terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Dia Voltarei

Título no Brasil: Um Dia Voltarei
Título Original: Flame of Barbary Coast
Ano de Lançamento: 1945
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: Joseph Kane
Roteiro: Borden Chase, Prescott Chaplin
Elenco: John Wayne, Ann Dvorak, Joseph Schildkraut

Sinopse:
Em San Francisco, no crepúsculo do velho oeste, um cowboy chamado Duke Fergus (John Wayne) se apaixona por uma bela dançarina e cantora de saloon conhecida como Ann 'Flaxen' Tarry (Ann Dvorak). Só que conquistar seu coração não vai ser tão fácil pois ele terá que disputá-la contra o magnata corrupto Tito Morell (Joseph Schildkraut). Filme indicado ao Oscar nas categoria de Melhor Som e Melhor Música Original (R. Dale Butts e Morton Scott). 

Comentários:
A Segunda Guerra Mundial estava chegando ao seu final quando John Wayne decidiu voltar aos filmes de faroeste. Só que dessa vez ele optou por um roteiro bem leve, quase uma comédia romântica passada nos tempos do velho oeste. Nada de muita ação envolvida, a história se concentrava mais nessa cantora e bailarina, cujo coração era disputada por dois homens, um magnata rico e sem escrúpulos e o cowboy de Wayne, trabalhador, de bom coração, muito ético e tudo mais. O fato curioso é que o próprio Wayne escolheu a atriz que iria trabalhar nesse papel da dançarina de saloon. E ele escolheu Ann Dvorak. Os críticos da época do lançamento original do filme criticaram a escolha pois ela já tinha passado da idade certa para interpretar essa personagem. Para Wayne isso entretanto era irrelevante. Ele estava interessado mesmo em seus talentos como cantora e dançarina. E nesse aspecto a veterana realmente não deixou nada a desejar. 

Pablo Aluísio.

Quando a Mulher se Atreve

Título no Brasil: Quando a Mulher se Atreve
Título Original: In Old Oklahoma
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures 
Direção: Albert S. Rogell
Roteiro: Thomson Burtis, Ethel Hill
Elenco: John Wayne, Martha Scott, Albert Dekker

Sinopse:
Em 1906, nas terras indígenas de Oklahoma, um cowboy chamado Daniel F. Somers (John Wayne) luta pelos seus direitos de arrendamento de um rancho contra um ganancioso empresário que deseja suas terras, pois há petróleo em seu subsolo. Enquanto a disputa se desenvolve, uma linda professora rouba os corações de ambos os inimigos.

Comentários:
Era para ser mais um faroeste de rotina na carreira de John Wayne, mas houve algumas mudanças interessantes. A produção decidiu filmar tudo no deserto de Utah, ao invés da Califórnia onde seus filmes anteriores tinham sido feitos. Isso trouxe uma bela fotografia ao filme como um todo. Era uma região diferente, com belas paisagens. Outras surpresas viriam. Os críticos gostaram do filme e teceram elogios e o filme acabou sendo indicado ao Oscar em duas categorias. Eram indicações bem inustiadas em se tratando de um western. Foi indicado na categoria de melhor som, pois se usou um equipamento de captação novo na época e melhor música. Acabou sendo um caso raro de filme de faroeste indicado por sua trilha sonora. Quem poderia imaginar?

Pablo Aluísio.

Fugitivos do Terror

Título no Brasil: Fugitivos do Terror
Título Original: Three Faces West
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Bernard Vorhaus
Roteiro: F. Hugh Herbert
Elenco: John Wayne, Sigrid Gurie, Charles Coburn, Spencer Charters

Sinopse:
O filme Three Faces West acompanha um médico austríaco refugiado que foge da Europa com sua filha após a ascensão do nazismo. Eles se estabelecem em uma comunidade agrícola nos Estados Unidos, onde tentam reconstruir suas vidas em meio às dificuldades provocadas pelas tempestades de areia do período conhecido como Dust Bowl. Enquanto a cidade enfrenta a destruição das plantações e o êxodo dos moradores, o médico passa a trabalhar ao lado de um jovem fazendeiro para ajudar a população local a sobreviver e encontrar esperança em tempos difíceis.

