terça-feira, 8 de setembro de 2026

O Rebelde Orgulhoso (1958)

O Rebelde Orgulhoso (1958)
O Rebelde Orgulhoso, título brasileiro de The Proud Rebel, foi lançado nos Estados Unidos em 1º de julho de 1958, sob a direção do lendário Michael Curtiz, responsável por clássicos como Casablanca, Mildred Pierce e The Adventures of Robin Hood. A produção foi realizada por Samuel Goldwyn Jr., através da Formosa Productions, e teve roteiro de Joseph Petracca e Lillie Hayward, baseado na história Journal of Linnett Moore, de James Edward Grant. O elenco reuniu Alan Ladd, Olivia de Havilland, Dean Jagger, David Ladd, Cecil Kellaway e James Westerfield, com o jovem David Ladd, filho de Alan Ladd, recebendo destaque especial.  A história se passa pouco depois do fim da Guerra Civil Americana. O ex-soldado confederado John Chandler retorna ao Sul e descobre que sua casa foi destruída, sua esposa morreu e seu filho pequeno, David, ficou traumatizado depois de testemunhar a tragédia. O menino perdeu completamente a capacidade de falar e seu pai decide levá-lo para o Norte, procurando um médico que possa ajudá-lo. Durante a viagem, Chandler chega a uma pequena comunidade de Illinois e acaba envolvido em um conflito que termina com sua prisão. Uma fazendeira viúva chamada Linnett Moore, interpretada por Olivia de Havilland, paga sua fiança e oferece-lhe trabalho em sua propriedade. Chandler aceita a proposta para conseguir dinheiro e continuar procurando ajuda para o filho, mas a convivência com Linnett e os habitantes da região obriga o antigo confederado a enfrentar o preconceito contra os sulistas derrotados. Aos poucos, o relacionamento entre pai, filho e a determinada fazendeira transforma a jornada de sobrevivência em uma história de reconstrução emocional.

A reação da crítica americana foi predominantemente positiva, especialmente em relação ao aspecto humano da história e às interpretações. A Variety classificou o filme como um "suspenseful and fast-action post-Civil War yarn", destacando que as caracterizações eram um dos principais pontos fortes e que a atuação do jovem David Ladd era especialmente atraente. O The New York Times, através do crítico A. H. Weiler, foi igualmente favorável e chamou a produção de um drama "genuinely sentimental but often moving", além de classificá-la como um "honestly heartwarming drama". Weiler observou que o filme estava mais interessado em revelar a personalidade dos personagens do que em apresentar violência e tiroteios, uma escolha incomum para um western da época. O crítico, porém, apontou algumas irregularidades: considerou que a história era desenvolvida de maneira desigual, que o ritmo diminuía em determinados momentos e que o final feliz podia ser previsto com bastante antecedência. Ainda assim, Weiler considerou essas falhas secundárias diante da força emocional do conjunto. A crítica americana valorizou especialmente a relação entre Alan Ladd e seu filho, que produzia uma dimensão de autenticidade familiar difícil de obter em um filme desse tipo. Olivia de Havilland também recebeu elogios por interpretar uma mulher independente e endurecida pelas circunstâncias, bem diferente das tradicionais heroínas frágeis dos westerns. O resultado foi visto como um faroeste sentimental, mas sincero, capaz de combinar aventura com um estudo de personagens.

Na Europa, The Proud Rebel recebeu uma recepção geralmente favorável, embora tenha permanecido mais conhecido entre os admiradores do western americano do que entre os grandes círculos da crítica. No Reino Unido, o filme chegou aos cinemas em outubro de 1958, enquanto na França recebeu o título Le Fier Rebelle, mantendo a ideia de orgulho e resistência presente no título original.  Na Itália, foi lançado como L'orgoglioso ribelle, e avaliações posteriores do Morandini o classificaram como um western de "bons sentimentos", destacando justamente a redução da violência e a interpretação de Alan Ladd. A produção também despertou interesse por apresentar uma perspectiva menos convencional sobre o período posterior à Guerra Civil. Em vez de concentrar a narrativa em vingança, duelos e confrontos entre Norte e Sul, o filme procura mostrar as dificuldades enfrentadas por pessoas que tentavam reconstruir suas vidas depois da derrota confederada. Essa característica provavelmente contribuiu para sua boa aceitação entre espectadores europeus interessados nos westerns mais dramáticos e humanistas. O filme, entretanto, não alcançou o mesmo impacto internacional de grandes produções do gênero. Também não recebeu indicações ao Oscar, mas a atuação de David Ladd chamou atenção durante a temporada de premiações. No Globo de Ouro de 1959, o jovem ator recebeu uma indicação como Melhor Ator Coadjuvante e também venceu um Prêmio Especial como melhor ator juvenil. Ele ainda recebeu uma Medalha de Ouro Especial do Photoplay Awards, consolidando-se como uma das grandes revelações juvenis de Hollywood naquele período.

