terça-feira, 2 de junho de 2026

Alan Ladd e o Western

Alan Ladd e o Western
Ao longo de sua carreira em Hollywood, Alan Ladd tornou-se um dos rostos mais marcantes do cinema de faroeste. Embora tenha alcançado fama inicial em filmes policiais e dramas de suspense durante os anos 1940, foi no western que encontrou alguns de seus papéis mais memoráveis e duradouros. Com sua aparência discreta, voz suave e estilo contido de interpretação, Ladd construiu personagens que se diferenciavam dos heróis expansivos e falantes comuns do gênero. Seus protagonistas costumavam ser homens solitários, marcados por conflitos internos e guiados por um forte senso de honra. Essa combinação ajudou a consolidá-lo como uma das grandes estrelas do western clássico americano.

O filme que melhor simboliza sua contribuição ao gênero é Shane, considerado por muitos críticos um dos maiores faroestes já produzidos. Na obra, Alan Ladd interpreta Shane, um misterioso pistoleiro que chega a uma comunidade de fazendeiros ameaçada por poderosos criadores de gado. O personagem procura abandonar seu passado violento, mas acaba sendo forçado a empunhar novamente as armas para defender os inocentes. A atuação de Ladd, marcada pela serenidade e pelo olhar melancólico, tornou-se referência para gerações de atores. O sucesso do filme foi enorme e sua influência pode ser percebida em inúmeros westerns posteriores, além de obras modernas inspiradas na figura do herói errante.

Antes de “Shane”, Alan Ladd já havia conquistado espaço no gênero com produções como Whispering Smith, no qual interpretou um agente ferroviário encarregado de combater o crime no Velho Oeste. O filme destacou-se por apresentar um herói mais humano e vulnerável do que os tradicionais cowboys invencíveis da época. Outro trabalho importante foi Branded, onde viveu um aventureiro envolvido em uma trama de identidade falsa e disputas por herança. Esses filmes ajudaram a definir a imagem de Ladd como um protagonista sério e determinado, capaz de transmitir emoções profundas sem recorrer a exageros.

Durante a década de 1950, o ator continuou participando de produções de destaque, como Saskatchewan, ambientado na fronteira canadense, e Drum Beat, dirigido por Delmer Daves. Nessas obras, Ladd mostrou versatilidade ao interpretar personagens envolvidos em conflitos entre colonos, militares e povos indígenas. Embora muitos westerns da época seguissem fórmulas tradicionais, seus filmes frequentemente procuravam apresentar dilemas morais mais complexos e personagens menos simplistas. Isso contribuiu para que sua filmografia fosse respeitada tanto pelo público quanto pelos estudiosos do gênero.

A importância de Alan Ladd para o western permanece evidente até os dias atuais. Seu estilo econômico de atuação influenciou inúmeros intérpretes e ajudou a moldar o arquétipo do pistoleiro silencioso que se tornaria tão popular nas décadas seguintes. Filmes como “Shane” continuam sendo exibidos, estudados e admirados por amantes do cinema em todo o mundo. Ao lado de nomes como John Wayne, Gary Cooper e James Stewart, Alan Ladd ocupa um lugar de destaque na história do faroeste americano, sendo lembrado como um dos artistas que melhor representaram os valores de coragem, justiça e integridade que marcaram a era de ouro do western hollywoodiano.

Erick Steve. 

Alan Ladd - Saskatchewan (1954)

Alan Ladd - Saskatchewan (1954)
O filme Saskatchewan foi lançado em 30 de julho de 1954, dirigido por Raoul Walsh e estrelado por Alan Ladd, Shelley Winters, J. Carrol Naish, Hugh O'Brian, Robert Douglas e Richard Long. Ambientado nas vastas planícies canadenses da década de 1870, o filme acompanha Tom O'Rourke, um batedor e ex-guia do Exército que procura evitar um conflito sangrento entre colonos brancos, a Polícia Montada do Canadá e tribos indígenas. Em meio a crescentes tensões na região de Saskatchewan, O'Rourke tenta mediar os interesses de diferentes grupos, enfrentando preconceitos, ambições políticas e ameaças de guerra. A trama é inspirada livremente nos acontecimentos que cercaram a Rebelião do Noroeste, embora tome diversas liberdades históricas. O filme combina aventura, ação e drama de fronteira. A paisagem canadense desempenha papel importante na narrativa, oferecendo um cenário grandioso para a história. Alan Ladd interpreta um herói típico dos faroestes da época: corajoso, diplomático e determinado. Assim, Saskatchewan apresenta um western diferenciado por seu cenário canadense e sua abordagem dos conflitos entre culturas.