Comentários:
Three Faces West mistura drama social, romance e elementos de faroeste, refletindo preocupações importantes da época, como a crise dos refugiados europeus e os efeitos devastadores do Dust Bowl nos Estados Unidos. O filme também possui um tom de propaganda humanitária, defendendo a acolhida de imigrantes em um momento marcado pelo avanço do nazismo na Europa. John Wayne aparece em um papel mais dramático e menos heroico do que em muitos de seus westerns posteriores, demonstrando versatilidade em sua carreira inicial. Embora hoje seja uma obra menos conhecida, o filme é valorizado por seu contexto histórico e pela combinação incomum entre drama rural americano e questões internacionais do período pré-Segunda Guerra Mundial.

Erick Steve. 

Filmografia de John Wayne - Parte 2

Filmografia de John Wayne - Parte 2
Mais uma leva de filmes do ator John Wayne, agora na primeira metade da década de 1940, justamente os anos em que os Estados Unidos estiveram envolvidos na Segunda Grande Guerra Mundial. John Wayne não foi para as forças armadas americanas, ficando nos Estados Unidos, onde atuou em produções que ajudaram no esforço de guerra de sua nação. 

1940:
Comando Negro
Fugitivos do Terror
A Longa Viagem de Volta
A Pecadora

1941:
O Traído
O Carnaval da Vida
O Morro dos Maus Espíritos

1942:
Dama por uma Noite
Vendaval de Paixões
Indomável
Caminho Fatal
Tigres Voadores
Ódio e Paixão
Uma Aventura em Paris

1943:
Arrisca-te, Mulher!
Quando a Mulher se Atreve

1944:
Romance dos Sete Mares
Adorável Inimiga

1945:
Adorável Inimiga
Um Dia Voltarei
Espírito Indomável
Dakota
Fomos os Sacrificados

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 17

Provavelmente o último filme de John Wayne ao velho estllo tenha sido "O Anjo e o Malvado" (Angel and the Badman, 1947). Esse western seguia a fórmula das antigas fitas que Wayne havia feito bem no começo de sua carreira. Ele próprio escolheu o roteiro, bancou o filme através de sua recém criada companhia cinematográfica e atuou na distribuição ao lado da Republic Studios, que não teria vida longa, fechando as portas em poucos anos. Na realidade o próprio Wayne dirigiu esse filme, mas por receio de ser criticado, acabou colocando o roteirista do filme como creditado na direção. Isso mostrava que ele ainda tinha uma certa insegurança de ser visto como um cineasta em Hollywood. 

Depois disso John Wayne entraria definitivamente na grande fase de sua carreira. Ele deixaria os pequenos filmes de bang-bang de lado para atuar em filmes de western que mais se pareciam com grandes épicos sobre a fundação dos Estados Unidos. Grande produções, com elencos milionários, filmes dirigidos por grandes mestres da sétima arte. Foi a era de ouro de sua carreira. 

"Sangue de Heróis" (Fort Apache, 1948) foi seu primeiro grande filme nessa nova era. Dirigido por John Ford, o elenco contava ainda com outro grande astro de Hollywood naqueles anos, o excelente Henry Fonda. O diretor Ford queria contar a história da cavalaria norte-americana na conquista do Oeste selvagem. Sua ideia inicial era construir uma série de filmes sobre esse tema e esse seria o mais bem acabado nesse seu ambicioso projeto. 

Um grande filme, de fato. Marcou época e se tornou um dos maiores sucessos cinematográficos do ano. John Wayne e Henry Fonda se deram muito bem no set de filmagens. Tanto que se pensava na época que eles iriam trabalhar juntos em outros filmes com mais frequência. Algo que infelizmente não iria acontecer. Fort Apache fez tanto sucesso que Wayne não largou mais John Ford. Ele havia encontrado o diretor que tanto procurava, desde o começo de sua carreira, nos distantes anos 1920. Seria a consolidação de uma grande parceria entre eles. E o cinema só teria a ganhar com eles trabalhando juntos! 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Os Astros: Clint Eastwood