Com orçamento estimado em US$ 1,6 milhão, The Proud Rebel foi uma produção independente de Samuel Goldwyn Jr., que teve dificuldades para conseguir financiamento de estúdios e acabou financiando pessoalmente o filme, antes de vender os direitos de distribuição doméstica para a Buena Vista. A própria documentação da AFI registra que Goldwyn originalmente procurou financiamento de aproximadamente US$ 1,2 milhão, mas decidiu assumir pessoalmente um orçamento maior para conseguir realizar o projeto como desejava. Não há números de bilheteria mundial confiáveis e amplamente documentados que permitam estabelecer uma renda total sem recorrer a estimativas pouco seguras. O filme teve, contudo, uma distribuição comercial significativa nos Estados Unidos e posteriormente em diversos mercados internacionais. O nome de Alan Ladd era naturalmente um dos principais atrativos, especialmente depois do sucesso de Shane, e a presença de Olivia de Havilland acrescentava enorme prestígio ao elenco. O público também parece ter respondido positivamente ao aspecto sentimental da história, particularmente à relação entre John e seu filho. A avaliação atual do IMDb está em torno de 7,1/10, enquanto o Rotten Tomatoes apresenta 67% de aprovação da crítica, embora baseado em apenas uma avaliação crítica registrada. Os espectadores que comentam a produção frequentemente destacam a atuação de David Ladd, a fotografia das paisagens de Utah e o caráter emocional do relacionamento entre pai e filho. Assim, mesmo sem se transformar em um fenômeno de bilheteria comparável a grandes westerns da década, o filme conseguiu cumprir sua função como drama de época e permaneceu suficientemente popular para sobreviver à passagem do tempo.

Atualmente, The Proud Rebel é considerado por muitos admiradores do western clássico um filme subestimado dentro da carreira de Alan Ladd. Não possui o mesmo prestígio de Shane, mas apresenta uma proposta bastante diferente e, em alguns aspectos, mais íntima. A direção de Michael Curtiz evita transformar a história em uma sucessão de tiroteios e concentra-se na reconstrução emocional de uma família destruída pela guerra. A atuação de David Ladd continua sendo um dos elementos mais lembrados da produção, especialmente porque o silêncio de seu personagem exige que grande parte das emoções seja transmitida por expressões e gestos. A relação entre Ladd e Olivia de Havilland também é tratada de maneira relativamente madura para os padrões do western familiar dos anos 1950. O filme apresenta ainda uma perspectiva interessante sobre as divisões entre Norte e Sul, mostrando um ex-confederado vivendo em território nortista e enfrentando desconfiança, preconceito e hostilidade. O Turner Classic Movies destaca justamente a longa história de desenvolvimento do projeto por Samuel Goldwyn Jr., que trabalhou durante anos para levar a história às telas. A produção também ganhou uma curiosa segunda vida no cinema indiano: em 1964, o ator e diretor Kishore Kumar realizou Door Gagan Ki Chhaon Mein, inspirado na história de pai e filho do filme americano. Dessa maneira, The Proud Rebel permanece como um western sentimental, humanista e relativamente pouco violento, valorizado principalmente pelas atuações e pela relação entre seus personagens. Embora não esteja entre os títulos mais famosos de Michael Curtiz ou Alan Ladd, é uma obra que merece atenção justamente por mostrar uma faceta mais emocional do western americano.

O Rebelde Orgulhoso (The Proud Rebel, Estados Unidos, 1958) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Joseph Petracca e Lillie Hayward, baseado na história Journal of Linnett Moore, de James Edward Grant / Elenco: Alan Ladd, Olivia de Havilland, Dean Jagger, David Ladd, Cecil Kellaway e James Westerfield / Sinopse: Após a Guerra Civil, um ex-confederado viaja com o filho traumatizado em busca de um médico, mas acaba trabalhando para uma viúva de Illinois e encontrando naquele lugar a possibilidade de reconstruir sua vida e a do menino.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Encontro com o Diabo (1957)

Encontro com o Diabo (1957)
Encontro com o Diabo, título brasileiro de The Big Land, foi lançado nos Estados Unidos em 23 de fevereiro de 1957, com direção de Gordon Douglas, cineasta que trabalharia em diversos gêneros ao longo de sua carreira, incluindo faroestes, filmes policiais e aventuras. A produção foi realizada pela Jaguar Productions, empresa de Alan Ladd, e distribuída pela Warner Bros., tendo como protagonistas o próprio Alan Ladd, Virginia Mayo e Edmond O'Brien, acompanhados por Anthony Caruso, Julie Bishop, John Qualen e Don Castle. O roteiro foi escrito por David Dortort e Martin Rackin, a partir do romance Buffalo Grass, de Frank Gruber, publicado em 1955. O filme foi rodado em parte nas proximidades de Sonora, na Califórnia, embora sua história se passe principalmente no contexto do Kansas e do Missouri após a Guerra Civil. A narrativa acompanha Chad Morgan, ex-oficial confederado que retorna ao Texas e participa de uma grande condução de gado em direção ao Missouri. Os criadores de gado esperam conseguir bons preços por seus animais, mas encontram um mercado dominado pelo inescrupuloso Brog, que controla o único ponto ferroviário disponível para o transporte da carne. Depois de perceber que não conseguirá prosperar naquele sistema, Chad se une a Joe Jagger, um ex-arquiteto que caiu no alcoolismo, e começa a imaginar uma alternativa. Os dois decidem criar uma nova comunidade no Kansas, ligada à ferrovia, capaz de receber gado e produtos agrícolas. O projeto, porém, ameaça diretamente os interesses de Brog e transforma a construção da nova cidade em uma disputa pela própria sobrevivência.