Quando foi lançado, Saskatchewan recebeu uma recepção crítica moderadamente positiva. O The New York Times destacou a beleza visual da produção e observou que o filme oferecia “aventura sólida em um cenário pouco explorado pelos westerns americanos”. Já o Los Angeles Times elogiou a direção de Raoul Walsh, ressaltando sua habilidade em conduzir cenas de ação e paisagens épicas. A revista Variety comentou que o filme era “um western vigoroso e bem produzido, beneficiado pela presença confiável de Alan Ladd”. Muitos críticos elogiaram as filmagens em locações naturais e a fotografia em Technicolor. No entanto, alguns apontaram que a história seguia fórmulas tradicionais do gênero e não aprofundava suficientemente seus temas históricos. A atuação de Alan Ladd foi considerada eficiente e consistente com sua imagem de astro do western. A crítica geral viu o filme como entretenimento de qualidade, ainda que não revolucionário. Dessa forma, a recepção inicial foi favorável, sem atingir níveis de aclamação.

Nos anos seguintes, Saskatchewan passou a ser visto como uma produção representativa da fase madura dos westerns da década de 1950. Embora não tenha recebido indicações importantes ao Oscar ou ao Globo de Ouro, o filme conquistou respeito entre admiradores do gênero. Críticos posteriores destacaram a tentativa de apresentar os povos indígenas de maneira relativamente mais equilibrada do que muitos westerns produzidos anteriormente. Publicações especializadas em cinema clássico frequentemente mencionam o longa como um dos trabalhos sólidos de Raoul Walsh durante esse período. A direção dinâmica, a fotografia colorida e as cenas de batalha continuam sendo aspectos elogiados. Alguns estudiosos observam que o filme reflete as mudanças graduais que o gênero western começava a experimentar em relação à representação histórica. Assim, embora não seja considerado uma obra-prima, Saskatchewan conquistou uma reputação respeitável entre os fãs do cinema de fronteira. Sua avaliação crítica tornou-se ligeiramente mais positiva com o passar do tempo.

Do ponto de vista comercial, Saskatchewan teve um desempenho satisfatório nas bilheterias. Produzido pela Universal Pictures, o filme beneficiou-se da popularidade de Alan Ladd, que era uma das maiores estrelas do gênero western na época. O público respondeu bem à combinação de ação, romance e aventura histórica. As belas locações e o uso do Technicolor ajudaram a atrair espectadores. Embora não tenha figurado entre os maiores sucessos do ano, o longa gerou receita suficiente para ser considerado um resultado positivo para o estúdio. O filme também encontrou audiência em mercados internacionais, especialmente em países onde os westerns americanos eram extremamente populares. Posteriormente, exibições televisivas contribuíram para ampliar seu alcance. Assim, o desempenho comercial confirmou o apelo duradouro de Alan Ladd junto ao público. O filme consolidou-se como uma produção bem-sucedida dentro de seu segmento.

Atualmente, Saskatchewan é lembrado como um western clássico competente e visualmente atraente. Embora não possua a mesma fama de obras maiores do gênero, continua sendo apreciado por colecionadores, historiadores do cinema e admiradores de Alan Ladd. A direção segura de Raoul Walsh e a fotografia colorida permanecem entre os aspectos mais valorizados. O filme também desperta interesse por apresentar um raro western ambientado no Canadá, fugindo do cenário tradicional do Velho Oeste americano. Críticos modernos reconhecem suas limitações narrativas, mas elogiam seu ritmo eficiente e sua produção caprichada. A atuação de Alan Ladd continua sendo vista como um exemplo típico de seu estilo elegante e carismático. Dessa forma, o longa preserva uma reputação sólida entre os clássicos do gênero. Saskatchewan permanece uma obra interessante para quem aprecia os grandes westerns dos anos 1950.