Os filmes de western de Clint Eastwood ocupam um lugar central não apenas em sua carreira, mas também na própria história do gênero. Eastwood começou a se destacar internacionalmente nos anos 1960, principalmente por meio das produções dirigidas por Sergio Leone, que reinventaram o western tradicional americano com uma abordagem mais crua e estilizada. Esses filmes, conhecidos como “spaghetti westerns”, foram inicialmente recebidos com certo ceticismo pela crítica norte-americana, mas conquistaram enorme sucesso comercial e posteriormente reconhecimento artístico. A figura do “Homem sem Nome” interpretada por Eastwood tornou-se um ícone cultural, marcando o início de sua associação definitiva com o gênero.

A chamada Trilogia dos Dólares — composta por Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito — foi fundamental para consolidar Eastwood como astro. Esses filmes apresentavam personagens moralmente ambíguos, violência estilizada e trilhas sonoras marcantes de Ennio Morricone. Apesar de críticas iniciais que consideravam os filmes excessivamente violentos ou pouco refinados, o público respondeu com entusiasmo, transformando-os em sucessos de bilheteria. Com o passar do tempo, essas obras passaram a ser consideradas clássicos do cinema, influenciando gerações de cineastas e redefinindo os padrões do western moderno.

Após o sucesso na Europa, Eastwood retornou aos Estados Unidos e estrelou outros westerns importantes. Em seguida, participou de Os Abutres Têm Fome, que teve recepção moderada, e dirigiu e estrelou O Estranho Sem Nome, um western mais sombrio e psicológico, que foi bem recebido pela crítica e obteve bom desempenho nas bilheterias. Esse período marcou a transição de Eastwood de ator para cineasta, mostrando sua capacidade de explorar temas mais profundos dentro do gênero.

Nos anos seguintes, Eastwood continuou a revisitar o western, consolidando sua visão autoral com filmes como Josey Wales, o Fora da Lei, amplamente elogiado pela crítica por sua abordagem humanista e complexa do Velho Oeste. Já O Cavaleiro Solitário trouxe uma narrativa quase mística, embora tenha tido recepção crítica mais dividida. Esses filmes mostram como Eastwood evoluiu dentro do gênero, passando de um anti-herói lacônico para personagens mais introspectivos e reflexivos, refletindo também o amadurecimento do próprio ator e diretor.

O auge artístico de sua relação com o western veio com Os Imperdoáveis, considerado por muitos como uma obra-prima. O filme foi aclamado pela crítica, venceu quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e teve grande sucesso comercial. Nele, Eastwood desconstrói o mito do pistoleiro, apresentando um protagonista envelhecido e atormentado pelo passado. Décadas depois, ele retornaria ao gênero com Cry Macho: O Caminho para a Redenção, que, embora tenha recebido críticas mistas e desempenho modesto nas bilheterias, reforça sua ligação duradoura com o western e sua disposição em revisitar temas clássicos sob uma nova perspectiva.

Lista dos melhores filmes de faroeste de Clint Eastwood lançados nos cinemas:
Por um Punhado de Dólares ("A Fistful of Dollars", 1964)
Por uns Dólares a Mais ("For a Few Dollars More", 1965)
Três Homens em Conflito ("The Good, the Bad and the Ugly", 1966))
Os Abutres Têm Fome ("Two Mules for Sister Sara", 1970)
O Estranho Sem Nome ("High Plains Drifter", 1973)
Josey Wales, o Fora da Lei ("The Outlaw Josey Wales", 1976)
O Cavaleiro Solitário ("Pale Rider", 1985)
Os Imperdoáveis ("Unforgiven", 1992)
Cry Macho: O Caminho para a Redenção ("Cry Macho", 2021)

Erick Steve. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Os Diretores: George Sherman

George Sherman
George Sherman foi um dos diretores mais prolíficos e consistentes do cinema norte-americano, especialmente reconhecido por sua vasta contribuição ao gênero faroeste clássico. Nascido em 14 de setembro de 1908, em Nova York, Sherman iniciou sua carreira ainda jovem em Hollywood, trabalhando inicialmente como assistente de direção. Rapidamente, destacou-se pela eficiência e pela capacidade de realizar filmes dentro de prazos curtos e orçamentos modestos, qualidades muito valorizadas pelos estúdios nas décadas de 1930 e 1940.