A recepção da crítica americana foi predominantemente negativa, especialmente entre os principais críticos de jornais e revistas. Bosley Crowther, do The New York Times, foi particularmente duro e escreveu que as expectativas sugeridas pelo título "dribble down the drain", classificando o filme como um faroeste indistinto e criticando a artificialidade tanto da história quanto da atuação de Alan Ladd. Crowther chegou a descrever Ladd como um "pasteboard cutout of the cowboy", uma espécie de figura de papelão do herói que o ator havia interpretado em Shane. A crítica do Los Angeles Times foi igualmente desfavorável, afirmando que o filme era "about as plodding as a western can get and still be called one". A principal reclamação era justamente o ritmo lento, especialmente para um filme que pretendia combinar aventura, conflito de terras, condução de gado e tiroteios. O The New Yorker, entretanto, ofereceu uma crítica mais espirituosa e menos agressiva. John McCarten observou que havia algo relaxante em acompanhar Alan Ladd entre gado, pistoleiros e paisagens do Oeste, mas ironizou a conhecida economia emocional do ator, comparando sua capacidade de não demonstrar sentimentos à de John Wayne. Para McCarten, Ladd permanecia essencialmente um herói de poucas dimensões, embora isso fizesse parte de seu apelo junto ao público. Assim, a crítica americana reconheceu alguns valores de produção e a presença de Ladd, mas considerou o filme convencional demais para se destacar entre os numerosos faroestes produzidos em Hollywood durante os anos 1950.

A recepção internacional também não transformou The Big Land em um clássico do gênero. No Reino Unido, o filme foi lançado com o título Stampeded, uma alteração que procurava enfatizar seu caráter de aventura western e sua história envolvendo uma grande condução de gado. Na França, recebeu o título Les loups dans la vallée, enquanto em outros países europeus também ganhou títulos diferentes, demonstrando a tentativa dos distribuidores de apresentar a produção como um faroeste tradicional de ação. A crítica europeia posterior foi mais interessada em observar o lugar do filme dentro da carreira de Alan Ladd do que em tratá-lo como uma grande realização cinematográfica. Um dos aspectos mais curiosos da produção é que ela foi uma das obras realizadas pela Jaguar Productions, companhia criada por Ladd em 1953, numa tentativa do ator de controlar melhor seus próprios projetos. O filme também possui importância histórica por marcar a estreia cinematográfica dos filhos de Alan Ladd, Alana e David Ladd, embora David tenha se tornado especialmente conhecido no ano seguinte em The Proud Rebel. Outro elemento interessante é a participação de Edmond O'Brien, cuja interpretação de Joe Jagger oferece uma das dimensões mais humanas e descontraídas da produção. Não houve indicações ao Oscar ou ao Globo de Ouro, e The Big Land permaneceu à margem das principais premiações de 1957. Seu reconhecimento posterior veio principalmente de admiradores do faroeste clássico e de estudiosos da carreira de Alan Ladd.

Com duração de aproximadamente 92 minutos, The Big Land era uma produção relativamente enxuta para os padrões dos grandes faroestes americanos dos anos 1950. O orçamento exato não é facilmente encontrado em fontes confiáveis, mas o projeto fazia parte do novo acordo de produção entre a Jaguar Productions de Alan Ladd e a Warner Bros., que previa vários filmes ao longo de alguns anos. A produção teve uma campanha comercial apoiada sobretudo no nome de Ladd, que ainda era associado ao enorme sucesso de Shane, de 1953. O problema era justamente esse: praticamente todos os novos faroestes estrelados pelo ator eram comparados com aquele clássico, e The Big Land não conseguiu alcançar o mesmo impacto. O TCM observa que a comparação com Shane tornou-se inevitável e acabou prejudicando a percepção de vários dos westerns posteriores de Ladd. Não há atualmente um número consolidado e confiável de bilheteria mundial que permita apresentar uma renda total do filme sem correr o risco de reproduzir estimativas frágeis. Entretanto, registros de exibição contemporâneos mostram que a produção teve circulação comercial significativa em várias cidades americanas. O público encontrou aquilo que normalmente esperava de um faroeste de Alan Ladd: cavalgadas, conflitos por terras, gado, romance, vilões violentos e um confronto final. A recepção popular posterior também é moderada: o IMDb registra aproximadamente 6,3/10, enquanto o Rotten Tomatoes apresenta apenas 36% de aprovação crítica, embora a amostragem seja extremamente pequena. Portanto, comercialmente o filme cumpriu sua função como entretenimento de gênero, mas não se transformou em um dos grandes sucessos da carreira de Ladd.

