular na época que seu nome ganhava grande destaque nos materiais promocionais dos filmes feitos a partir de seus romances e novelas.

Randolph Scott era o xerife na história, que de forma ousada lidava com temas complicados, envolvendo o sequestro de uma jovem garota e um vilão astuto, mestre em jogar a culpa de seus crimes nos outros. O filme tem uma sequência de perseguição em um desfiladeiro nos arredores de Los Angeles que acabou ferindo um dos dublês que caiu com seu cavalo de uma altura considerável. O próprio Scott escapou também de descer ladeira abaixo nessa cena. Anos depois ele ainda se recordaria desse dia de filmagens que quase lhe custou a vida.

Pablo Aluísio.

domingo, 9 de novembro de 2025

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 5

Randolph Scott voltou a trabalhar com o diretor Henry Hathaway no western "Maldade" (The Thundering Herd, Estados Unidos, 1933). O roteiro era novamente escrito por Zane Grey, que era tão popular entre os fãs de filmes de faroeste que seu nome conseguia até mesmo um grande destaque nos posters dos filmes que chegavam nos cinemas. O enredo não poderia ser mais referente às mitologias do velho oeste norte-americano.

Scott interpretava um caçador de búfalos chamado Tom Doan. Ele, ao lado de seus homens, caçava búfalos para lucrar com a venda de suas peles, que na época valiam pequenas fortunas. O trabalho, porém, era uma verdadeira luta de sobrevivência em terras hostis. Além dos ladrões de peles, sempre dispostos a matar os caçadores, havia ainda a presença perigosa de guerreiros das tribos locais. No elenco o filme ainda trazia a bela Judith Allen e Buster Crabbe, veterano em filmes de faroeste da época.

Para o próximo filme Randolph Scott resolveu aceitar um convite para algo completamente inédito em sua carreira, um filme de suspense e terror! "Anjo e Demônio" (Supernatural, Estados Unidos, 1933), com direção de Victor Halperin, tinha um roteiro estranho e em certos aspectos até bem sinistro, misturando fantasia e magia negra em um só pacote. A produção foi estrelada pela linda atriz Carole Lombard. Ela era naquele momento uma das grandes estrelas de Hollywood, uma beldade que estava sempre nas capas de revistas das principais publicações de cinema dos anos 30. Scott diria mais tarde que a oportunidade de contracenar com Lombard havia sido a principal razão para ele aceitar participar desse filme, já que o enredo nada tinha a ver com cavalos, cowboys, índios e duelos no velho oeste, algo que ele ia percebendo era definitivamente o seu negócio no mundo do cinema.

O faroeste seguinte de Randolph Scott foi "Na Pista do Criminoso" (Sunset Pass, 1933). Ao lado dele no elenco estavam Tom Keene e Kathleen Burke. A direção era do excelente Henry Hathaway, cineasta que assinou grandes clássicos da história do cinema americano como "Bravura Indômita" (que daria o primeiro Oscar na carreira de John Wayne), "Sublime Devoção" e "A Conquista do Oeste", para muitos o filme de faroeste mais pretensioso da história pois queria esgotar o assunto da ida dos pioneiros para as vastas terras do velho oeste. Pois bem, como se pode ver o filme tinha o diretor certo. Acontece que por essa época, ainda na primeira metade dos anos 30, tanto Henry Hathaway como o próprio Randolph Scott eram ainda bem jovens, muito longe dos grandes clássicos em que iriam trabalhar no futuro.

Pablo Aluísio.

sábado, 8 de novembro de 2025

Filmografia Randolph Scott


Filmografia Randolph Scott

Década de 1920:
Rumo ao Amor (1928)
O Lobo da Bolsa (1929)
Regeneração (1929)
Ver Para Crer (1929)
A Voz da Terra Mater (1929)
A Guarda Negra (1929)
Amores de Folga (1929)
Ilusão (1929)
Agora ou Nunca (1929)
Dinamite (1929)

Década de 1930:
Galanteador Audaz (1930)
Esposas Alegres (1931)
A Noiva do Céu (1932)
Manias de Gente Rica (1932)
A Herança do Deserto (1932)
Sábado Alegre (1932)
Audácia entre Adversários (1932)
Hellim Everybody! (1932)
Maldade (1932)
Vingança Diabólica (1932)
Anjo e Demônio (1932)
Na Pista do Criminoso (1932)
A Hota do Coquetel (1932)
O Homem da Floresta (1932)
Rixa Antiga (1932)
Sonhos Desfeitos (1932)
O Último Assalto (1934)
Amor em Trânsito (1934)
Perigo á Frente (1935)
O Inválido Poderoso (1935)
Roberta (1935)
Noivado na Guerra (1935)
Escândalo na Aldeia (1935)
Ella - A Feiticeira (1935)
Pirate Party on Catalina Island (1935)
Nas Águas da Esquadra (1936)
Perigo à Frente (1936)
O Último dos Moicanos (1936)
Amores de uma Diva  (1936)
Alegre e Feliz (1938)
Sonho de Moça (1938)
A Heroína do Texas (1938)
Almas Sem Rumo (1938)
Jesse James (1939)
Suzana (1939)
A Lei da Fronteira (1939)
Vigilantes do Mar (1939)
Vinte Mil Homens por Ano (1939)

Obs: Filmes em negrito são aqueles que já tiveram seus reviews publicados em nosso blog. 