Durante os anos 1940 e 1950, George Sherman tornou-se um nome frequente nos estúdios Republic Pictures e Universal, onde dirigiu dezenas de westerns. Seus filmes eram marcados por ritmo ágil, narrativa direta e forte valorização da ação, elementos essenciais para o público fiel do gênero. Sherman tinha especial habilidade em explorar paisagens naturais, usando locações externas para dar autenticidade visual às histórias do Velho Oeste, mesmo quando trabalhava com recursos limitados.

Ao longo da carreira, o diretor colaborou com grandes astros do faroeste, como John Wayne, Audie Murphy, Randolph Scott e Rory Calhoun. Com Audie Murphy, em particular, realizou alguns de seus filmes mais lembrados, ajudando a consolidar a imagem do ator como um dos principais heróis do western dos anos 1950. Sherman sabia equilibrar cenas de ação com momentos dramáticos, construindo personagens claros em termos morais, algo característico do faroeste clássico.

Embora seja mais associado aos westerns, George Sherman também dirigiu filmes de outros gêneros, incluindo aventuras, dramas e produções de capa e espada. Títulos como O Filho de Ali Babá (1952) e A Princesa do Nilo (1954) demonstram sua versatilidade e sua facilidade em transitar por diferentes estilos cinematográficos. Mesmo fora do faroeste, sua direção mantinha clareza narrativa e forte senso de entretenimento popular.

George Sherman encerrou sua carreira no cinema no início dos anos 1960 e faleceu em 1991, deixando um legado significativo para a história do western hollywoodiano. Embora raramente citado entre os diretores mais autorais do gênero, seu trabalho foi fundamental para sustentar a popularidade do faroeste durante décadas. Hoje, seus filmes são lembrados como exemplos sólidos do cinema clássico de estúdio, representando com competência e energia o espírito do Oeste americano nas telas.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Buffalo Bill

Título no Brasil: Buffalo Bill
Título Original: Buffalo Bill
Ano de Lançamento: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: William A. Wellman
Roteiro: Eneas MacKenzie, Clements Ripley
Elenco: Joel McCrea, Maureen O'Hara, Anthony Quinn

Sinopse:
A história de William "Buffalo Bill" Cody (Joel McCrea), lendário nome da mitologia do western dos Estados Unidos, desde seus dias como batedor do exército até suas atividades posteriores como proprietário de um show do Velho Oeste.

Comentários:
O melhor filme sobre Buffalo Bill foi feito na década de 1970 com Paul Newman no papel principal. Aquele sim é um filme historicamente correto sobre essa figura do velho oeste norte-americano. Esse filme aqui vai por outro caminho, tornando como fato certas lorotas que o próprio Bill contava sobre si mesmo. O que não quer dizer que seja um filme ruim, nada disso, apenas tem essa perspectiva diferenciada. O elenco é muito bom, mas devo dizer que Joel McCrea não era o ator certo para interpretar Buffalo Bill. Era um ator sério demais para esse papel. O verdadeiro Buffalo Bill era meio bufão, um tipo mais circense mesmo. Melhor se sai o sempre bom Anthony Quinn, com sua presença sempre forte e carismática. Então é isso, deixo o registro desse faroeste B que tentou contar a história de William "Buffalo Bill" Cody, mesmo de uma forma bem romanceada e estigmatizada. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Era Uma Vez no Oeste

Era Uma Vez no Oeste
O filme Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West) foi lançado em 1968, dirigido por Sergio Leone e estrelado por Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale e Jason Robards. Considerado um dos maiores westerns da história do cinema, o filme apresenta uma narrativa épica ambientada na expansão das ferrovias no Oeste americano. A história gira em torno de Jill McBain, uma mulher que chega a uma nova cidade após casar-se com um fazendeiro, apenas para descobrir que seu marido e sua família foram assassinados. Ao seu redor orbitam três figuras centrais: Harmonica, um misterioso pistoleiro em busca de vingança; Frank, um implacável assassino a serviço de interesses corporativos; e Cheyenne, um fora da lei carismático. À medida que a trama se desenrola, os destinos desses personagens se entrelaçam em um cenário de violência, ambição e transformação histórica. O filme se destaca por seu ritmo contemplativo, com longas sequências silenciosas que constroem tensão de maneira única. A direção de Leone enfatiza enquadramentos amplos e closes intensos. A narrativa aborda o fim do Velho Oeste e o surgimento de uma nova ordem. Assim, Era uma Vez no Oeste se apresenta como uma obra grandiosa e profundamente simbólica.