Atualmente, The Big Land é visto principalmente como um faroeste de segunda linha dentro da filmografia de Alan Ladd, mas isso não significa que seja desprovido de interesse. O filme possui uma importância especial para quem deseja acompanhar a fase em que Ladd tentou assumir maior controle sobre sua carreira através da Jaguar Productions. A própria Turner Classic Movies reconhece que, apesar das críticas negativas de Bosley Crowther, admiradores de Ladd e do gênero podem encontrar prazer na produção, particularmente nas cenas de condução de gado e no trabalho do veterano diretor de fotografia John F. Seitz. Seitz havia trabalhado em clássicos como Double Indemnity, The Lost Weekend, Sunset Boulevard e This Gun for Hire, e sua presença dá ao filme uma qualidade visual superior àquela que sua reputação crítica poderia sugerir. Também chama atenção a tentativa de apresentar a construção de uma cidade e de uma nova rota comercial como o verdadeiro objetivo do herói, em vez de simplesmente contar uma história de vingança. Chad Morgan não deseja inicialmente matar seus inimigos; sua experiência na Guerra Civil fez com que rejeitasse a violência. Essa característica dá ao personagem uma dimensão interessante, ainda que o roteiro acabe conduzindo inevitavelmente ao tradicional duelo final. O filme também registra um momento importante da carreira de Alan Ladd, poucos anos depois de Shane e pouco antes de produções como The Proud Rebel e The Badlanders. Assim, embora esteja longe dos grandes clássicos do western, The Big Land permanece uma peça curiosa do cinema de gênero dos anos 1950, especialmente para os admiradores de Ladd e para quem se interessa pela evolução do faroeste americano no período.

Encontro com o Diabo (The Big Land, Estados Unidos, 1957) Direção: Gordon Douglas / Roteiro: David Dortort e Martin Rackin, baseado no livro Buffalo Grass, de Frank Gruber / Elenco: Alan Ladd, Virginia Mayo, Edmond O'Brien, Anthony Caruso, Julie Bishop e John Qualen / Sinopse: Após descobrir que um poderoso comerciante controla o mercado de gado do Missouri, um ex-oficial confederado decide construir uma nova cidade e uma ligação ferroviária no Kansas, enfrentando a violenta reação de seus inimigos.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Homens das Terras Bravas

Homens das Terras Bravas
Depois de trabalhar em “Os Brutos Também Amam” o ator Alan Ladd poderia ter se aposentado do gênero, afinal esse foi um dos mais marcantes filmes de western da história do cinema americano. Depois de fazer algo tão maravilhoso assim ele realmente não precisava mesmo fazer mais nada. Porém para a alegria de seu vasto fã clube o ator resolveu seguir em frente estrelando outros faroestes, mantendo-se fiel ao estilo até o fim de sua carreira. Entre os bons westerns que estrelou esse “Homens das Terras Bravas” é dos mais interessantes. O filme começa com os personagens interpretados por Alan Ladd e Ernest Borgnine presos na famosa prisão de Yuma (sempre citada em filmes de faroeste, basta lembrar do clássico de Glenn Ford). O personagem de Ladd é um engenheiro de minas que foi condenado por ter supostamente roubado uma pepita de ouro numa mina em que trabalhava. Ele alega inocência e diz que tudo foi armação do xerife da cidade que não gostava dele. Já Ernest Borgnine está preso por assassinato. Homem rude, não aceitou levar desaforos para casa. Depois de cumprirem suas penas são finalmente colocados em liberdade.

Peter Van Hoek, vulgo 'The Dutchman' (Alan Ladd) decide voltar então para a cidade onde foi preso. Alega que gosta do local mas na verdade ele tem um plano a seguir em sua mente. Inocente ou não, ele agora quer ir para a desforra e monta um grupo para assaltar a mesma mina em que foi acusado de roubo anos atrás. Para isso conta com a preciosa ajuda de John 'Mac' McBain (Ernest Borgnine), pois afinal já o conhecia da prisão. Completando o trio um especialista em dinamites também entra nos planos do roubo da mina. A idéia é colocar as mãos no ouro, vendê-lo a um homem poderoso da região e saír da cidade o mais rapidamente possível. O problema é que as coisas não saem exatamente conforme foram planejadas.

Filmes sobre roubos sempre mantém o interesse do espectador. Esse aqui se aproveita bem dessa situação. Há o planejamento inicial, a execução do plano e os problemas e adversidades que vão surgindo conforme eles colocam tudo em ação. O personagem de Alan Ladd tem também um atrativo a mais. No começo o espectador é levado a crer em sua inocência, afinal ele jura ser inocente de todas as acusações. Mas conforme o filme avança essa certeza dá lugar a dúvidas sobre seu real caráter. Ladd quase sempre interpretou papéis de homens íntegros, virtuosos nas telas e ver o ator em um personagem assim se torna muito interessante. No final das contas temos aqui uma excelente fusão de gêneros (western e aventura) que certamente não vai decepcionar nem o fã de Alan Ladd e nem muito menos os amantes do gênero. Está bem recomendado.

Homens das Terras Bravas (The Badlanders, EUA, 1958) Direção: Delmer Daves / Roteiro: Richard Collins, baseado na novela de W.R. Burnett / Elenco: Alan Ladd, Ernest Borgnine, Katy Jurado / Sinopse: Após sair da prisão por um crime que jura não ter cometido um engenheiro de minas (Alan Ladd) e um comparsa (Ernest Borgnine) decidem roubar o ouro de uma mina na região seguindo um elaborado plano de ação.

Pablo Aluísio.