Continua...

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

A Heroína do Texas

Título no Brasil: A Heroína do Texas
Título Original: The Texans
Ano de Lançamento: 1938
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: James P. Hogan
Roteiro: Bertram Millhauser, Paul Sloane
Elenco: Randolph Scott, Joan Bennett, May Robson

Sinopse:
Após a Guerra Civil, um ex-soldado confederado enfrenta novas batalhas, incluindo os membros de uma quadrilha de bandidos que tentam roubar uma jovem indefesa. E ele terá que ser um às do gatilho para vencer todos aqueles bandidos. 

Comentários:
Depois do sucesso comercial de "O Último dos Moicanos" o ator Randolph Scott deu um tempo nas fitas de faroeste. E isso surpreendeu muita gente já que todos esperavam que ele iria cair com tudo no gênero para aproveitar o sucesso. Apenas algum tempo depois é que ele voltaria a usar chapéu de cowboy, botas e esporas para montar seu belo cavalo branco. Isso voltaria a acontecer em "A Heroína do Texas" (The Texans), boa produção dirigida pelo cineasta James P. Hogan. O que chamava bastante a atenção aqui é que todas as atenções do roteiro iam para a mocinha do filme e não para o herói. Algo raro em um estilo cinematográfico tão voltado para o público masculino. Era algo novo e inovador, algo que poucos tinham feito em Hollywood naquele período histórico do cinema americano. A estrelinha do filme, a atriz Joan Bennett, foi até mesmo creditada na frente do astro Randolph Scott. isso mostrava também como ele poderia ser generoso com as colegas de profisssão. Ele vinha de um sucesso de bilheteria e poderia muito bem calçar seu ego de astro de western em Hollywood e exigir seu nome em primeiro lugar nos créditos do filme. Porém não fez isso. Foi bem humilde e companheiro, sendo usado até mesmo como escada da jovem atriz. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

A Lei da Fronteira

Título no Brasil: A Lei da Fronteira
Título Original: Frontier Marshal
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Allan Dwan
Roteiro: Stuart N. Lake, Sam Hellman
Elenco: Randolph Scott, Nancy Kelly, Cesar Romero

Sinopse:
Tombstone é uma cidade infestada de bandidos. Conhecida por ser uma terra sem lei, a região acaba se tornando ponto de encontro de assassinos, assaltantes de trem e facínoras em geral. Aterrorizados, os cidadãos de bem do local resolvem eleger um novo xerife! Para a função terá que ser escolhido alguém realmente rápido no gatilho, que esteja disposto a enfrentar o crime sem medo, pois não será fácil limpar toda aquela sujeira. A escolha acaba caindo nos ombros de Wyatt Earp (Randolph Scott) que está disposto a impor a lei e a ordem novamente na pequena Tombstone. 

Comentários:
Esse é certamente um dos mais clássicos filmes da carreira de Randolph Scott. Não poderia ser diferente, afinal de contas ele interpreta o lendário xerife e homem da lei Wyatt Earp! A junção desses dois mitos não poderia resultar em nada menos do que memorável. Curiosamente, apesar de ser reconhecidamente um dos melhores filmes já feitos sobre o tiroteio do O.K. Corral, o roteiro toma certas liberdades com a história real. Só para citar a mais famosa delas, aqui temos a morte de Doc Halliday (Cesar Romero), que antecede o famoso confronto entre Earp e os bandoleiros no famoso curral de Tombstone. Na história real Doc não morreu como mostrado no filme, pelo contrário, ele vai até o O.K. para enfrentar ao lado de Earp todo o bando de criminosos naquele que, até hoje, é considerado o maior duelo da história do velho oeste. Isso porém não desmerece as qualidades de um western clássico que é extremamente bem realizado. Randolph Scott está perfeito em seu papel e até mesmo Cesar Romero convence plenamente como Doc, o dentista jogador e tuberculoso que se tornou um dos mais conhecidos pistoleiros da mitologia do western americano. Mais um exemplo do talento do subestimado cineasta Allan Dwan. Em suma, um título para se ter na coleção, assim você poderá sempre rever o mito Randolph Scott na pele do mais famoso xerife de todos os tempos.

Pablo Aluísio.