Pacto de Honra (Saskatchewan, Estados Unidos, 1954) Direção: Raoul Walsh / Roteiro: Gil Doud e Frank Davis, baseado em história de Gil Doud / Elenco: Alan Ladd, Shelley Winters, J. Carrol Naish, Hugh O'Brian, Robert Douglas e Richard Long / Sinopse: Um batedor tenta evitar uma guerra entre colonos, a Polícia Montada do Canadá e tribos indígenas nas fronteiras canadenses do século XIX, enfrentando intrigas políticas e conflitos culturais.

Erick Steve. 

Pacto de Honra

Título no Brasil: Pacto de Honra
Título Original: Saskatchewan
Ano de Produção: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Raoul Walsh
Roteiro: Gil Doud
Elenco: Alan Ladd, Shelley Winters, J. Carrol Naish, Hugh O'Brian, Robert Douglas, George J. Lewis

Sinopse:
A história do filme se passa em 1877, na fronteira entre Canadá e Estados Unidos. Thomas O'Rourke (Alan Ladd), um oficial da fronteira, se revolta contra um superior sem qualificação para o cargo, por causa de rotas usadas por nativos hostis.

Comentários:
Um faroeste diferente dos anos 50, todo filmado nas belas reservas naturais de Alberta, Canadá. Na época a grande maioria dos filmes de western eram rodados no rancho da Universal em Los Angeles mesmo. Então foi uma produção bem mais cara e ambiciosa do que o habitual. Alan Ladd, como de costume, interpretou um protagonista injustiçado, nunca compreendido totalmente. Ele gostava de interpretar personagens assim, um tanto torturados, com problemas que não conseguia lidar completamente. O filme, como era de se esperar, tem uma linda fotografia, com as belas montanhas e paisagens do inverno canadense ao fundo. Um colírio para os olhos dos cinéfilos. Não é tão movimentado em termos de ação, mas traz um interessante jogo psicológico entre o personagem de Ladd e seu superior. Um bom filme, hoje pouco lembrado.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O Caçador de Peles Vermelhas

Esse filme nunca foi lançado oficialmente nos cinemas no Brasil. Uma pena pois é uma produção das mais interessantes que explora a figura dos nativos americanos. Após serem derrotados nas chamadas guerras indígenas (aquelas onde o General Custer foi morto por guerreiros de Cachorro Louco e Touro Sentado), muitas tribos foram tiradas de suas terras e enviadas para desertos hostis onde não existiam caças, plantações e meios de vida. Subjugados, muitos índios, principalmente os mais jovens e fortes, não aceitaram essa situação, entrando em guerra novamente contra o homem branco. Essa produção, também conhecida nos Estados Unidos como "Dan Candy's Law" mostra um desses jovens guerreiros que revoltados com sua situação e de sua gente resolve se insurgir contra os soldados americanos. Ele foge da reserva e começa um reinado de terror, até que um grupo de homens, caçadores de recompensas, é enviado para caçar os nativos revoltosos. 

O filme é dos anos 70 e apresenta uma boa produção. A direção ficou a cargo de um cineasta canadense, Claude Fournier, que trouxe um certo ritmo mais cadenciado ao filme, como se fosse um western americano dirigido por um francês! Donald Sutherland lidera o elenco. Com seus grandes olhos de peixe morto ele dá muita frieza e crueldade ao seu personagem, algo até bem adequado para a proposta desse faroeste. Então é isso, caso se depare com esse pouco conhecido western não deixe de conferir. Vale a pena.