O Rebelde Orgulhoso

O Rebelde Orgulhoso 
Aqui temos mais um western clássico. A história se passa após o fim da guerra civil americana. John Chandler (Alan Ladd) se encontra completamente arruinado. Sua fazenda foi queimada pelos ianques, sua esposa foi morta na frente de seu pequeno filho que, traumatizado, nunca mais conseguiu falar. Ex-combatente da confederação, dos estados do sul, ele decide então ir até o norte em busca de uma cura para o garoto. O caminho porém não será fácil, pois ele passa a ser hostilizado por onde passa uma vez que é tratado como “rebelde” apenas por ser sulista, por ter sido um soldado confederado. Na busca por um tratamento para seu filho David (David Ladd), o pai obstinado acaba chegando numa cidadezinha na fronteira entre norte e sul. Lá, como sempre, é alvo de provocações, indo parar na cadeia após trocar socos com uns valentões locais. Tentando lhe ajudar de alguma forma, a fazendeira Lnett Moore (Olivia de Havilland) resolve pagar a fiança em troca do trabalho de Chandler em sua propriedade. O problema é que a fazenda é alvo dos irmãos Burleighs que cobiçam a região para pasto de seu rebanho. Após alguns ataques covardes (onde o bando de bandidos incendeia parte do rancho), Chandler resolve desafiar os criminosos, levando todos para uma disputa final de vida ou morte.

Esse é sem dúvida um dos melhores filmes de western da carreira de Alan Ladd. Com um roteiro que faz lembrar em certos momentos de “Os Brutos Também Amam”, o filme consegue conciliar drama, romance e ação nas doses certas. O ator Alan Ladd novamente incorpora um personagem integro, honrado e honesto que deseja apenas que seu filho volte a falar. Curiosamente o ator mirim David Ladd era de fato o próprio filho do ator, repetindo nas telas aquilo que era na vida real. O garotinho mostra muita desenvoltura em seu papel, criando um vinculo emocional bastante forte com o espectador.

O roteiro é muito bem escrito, e tira proveito de toda a situação com muita eficiência. Para os que gostam de animais, o filme ainda traz um pequeno cão pastor que acaba roubando várias cenas com seu adestramento. A disputa por ele acaba sendo um ponto crucial para todos os personagens na estória. É interessante notar ainda como Alan Ladd foi provavelmente o cowboy mais romântico do western americano em sua fase de ouro no cinema. Todos os seus personagens possuíam algo em comum, pois eram heróis trágicos, errantes, à procura de um lugar para recomeçar a vida (muitas vezes partindo praticamente do zero). O cineasta Michael Curtiz (um dos maiores nomes do cinema clássico americano) soube muito bem aproveitar dessa característica de Ladd aqui, mostrando mais uma vez toda sua elegância e seu talento, em um faroeste realmente muito bom, acima da média. Grande filme. Um belo momento da carreira de Alan Ladd, que aqui surge mais uma vez em sua quintessência.

O Rebelde Orgulhoso (The Proud Rebel, Estados Unidos, 1958) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Joseph Petracca, Lillie Hayward / Elenco: Alan Ladd, Olivia de Havilland, Dean Jagger, David Ladd, Harry Dean Stanton, John Carradine / Sinopse: Após o fim da guerra civil dos Estados Unidos, um ex-soldado confederado se arrisca a ir até o norte em busca de tratamento para seu filho que ficou sem falar após passar por um grande trauma. No caminho acaba se envolvendo numa luta por terras numa pequena cidade na fronteira entre norte e sul.

Pablo Aluísio.

Encontro com o Diabo

Título no Brasil: Encontro com o Diabo
Título Original: The Big Land
Ano de Lançamento: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: Frank Gruber, David Dortort
Elenco: Alan Ladd, Virginia Mayo, Edmond O'Brien, Anthony Caruso, Julie Bishop, John Qualen

Sinopse:
Após a Guerra Civil, a amargura permaneceu entre sulistas e nortistas. A fim de abastecer as cidades do leste com carne bovina, os ex-confederados do Texas levam seus rebanhos para as ferrovias. Depois de uma longa e difícil viagem de gado pelas Bad Lands, o ex-oficial confederado Chad Morgan (Alan Ladd) e seus parceiros chegam a uma ferrovia no Missouri, onde um comprador de gado corrupto e seu grupo de pistoleiros se oferecem para comprar os rebanhos dos texanos por uma quantia irrisória. Não demora muito e uma situação de conflito surge entre todos eles.

Comentários:
Depois do sucesso do filme "Os Brutos Também Amam" o ator Alan Ladd iria retornar ao gênero western, mais cedo ou mais tarde. E o fez em grande estilo com esse filme realmente muito bom. Seu personagem seguia na mesma linha, era um cowboy calmo, cortês, educado, até mesmo fino e elegante ao seu próprio modo, mas que sabia agir com armas de fogo quando isso se tornava necessário. Ele é um criador de gado, homem íntegro e honesto, que acaba tendo que lidar com um bando de facínoras que está obviamente de olho em sua manada. Se der o passo errado e mostrar algum tipo de fraqueza, será morto e seu gado roubado. O roteiro do filme, muito bom aliás, deixa claro que apesar do fim da guerra civil os problemas entre nortistas e sulistas continuavam, pois todos estavam à flor da pele, prestes a explodir em acessos de fúria e violência extrema, ao menor sinal de provocação mútua. Além disso os sulistas se ressentiam demais por terem perdido a guerra, o que tornava tudo ainda mais explosivo. Um excelente filme de western. Ótimo item para se ter em sua coleção pessoal de filmes de faroeste clássico. 