Quando foi lançado, Era uma Vez no Oeste teve uma recepção crítica mista nos Estados Unidos, embora tenha sido muito bem recebido na Europa. O The New York Times considerou o filme “excessivamente longo e indulgente em seu estilo”, criticando o ritmo lento da narrativa. Já o Los Angeles Times reconheceu a força visual do filme, mas apontou que ele poderia ser difícil para espectadores acostumados a westerns mais tradicionais. A revista Variety destacou que o longa possuía “uma estética impressionante, embora nem sempre acessível ao grande público”. Muitos críticos americanos da época não estavam preparados para a abordagem operística e estilizada de Leone. Em contraste, na Europa, o filme foi amplamente elogiado por sua ambição artística e inovação dentro do gênero. Alguns críticos europeus consideraram a obra uma evolução do western, transformando-o em algo mais próximo de uma ópera cinematográfica. Assim, a recepção inicial foi marcada por uma divisão geográfica na crítica. O filme gerou tanto admiração quanto estranhamento. Dessa forma, sua estreia foi cercada de controvérsia.

Com o passar dos anos, a crítica passou por uma grande reavaliação, transformando Era uma Vez no Oeste em uma obra amplamente reconhecida como-prima. Publicações como The New Yorker passaram a destacar o filme como “um épico cinematográfico de rara beleza e profundidade”. A trilha sonora de Ennio Morricone tornou-se um dos elementos mais celebrados do filme, sendo considerada uma das maiores já compostas para o cinema. A atuação de Henry Fonda como vilão surpreendeu críticos e público, já que o ator era tradicionalmente associado a personagens heroicos. O uso de silêncio, ritmo lento e construção visual passou a ser visto como inovador e influente. Embora o filme não tenha sido um grande vencedor em premiações como o Oscar na época de seu lançamento, sua reputação cresceu enormemente ao longo das décadas. Muitos críticos modernos o consideram um dos maiores westerns já feitos. A sequência de abertura e o duelo final são frequentemente citados como momentos icônicos do cinema. Dessa forma, o filme alcançou status de clássico absoluto. Sua reavaliação crítica foi decisiva para consolidar sua importância histórica.

Do ponto de vista comercial, Era uma Vez no Oeste teve um desempenho muito forte na Europa, especialmente na Itália e na França, onde se tornou um grande sucesso de bilheteria. Nos Estados Unidos, entretanto, seu desempenho inicial foi mais modesto, em parte devido à recepção crítica dividida e ao ritmo pouco convencional do filme. Com o tempo, relançamentos e exibições televisivas ajudaram a ampliar seu público. O filme passou a conquistar novas audiências, especialmente entre cinéfilos e admiradores do gênero western. A popularidade crescente também foi impulsionada pelo prestígio de Sergio Leone. O longa continuou a gerar receita ao longo das décadas por meio de home video e exibições especiais. O público passou a apreciar mais sua abordagem estilizada e sua narrativa épica. Assim, embora não tenha sido um sucesso imediato nos Estados Unidos, o filme se tornou extremamente lucrativo no longo prazo. Seu desempenho comercial acabou acompanhando sua crescente reputação crítica. Dessa forma, consolidou-se como um sucesso duradouro.