O Caçador de Peles Vermelhas (Alien Thunder, Estados Unidos, Canadá, 1974) Direção: Claude Fournier / Roteiro: George Malko / Elenco: Donald Sutherland, Gordon Tootoosis, Chief Dan George / Sinopse: O ex-caçador de recompensas e agora sargento da cavalaria Dan Candy (Donald Sutherland) é designado para caçar e matar índios fugitivos. Ele está disposto a matar todo pele vermelha que encontrar em seu caminho. Filme baseado em fatos históricos reais.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Geronimo – Uma Lenda Americana

A conquista do oeste americano também foi um grande choque de civilizações. De um lado o branco, muito mais avançado do ponto de vista tecnológico, procurando expandir suas conquistas territoriais e do outro o nativo americano, ainda em um estágio mais primitivo, porém não menos forte e bravo. Por anos o conflito entre o colonizador e os grupos indígenas se prolongou dentro dos territórios mais distantes da jovem nação americana mas aos poucos as grandes tribos entraram em acordo com o governo americano. Eles desistiam das guerras em troca de lugares pacíficos para viver. Assim grandes nações de sioux, apaches, comanches e demais etnias foram enviadas para reservas determinadas por Washington. Nem todos porém resolveram abaixar suas armas. Pequenos grupos seguiram em frente contra o invasor branco, causando prejuízos e baixas entre a cavalaria americana. Muitas vezes adotando táticas de guerrilhas eles mantiveram a chama acesso dos antigos guerreiros.

Um dos mais famosos combatentes nesse período foi o líder Apache Geronimo. Ele liderou um grupo de bravos guerreiros que se recusavam a abaixar a cabeça para o exército branco. Por anos lutaram nas regiões mais hostis do velho oeste contra o usurpador de terras vindo do leste. A história desse apache rebelde é justamente o tema desse western “Geronimo – Uma Lenda Americana”. Contando com um excelente elenco, incluindo os consagrados Gene Hackman e Robert Duvall, o roteiro mostrava os fatos históricos que cercaram Geronimo sob o olhar e a visão de um jovem tenente da cavalaria americana, Charles Gatewood (Jason Patric) que é enviada para a região mais conflituosa do oeste americano, justamente o local onde Geronimo e seu grupo de guerreiros se tornavam mais presentes e ativos. O filme tem uma bela reconstituição histórica, com um roteiro que procura ser fiel aos fatos reais sem que com isso se torne chato ou enfadonho. Para quem gosta de conhecer um pouco mais da verdadeira história da conquista do oeste americano esse filme é mais do que recomendado.

Geronimo – Uma Lenda Americana (Geronimo: An American Legend, Estados Unidos, 1993) Direção: Walter Hill / Roteiro: John Milius / Elenco: Jason Patric, Gene Hackman, Robert Duvall, Wes Studi / Sinopse: Jovem tenente da cavalaria americana é enviado para um forte distante do oeste americano onde terá que enfrentar o lendário guerreiro apache conhecido como Geronimo. Filme baseado em fatos reais.

Pablo Aluísi.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Os Astros: Randolph Scott

Os Astros: Randolph Scott
Randolph Scott foi um dos maiores nomes do cinema western clássico e tornou-se um símbolo das produções de faroeste produzidas por Hollywood entre as décadas de 1930 e 1960. Nascido em 1898, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, Scott inicialmente não planejava seguir carreira artística. Durante a juventude, trabalhou em diversas atividades e serviu no Exército americano durante a Primeira Guerra Mundial. Posteriormente, mudou-se para a Califórnia, onde acabou entrando em contato com a indústria cinematográfica que crescia rapidamente em Hollywood. Alto, elegante e dono de forte presença física, Randolph Scott chamou atenção dos produtores de cinema e começou a conquistar pequenos papéis nos anos finais do cinema mudo. Sua aparência clássica de herói americano logo o transformou em ator ideal para filmes de aventura e westerns. Durante os primeiros anos da carreira, trabalhou ao lado de grandes estrelas da época e participou de produções de diversos gêneros antes de se especializar definitivamente no faroeste. Scott desenvolveu uma imagem de homem honesto, corajoso e silencioso, características que se tornariam marcas registradas de seus personagens. Ao longo de mais de três décadas de carreira, ele ajudou a consolidar a popularidade do western como um dos gêneros mais importantes do cinema americano.