Pablo Aluísio.


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Josey Wales - O Fora da Lei

"Josey Wales - O Fora da Lei" é um clássico faroeste da carreira do ator e diretor Clint Eastwood. Na história temos o protagonista, Josey Wales (Clint Eastwood), um pequeno rancheiro que vive da terra ao lado de sua esposa e seu filho. Sua vida passa por uma tragédia pessoal quando um grupo de soldados da União entra em sua propriedade e mata sua mulher e o garoto pelo simples fato da família ser sulista do Missouri. Não contentes, ainda colocam fogo na casa do rancho. Apunhalado, Josey não consegue salvar sua amada família. Depois de recuperado, entra nas fileiras das tropas confederadas para lutar contra o exército que massacrou seus familiares. Lá cria fama de bom atirador e soldado valente. Ao final da guerra civil fica sem rumo certo. mas não entrega suas armas ao inimigo, o que faz com que seja caçado e procurado por caçadores de recompensas e oficiais do exército americano pelos lugares mais inóspitos do oeste americano."The Outlaw Josey Wales" é um ótimo western, bem acima inclusive de outros faroestes clássicos estrelados por Clint Eastwood. Seu personagem Josey Wales é muito bem escrito. Um veterano confederado que entra na guerra para se vingar das tropas federais. Se negando a se render, ele leva em frente sua própria guerra pessoal contra os soldados da União. O personagem assim funciona como um símbolo do sentimento sulista e confederado dos Estados Unidos, que com muito orgulho jamais aceitou a derrota no conflito mais sangrento da história americana.

Clint Eastwood também capricha na caracterização de seu papel, fazendo um sujeito de poucas palavras. mas rápido no gatilho que tem um hábito horrível, mas muito divertido, de sair cuspindo fumo mascado em todo lugar! Até o pobre cachorrinho que o segue pelo deserto vira alvo! Ao seu lado brilha a honesta interpretação de Chief Dan George que interpreta um velho índio, cansado de guerra, desiludido pelas mentiras contadas pelo homem branco ao longo de todas aquelas décadas. Esse foi o sexto filme dirigido por Clint Eastwood, produzido por sua própria companhia de cinema, a Malpaso Company. Impossível negar que ele já mostra uma maturidade incrível na direção, não deixando o filme cair no marasmo ou no lugar comum em nenhum momento. O roteiro escrito pelo futuro cineasta Philip Kaufman de "Os Eleitos" e "A Insustentável Leveza do Ser", entre outros, certamente ajuda muito para o belo resultado final. É um texto muito bem escrito, com ótimo desenvolvimento, sem qualquer erro em seu enredo. Mesmo cenas mais fortes como a da tentativa de estupro coletivo promovida por um grupo de comancheros em cima da personagem de Sondra Locke (que se tornaria mulher de Clint na vida real) não soam fora do contexto ou desproporcionais. Tudo está em seu devido lugar. Em suma, um grande faroeste que não pode faltar na coleção de nenhum fã do gênero. Clint Eastwood mais uma vez está perfeito no velho oeste. Não deixe de assistir.

Josey Wales - O Fora da Lei
(The Outlaw Josey Wales, Estados Unidos,  1976) Estúdio: Warner Bros, Malpaso Company / Direção: Clint Eastwood / Roteiro: Philip Kaufman, baseado no livro de Forrest Carter / Elenco: Clint Eastwood, Sondra Locke, Chief Dan George, Bill McKinney / Sinopse: Josey Wales é um homem em busca de vingança. Após a morte de sua família, de forma covarde, ele parte para se vingar de todos os que cometeram esse crime. Todos os soldados da União devem pagar. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor música (Jerry Fielding).

Pablo Aluísio.

Os Abutres Têm Fome

Inicialmente o projeto foi desenvolvido pela Universal para ser estrelado pelo casal Richard Burton e Elizabeth Taylor. O problema é que Liz pediu um cachê considerado absurdo pelo estúdio para fazer o filme. Como a Universal não estava disposta a pagar um milhão de dólares para que a atriz interpretasse a freirinha Sara, o filme tomou novos rumos. Saiu Richard Burton e entrou Clint Eastwood, que vinha de uma série de faroestes bem sucedidos ao lado de Sergio Leone. Elizabeth Taylor também foi substituída por Shirley MacLaine, que realmente adorou o roteiro. Penso que foi a escolha ideal, pois dificilmente o público veria Elizabeth Taylor como uma missionária, uma freira, perdida no meio do deserto mexicano. A atriz Shirley MacLaine então assumiu o papel da irmã Sara, que tentando levar a palavra de Cristo aos rincões mais distantes do México acabava ficando no meio do fogo cruzado da guerra que se desenvolvia naquele país. 