Atualmente, Era uma Vez no Oeste é amplamente considerado um dos maiores filmes da história do cinema. A obra é frequentemente incluída em listas dos melhores filmes já produzidos. Sua influência pode ser vista em inúmeros diretores contemporâneos, que adotaram elementos do estilo de Sergio Leone. O uso de enquadramentos extremos, trilha sonora marcante e construção lenta do suspense tornou-se referência. O filme também é visto como uma reflexão sobre o fim de uma era, marcando a transição do Velho Oeste para a modernidade. A atuação de Henry Fonda como vilão continua sendo um dos aspectos mais comentados. A personagem de Claudia Cardinale também é reconhecida por sua importância dentro da narrativa. Novas gerações continuam descobrindo o filme e se impressionando com sua estética. Dessa forma, sua reputação como clássico é incontestável. Era uma Vez no Oeste permanece como uma obra essencial do cinema mundial.

Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West, Itália/Estados Unidos, 1968) Direção: Sergio Leone / Roteiro: Sergio Leone, Sergio Donati e Dario Argento, baseado em história de Leone e Bernardo Bertolucci / Elenco: Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale, Jason Robards, Gabriele Ferzetti e Paolo Stoppa / Sinopse: Em meio à expansão das ferrovias no Oeste americano, uma mulher e três homens com motivações distintas se enfrentam em uma trama de vingança, ambição e transformação histórica. 

Erick Steve. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Rajadas de Ódio

Rajadas de Ódio
Muitas vezes a paz é simplesmente impossível. Isso é o que tenta mostrar o excelente western "Rajadas de Ódio". Na trama somos apresentados a Johnny MacKay (Alan Ladd) que é enviado pelo presidente Grant para uma região remota do Oeste com o objetivo de pacificar o local. Para isso ele deve usar de todos os meios diplomáticos possíveis, inclusive procurando pessoalmente o chefe rebelde conhecido como "Capitão Jack" (Charles Bronson). Os problemas começam logo na viagem aonde sua diligência é atacada e uma das passageiras, uma senhora inocente, é morta covardemente por um dos homens de Jack.

A partir daí as coisas parecem ir de mal a pior. Embora com toda a boa vontade do mundo Johnny enfrentará muitas dificuldades em alcançar a paz simplesmente porque esse não é o desejo do Capitão Jack e seu bando de Apaches selvagens. Quando uma das partes não aceita e nem quer a paz ela se torna simplesmente impossível. Uma das coisas mais corajosas de "Rajadas de Ódio" é o fato de seu roteiro ser extremamente bem intencionado, pacifista, muito ideológico, algo que realmente chama a atenção em um faroeste da década de 1950.

O elenco é liderado pelo sempre correto Alan Ladd. Seu personagem, um delegado de paz, vem bem a calhar aos tipos que Ladd geralmente interpretava em seus filmes. Ele sempre aparecia em cena como o bom Cowboy, de boa índole e coração de ouro mas que na necessidade também sabia usar de suas armas para impor novamente a ordem no local. Esse tipo de personagem faz parte da mitologia do velho oeste em vários filmes, livros e histórias e Alan Ladd encarnava com perfeição esse tipo de "cavalheiro de esporas".

O filme foi dirigido pelo competente Delmer Daves, um diretor que sempre gostei. Fino e elegante fez vários faroestes para os estúdios Warner, todos com muita competência. Pouco tempo depois da realização desse "Rajadas de Ódio" encontraria em Glenn Ford uma grande parceria em westerns de sucesso. Em conclusão indico esse bem intencionado faroeste para os apreciadores de bons roteiros, principalmente os que trazem em seu conteúdo uma mensagem subliminar positiva e edificante. Nesse aspecto a mensagem de "Rajadas de Ódio" tocará fundo nos pacifistas por convicção.


Rajadas de Ódio (Drum Beat, Estados Unidos, 1954) Direção: Delmer Daves / Roteiro: Delmer Daves / Elenco: Alan Ladd, Charles Bronson, Audrey Dalton, Marisa Pavan / Sinopse: Na trama somos apresentados a Johnny MacKay (Alan Ladd) que é enviado pelo presidente Grant para uma região remota do Oeste com o objetivo de pacificar o local. Para isso ele deve usar de todos os meios diplomáticos possíveis, inclusive procurando pessoalmente o chefe rebelde conhecido como "Capitão Jack" (Charles Bronson).

Pablo Aluísio.