Nos anos 1930 e 1940, Randolph Scott tornou-se presença constante em produções de faroeste produzidas pelos grandes estúdios de Hollywood. Filmes como Jesse James, Virginia City e The Desperadoes ajudaram a fortalecer sua reputação junto ao público. Scott possuía um estilo de atuação mais contido do que outros astros da época, transmitindo autoridade e serenidade mesmo nos momentos de maior tensão dramática. Seu jeito calmo diante do perigo combinava perfeitamente com os heróis do Velho Oeste retratados no cinema clássico americano. Ao contrário de personagens exageradamente explosivos, seus protagonistas geralmente demonstravam firmeza moral e senso de justiça. Randolph Scott também trabalhou ao lado de importantes diretores e atores do período dourado de Hollywood. Embora tenha participado de filmes de guerra, aventuras e dramas, foi no western que encontrou seu verdadeiro espaço artístico. O público passou a associar imediatamente sua imagem aos vastos desertos, cidades fronteiriças e confrontos armados típicos do Oeste americano. Sua popularidade cresceu especialmente entre espectadores que admiravam histórias de coragem, honra e individualismo. Scott transformou-se em um dos rostos mais reconhecidos do gênero western durante os anos de ouro do cinema americano.

A fase mais elogiada da carreira de Randolph Scott ocorreu durante os anos 1950, quando ele realizou uma série de westerns considerados clássicos ao lado do diretor Budd Boetticher. Essa parceria produziu filmes extremamente respeitados pelos críticos e admirados até hoje pelos fãs do gênero. Obras como Ride Lonesome, Seven Men from Now e Comanche Station apresentavam narrativas mais psicológicas e personagens moralmente complexos. Nesses filmes, Scott interpretava homens experientes, marcados pelo passado e frequentemente movidos por vingança, dever ou solidão. A parceria entre ator e diretor ficou conhecida pela atmosfera seca, pelos diálogos econômicos e pelas paisagens grandiosas do Oeste americano. Muitos historiadores do cinema consideram esses trabalhos alguns dos melhores westerns já produzidos. Randolph Scott conseguia transmitir profundidade emocional com poucos gestos e expressões discretas, algo que aumentava ainda mais o impacto de seus personagens. Sua figura elegante montando cavalos em cenários desérticos tornou-se uma das imagens mais clássicas do western americano. Esses filmes influenciaram diretamente gerações posteriores de diretores e atores especializados no gênero.

Apesar da enorme fama nas telas, Randolph Scott sempre manteve vida pessoal relativamente discreta em comparação com outras celebridades de Hollywood. Diferentemente de muitos astros do período, evitava escândalos públicos e raramente aparecia envolvido em grandes polêmicas da imprensa. Durante muitos anos, existiram rumores e especulações sobre sua vida privada, especialmente devido à amizade extremamente próxima com o ator Cary Grant, com quem dividiu residência durante parte da juventude em Hollywood. Entretanto, Scott preferia manter sua intimidade distante dos holofotes. Além do cinema, demonstrou grande habilidade como investidor e homem de negócios, acumulando fortuna considerável fora das telas. Essa independência financeira permitiu que escolhesse seus projetos com maior liberdade ao longo da carreira. Nos anos finais como ator, Randolph Scott passou a reduzir gradualmente sua participação no cinema, encerrando sua trajetória artística no início da década de 1960. Seu último filme foi Ride the High Country, dirigido por Sam Peckinpah, considerado uma despedida simbólica da era clássica do western. A produção tornou-se um marco importante na transição entre os westerns tradicionais e os filmes mais violentos e realistas que surgiriam posteriormente. Scott aposentou-se do cinema mantendo enorme respeito dentro da indústria.

Randolph Scott faleceu em 1987, aos 89 anos, deixando um legado profundamente ligado à imagem clássica do cowboy do cinema americano. Sua carreira atravessou importantes transformações em Hollywood, desde o cinema em preto e branco até o surgimento das produções modernas dos anos 1960. Embora nunca tenha recebido prêmios importantes como o Oscar, Scott conquistou reconhecimento duradouro entre críticos, historiadores e admiradores do western. Seu estilo sóbrio e elegante ajudou a definir o arquétipo do herói silencioso que influenciaria diversos atores posteriores, incluindo nomes famosos do faroeste italiano e do cinema de ação americano. Muitos de seus filmes continuam sendo exibidos em canais especializados e estudados por fãs do gênero western. Randolph Scott representava valores tradicionais frequentemente associados ao Velho Oeste cinematográfico, como honra, coragem, disciplina e independência. Sua presença nas telas transmitia autoridade natural sem necessidade de exageros dramáticos. Até hoje, ele permanece como uma das figuras mais respeitadas da história do faroeste hollywoodiano. Sua contribuição para o cinema ajudou a transformar o western em um dos gêneros mais populares e influentes do século XX. O nome de Randolph Scott continua eternamente ligado à era dourada dos grandes cowboys de Hollywood.