De um lado o povo mexicano lutando por sua liberdade, em um movimento rebelde conhecido como "Juanistas". Do outro lado as tropas de ocupação da França, tentando transformar o país em mais uma de suas colônias. Clint Eastwood interpretou um pistoleiro chamado Hogan, que era acima de tudo um mercenário, disposto a vender sua "força de trabalho" a quem pagasse mais. Após fazer um trato com um coronel Juarista, ele entrava no conflito ao lado dos rebeldes. O grande objetivo seria tomar uma importante guarnição francesa na região, usando para isso uma passagem secreta entre um monastério católico e o forte francês. Apesar de toda a trama passada nesse contexto histórico da guerra de libertação do México, o fato é que as melhores cenas de todo o filme se desenvolvem na relação entre a doce freira católica Sara (MacLaine) e o durão e rústico Hogan (Eastwood). Um choque de personalidades diferentes que rende ótimos momentos no filme. Eles se encontram por acaso no meio do deserto e o pistoleiro, mesmo sendo um cara de poucos amigos, resolve ajudar a freirinha. Há ótimos diálogos entre eles, o que ajuda a manter o filme interessante. Como não poderia deixar de ser, há toda uma tensão sexual entre os dois embora isso seja, por causa das convicções religiosas dela, algo impossível de acontecer.

Clint Eastwood e Shirley MacLaine estão excepcionalmente bem no filme, mostrando muito entrosamento e amizade em cena. Anos depois a atriz revelaria que ficara encantada com o México (onde o filme foi rodado), pois apesar da população ser extremamente pobre, era também um povo de muita fé e esperança em um país melhor. O diretor Don Siegel, em mais uma parceria com o ator Clint Eastwood, também se revela uma ótima escolha pois conseguiu equilibrar bem um roteiro bem escrito, baseado na amizade conflituosa entre a freira e o bandoleiro, com boas cenas de ação no final do filme. Fica então mais essa dica, "Os Abutres Têm Fome", mais um bom momento de Clint Eastwood no western.

Os Abutres Têm Fome (Two Mules for Sister Sara, Estados Unidos, 1970) Direção: Don Siegel / Roteiro: Budd Boetticher, Albert Maltz / Elenco: Shirley MacLaine, Clint Eastwood, Manuel Fábregas / Sinopse: Pistoleiro e mercenário (Eastwood) encontra com uma freirinha católica (MacLaine) perdida no meio do deserto e resolve lhe ajudar, bem no meio da guerra de libertação do México da invasão colonial francesa. Filme indicado ao Laurel Awards nas categorias de melhor atriz (Shirley MacLaine) e melhor ator (Clint Eastwood).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

O Romântico Defensor

O Romântico Defensor
Cole Armin (Randolph Scott) é um cowboy texano que vai até a cidade de Albuquerque para trabalhar ao lado de seu tio, John Armin (George Cleveland). um bem sucedido homem de negócios na região. Durante a viagem a diligência onde se encontra é assaltada por uma quadrilha de bandidos. Quando finalmente chega em seu destino acaba descobrindo que seu tio John teve participação no roubo. Em pouco tempo tio e sobrinho entram em choque por causa do crime ocorrido, ficando em lados opostos da lei. "Albuquerque" é um western ao velho estilo onde tudo funciona muito bem. O roteiro é caprichado, bem desenvolvido, criando situações ora mais dramáticas, ora mais bem humoradas. O lado romântico também não é deixado de lado e aqui Randolph Scott corteja a mocinha Celia Wallace (Catherine Craig). O elenco de apoio é excepcionalmente bom com destaque para George Cleveland como o tio Armin, um vilão mais cerebral do que visceral (tanto que não pega em armas, apenas planeja de longe formas de prejudicar o seu sobrinho). George 'Gabby' Hayes, um veterano nas telas com quase 200 filmes também está excelente como Juke, um velho barbudo e ranzinza que trabalha para o personagem de Randolph Scott. Ele funciona muito bem como alívio cômico dentro da trama.

"Albuquerque" ficou muito conhecido pelo público americano por causa das inúmeras reprises televisivas ao longo de todos esses anos. Na década de 50 a Paramount, produtora do filme, negociou com a Universal a venda dos direitos autorais de mais de 700 faroestes, todos para serem exibidos no canal NBC no período vespertino. "Albuquerque" fazia parte desse pacote. Passando constantemente na TV norte-americana o filme foi criando uma espécie de intimidade com o público, se tornando uma obra muito conhecida e querida entre os fãs americanos de western. Até no Brasil o filme também foi bem reprisado nos primórdios da TV brasileira. Por aqui quando em sua exibição na extinta TV Tupi a produção recebeu o título pomposo de "O Romântico Defensor". Enfim é isso. "Albuquerque" certamente tem todos os ingredientes que fazem um bom western. Além disso seu clima nostálgico é completamente irresistível. Um faroeste dos bons que merece ser conhecido pelos fãs do gênero.

O Romântico Defensor (Albuquerque, EUA, 1948) Direção: Ray Enright / Roteiro: Gene Lewis baseado no romance "Dead Freight for Piute", de Luke Short / Elenco: Randolph Scott, Barbara Britton, George 'Gabby' Hayes, Lon Chaney Jr, Catherine Craig, George Cleveland / Sinopse: Cole Armin (Randolph Scott) é um cowboy texano que vai até a cidade de Albuquerque para trabalhar ao lado de seu tio, John Armin (George Cleveland). um bem sucedido homem de negócios na região. Durante a viagem a diligência onde se encontra é assaltada por uma quadrilha de bandidos. Quando finalmente chega em seu destino acaba descobrindo que seu tio John teve participação no roubo. Em pouco tempo tio e sobrinho entram em choque por causa do crime ocorrido, ficando em lados opostos da lei.

Pablo Aluísio.

Rua dos Conflitos

Título no Brasil: Rua dos Conflitos
Título Original: Abilene Town
Ano de Produção: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Edwin L. Marin
Roteiro: Ernest Haycox, Harold Shumate
Elenco: Randolph Scott, Ann Dvorak, Edgar Buchanan, Rhonda Fleming, Lloyd Bridges
  
Sinopse:
1870. A guerra civil deixa rastros de morte e destruição por toda a nação norte-americana. Em Abilene (uma conhecida cidade do velho oeste, famosa por suas belas planícies) o xerife Dan Mitchell (Randolph Scott) tenta colocar ordem e justiça pelas vastas terras da região. O lugar passa por um conflito violento envolvendo colonos e criadores de gado que decidem contratar pistoleiros violentos para impor seu ponto de vista a todos os moradores da cidade.

Comentários:
Um filme estrelado pelo astro do western Randolph Scott atuando como um bravo e honesto xerife do velho oeste já é um bom motivo para se assistir. Some-se a isso o bom roteiro e o elenco de apoio acima da média (que conta inclusive com um jovem Lloyd Bridges como o líder dos colonos) e você terá no mínimo uma boa diversão. Não é uma grande produção, na verdade foi um faroeste de orçamento mediano bancado pela United Artists. O estilo procura ser o de diversão familiar, sem muita violência ou cenas de impacto. Um filme tipicamente produzido para as matinês de cinema que faziam grande sucesso na década de 1940. Há um pouco de romance, com o personagem de Scott disputando o coração de duas mulheres, a garota de um saloon (interpretada por Ann Dvorak) e a de uma jovem mocinha, Rhonda Fleming (bem carismática e diria até encantadora). Enquanto o xerife luta contra os bandidos ainda há espaço para um pouco de música, com um bom número musical a cargo da atriz Ann Dvorak. Tudo um tanto leve e ameno. Essa cidade de Abilene sempre surgia em filmes de faroeste porque historicamente ela foi um centro de carga e descarga de grandes carregamentos de gado. Depois que as manadas eram enviadas para todo o país (em vagões de trem), os cowboys, pistoleiros e todos os tipos violentos que povoavam o oeste americano ficavam na cidade, pelos saloons, causando todos os tipos de confusões. Ser xerife de um lugar assim definitivamente não era algo fácil. O diretor Edwin L. Marin trabalhou em vários filmes ao lado de Randolph Scott e morreu precocemente, com apenas 52 anos de idade. Uma perda lamentada muito pelo ator que perdeu um de seus mais leais colegas de trabalho.

Pablo Aluísio.

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 10

Depois do sucesso comercial de "O Último dos Moicanos" o ator Randolph Scott deu um tempo nas fitas de faroeste. E isso surpreendeu muita gente já que todos esperavam que ele iria cair com tudo no gênero para aproveitar o sucesso. Apenas algum tempo depois é que ele voltaria a usar chapéu de cowboy, botas e esporas para montar seu belo cavalo branco. Isso voltaria a acontecer em "A Heroína do Texas" (The Texans), boa produção dirigida pelo cineasta  James P. Hogan. O que chamava bastante a atenção aqui é que todas as atenções do roteiro iam para a mocinha do filme e não para o herói. Algo raro em um estilo cinematográfico tão voltado para o público masculino. Era algo novo e inovador, algo que poucos tinham feito em Hollywood naquele período histórico do cinema americano.

A estrelinha do filme, a atriz Joan Bennett, foi até mesmo creditada na frente do astro Randolph Scott. isso mostrava também como ele poderia ser generoso com as colegas de profisssão. Ele vinha de um sucesso de bilheteria e poderia muito bem calçar seu ego de astro de western em Hollywood e exigir seu nome em primeiro lugar nos créditos do filme. Porém não fez isso. Foi bem humilde e companheiro, sendo usado até mesmo como escada da jovem atriz. A sinopse era padrão: "Após a Guerra Civil, um ex-soldado confederado enfrentava novas batalhas, incluindo os membros de uma quadrilha de bandidos que tentavam roubar uma jovem indefesa".

Após esse filme Scott atuou em um drama chamado "Almas sem Rumo". Um bom filme, mas também um pouco cheio de clichês melodramáticos típicos daquele período. Isso porém logo foi esquecido porque ele voltaria ao velho oeste em um grande clássico do cinema, "Jesse James". Esse é considerado um dos melhores filmes de western já feitos. Dirigido pelo ótimo Henry King, trazendo um excelente elenco que contava com Tyrone Power e Henry Fonda como os irmãos foras-da-lei James, esse é um daqueles filmes que até hoje são debatidos e reprisados por fãs de faroeste clássico em sua era de ouro.

Em uma produção com tantos astros e estrelas, Randolph Scott acabou sendo escalado para um personagem secundário, porém não menos importante. Will Wright. Porém o mais importante desse filme é que o ator percebeu que o segredo para fazer fortuna em Hollywood era produzir seus próprios filmes. Ele teve a ideia, justamente nesse set de filmagens, de começar a ele mesmo produzir uma série de filmes de cowboy, algo que o tornaria um dos atores mais ricos de Hollywood nos anos seguintes.

Pablo Aluísio.