Império da Desordem

Título no Brasil: Império da Desordem
Título Original: The Desperadoes
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Charles Vidor
Roteiro: Robert Carson
Elenco: Randolph Scott, Glenn Ford, Claire Trevor, Evelyn Keyes, Edgar Buchanan

Sinopse:
O filme The Desperadoes acompanha o xerife Cheyenne Rogers, responsável por manter a ordem em uma cidade do Velho Oeste aparentemente tranquila. Seu antigo amigo, o fora da lei Johnny Corral, chega à região planejando um grande assalto a banco junto de sua quadrilha. Dividido entre a amizade e o dever, o xerife tenta impedir que Corral mergulhe ainda mais no crime, enquanto a tensão entre os dois cresce rumo a um inevitável confronto. Em meio a perseguições, tiroteios e rivalidades, a cidade torna-se palco de disputas entre justiça e lealdade pessoal.

Comentários:
The Desperadoes é lembrado como o primeiro faroeste produzido pela Columbia Pictures em Technicolor, algo que ajudou a destacar visualmente a produção em uma época dominada por westerns em preto e branco. O filme reúne dois importantes nomes do gênero: Randolph Scott, símbolo clássico do herói honrado do Oeste, e Glenn Ford, ainda em ascensão na carreira. A direção de Charles Vidor combina ação, humor e romance de maneira leve e acessível. Embora siga fórmulas tradicionais do western da época, o filme permanece como uma produção divertida e importante dentro da evolução visual dos faroestes hollywoodianos dos anos 1940.

Erick Steve. 

A Bela do Yukon

A Bela do Yukon
Poucos conhecem esse filme de Randolph Scott. É interessante relembrar que Scott não atuou apenas em faroestes ao longo da carreira. Ele também se saiu muito bem nos chamados "filmes de champagne" (como os críticos da época costumavam dizer). Essas eram produções mais refinadas, geralmente passadas na alta classe, com roteiros românticos, mas ao mesmo tempo leves. Uma espécie de novela do antigo cinema americano. Pois bem, aqui há a fusão desses dois estilos: o western e a trama mais sofisticada. O personagem central nem é o interpretado por Randolph Scott. Ele é o dono da casa de shows de variedades de uma cidadezinha do velho oeste. Ele chegou nesse lugar depois de ter problemas legais em Seattle. Com fama de trambiqueiro acabou precisando ir embora. Na nova cidade acabou se dando bem, montando seu saloon que também funcionava como cassino e casa de shows com muitas garotas dançando ao estilo francês.

Uma delas é Belle De Valle (Gypsy Rose Lee); No começo ela finge não conhecer Honest John Calhoun (Randolph Scott), mas na verdade são velhos conhecidos, mais do que isso, amantes de outros tempos. O roteiro assim vai se desenvolvendo, mostrando vários números musicais e um ou outro momento de ação. Não há tiroteios ou duelos. Logo no começo do filme vem um aviso muito bem humorado informando aos espectadores que aquele não seria um faroeste de tiros e perseguições a cavalo. É na verdade até mesmo uma comédia de costumes, mostrando a vida nessa cidadezinha. O mais divertido é que em determinado ponto o personagem de Randolph Scott resolve abrir um banco na cidade! Logo ele que sempre foi acusado de enganar os outros em seu passado! O absurdo vem depois quando sua agência é assaltada por ninguém menos do que o próprio xerife da cidade! Tudo bem divertido. No geral é um filme de que gostei bastante. A produção não é classe A porque o filme foi rodado durante a II Guerra e os estúdios já não tinham os mesmos recursos de antes, mas nada consegue atrapalhar esse filme champagne saboroso passado no velho oeste americano.

A Bela do Yukon (Belle of the Yukon, Estados Unidos, 1944) Direção: William A. Seiter / Roteiro: Houston Branch, James Edward Grant / Elenco: Randolph Scott, Gypsy Rose Lee, Dinah Shore / Sinopse: Randolph Scott interpreta um cowboy que resolve dar no pé de sua cidade Seattle após alguns problemas com a lei. Ele é considerado um sujeito pouco honesto, dado a pequenos tranbiques. Na nova cidade ele resolve montar uma casa de shows e variedades, assumindo uma nova identidade, Honest John Calhoun. Tudo caminha bem até a chegada da bailarina Belle De Valle (Gypsy Rose Lee) que conhece muito bem o passado nada lisonjeiro e honesto de Calhoun. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Música original ("Sleighride in July" de Jimmy Van Heusen e Johnny Burke) e Melhor Trilha Incidental (Arthur Lange).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Dia Voltarei

Título no Brasil: Um Dia Voltarei
Título Original: Flame of Barbary Coast
Ano de Lançamento: 1945
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: Joseph Kane
Roteiro: Borden Chase, Prescott Chaplin
Elenco: John Wayne, Ann Dvorak, Joseph Schildkraut

Sinopse:
Em San Francisco, no crepúsculo do velho oeste, um cowboy chamado Duke Fergus (John Wayne) se apaixona por uma bela dançarina e cantora de saloon conhecida como Ann 'Flaxen' Tarry (Ann Dvorak). Só que conquistar seu coração não vai ser tão fácil pois ele terá que disputá-la contra o magnata corrupto Tito Morell (Joseph Schildkraut). Filme indicado ao Oscar nas categoria de Melhor Som e Melhor Música Original (R. Dale Butts e Morton Scott). 

Comentários:
A Segunda Guerra Mundial estava chegando ao seu final quando John Wayne decidiu voltar aos filmes de faroeste. Só que dessa vez ele optou por um roteiro bem leve, quase uma comédia romântica passada nos tempos do velho oeste. Nada de muita ação envolvida, a história se concentrava mais nessa cantora e bailarina, cujo coração era disputada por dois homens, um magnata rico e sem escrúpulos e o cowboy de Wayne, trabalhador, de bom coração, muito ético e tudo mais. O fato curioso é que o próprio Wayne escolheu a atriz que iria trabalhar nesse papel da dançarina de saloon. E ele escolheu Ann Dvorak. Os críticos da época do lançamento original do filme criticaram a escolha pois ela já tinha passado da idade certa para interpretar essa personagem. Para Wayne isso entretanto era irrelevante. Ele estava interessado mesmo em seus talentos como cantora e dançarina. E nesse aspecto a veterana realmente não deixou nada a desejar. 

Pablo Aluísio.

Quando a Mulher se Atreve

Título no Brasil: Quando a Mulher se Atreve
Título Original: In Old Oklahoma
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures 
Direção: Albert S. Rogell
Roteiro: Thomson Burtis, Ethel Hill
Elenco: John Wayne, Martha Scott, Albert Dekker

Sinopse:
Em 1906, nas terras indígenas de Oklahoma, um cowboy chamado Daniel F. Somers (John Wayne) luta pelos seus direitos de arrendamento de um rancho contra um ganancioso empresário que deseja suas terras, pois há petróleo em seu subsolo. Enquanto a disputa se desenvolve, uma linda professora rouba os corações de ambos os inimigos.

Comentários:
Era para ser mais um faroeste de rotina na carreira de John Wayne, mas houve algumas mudanças interessantes. A produção decidiu filmar tudo no deserto de Utah, ao invés da Califórnia onde seus filmes anteriores tinham sido feitos. Isso trouxe uma bela fotografia ao filme como um todo. Era uma região diferente, com belas paisagens. Outras surpresas viriam. Os críticos gostaram do filme e teceram elogios e o filme acabou sendo indicado ao Oscar em duas categorias. Eram indicações bem inustiadas em se tratando de um western. Foi indicado na categoria de melhor som, pois se usou um equipamento de captação novo na época e melhor música. Acabou sendo um caso raro de filme de faroeste indicado por sua trilha sonora. Quem poderia imaginar?

Pablo Aluísio.