terça-feira, 21 de julho de 2026

O Faroeste em seus Primórdios - Parte 3

O gênero western está entre os mais antigos e importantes da história do cinema de Hollywood, tendo surgido praticamente junto com a própria indústria cinematográfica norte-americana. Ainda no período do cinema mudo, produtores perceberam que as histórias ambientadas na fronteira do Velho Oeste despertavam enorme curiosidade do público, reunindo elementos como aventura, ação, paisagens grandiosas, conflitos entre a lei e o crime e personagens marcantes. Um dos marcos iniciais foi The Great Train Robbery (1903), dirigido por Edwin S. Porter, considerado por muitos historiadores como o primeiro grande western da história. Com pouco mais de dez minutos de duração, o filme apresentou uma narrativa dinâmica, utilizando técnicas inovadoras de montagem e enquadramento que influenciariam toda a linguagem cinematográfica. Seu enorme sucesso comercial demonstrou que o público estava disposto a pagar para assistir histórias sobre assaltantes, xerifes, cowboys e a conquista do Oeste americano. A partir desse momento, os westerns passaram a ser produzidos em grande quantidade, transformando-se rapidamente em um dos principais produtos da nascente indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Embora ainda fossem produções simples, lançaram as bases para um dos gêneros mais duradouros da história do cinema.

Nos anos seguintes, os estúdios perceberam que os espectadores voltavam aos cinemas não apenas pelas histórias, mas também pelos intérpretes que davam vida aos heróis do Oeste. Assim surgiram os primeiros grandes astros do western, que se tornaram verdadeiras celebridades do cinema mudo. O mais famoso deles foi William S. Hart, conhecido por interpretar cowboys sérios, honestos e realistas, muito diferentes dos aventureiros exagerados que apareciam em produções anteriores. Hart buscava autenticidade em suas interpretações e frequentemente utilizava figurinos e equipamentos inspirados na vida real dos antigos vaqueiros do Oeste. Outro nome fundamental foi Tom Mix, cuja imagem contrastava com a de Hart. Mix interpretava heróis carismáticos, sorridentes e extremamente habilidosos com cavalos, cordas e armas, protagonizando cenas de ação espetaculares que encantavam crianças e adultos. Também merece destaque Broncho Billy Anderson, considerado um dos primeiros grandes ídolos do gênero, tendo estrelado centenas de curtas-metragens nas primeiras décadas do século XX. Esses pioneiros ajudaram a estabelecer o arquétipo do cowboy heroico, figura que se tornaria um dos maiores símbolos da cultura popular norte-americana.

O crescimento da popularidade dos westerns ocorreu de forma extremamente rápida entre as décadas de 1910 e 1920. Os filmes eram relativamente baratos de produzir, pois utilizavam cenários naturais do oeste americano, poucas construções cenográficas e elencos menores do que os exigidos por grandes dramas históricos. Além disso, apresentavam histórias de fácil compreensão, recheadas de perseguições a cavalo, duelos, assaltos a bancos, ataques de bandidos e resgates heroicos, elementos que agradavam públicos de diferentes idades e classes sociais. Os exibidores perceberam que os westerns garantiam salas cheias e passaram a solicitá-los em grande quantidade aos estúdios. Em pouco tempo, praticamente todas as grandes companhias de Hollywood mantinham unidades especializadas na produção desse tipo de filme. Muitos longas alcançavam arrecadações expressivas para os padrões da época, tornando-se sucessos de bilheteria e incentivando investimentos cada vez maiores. O gênero também encontrou grande aceitação fora dos Estados Unidos, sendo exportado para diversos países e contribuindo para a expansão internacional de Hollywood como principal centro da produção cinematográfica mundial.

Durante a década de 1920, o western deixou de ser apenas entretenimento popular para ganhar prestígio artístico. Diretores passaram a investir em narrativas mais elaboradas, fotografia sofisticada e personagens psicologicamente mais complexos. Entre os cineastas responsáveis por essa evolução destacou-se John Ford, que anos mais tarde seria reconhecido como o maior diretor da história do gênero. A consolidação definitiva ocorreu com a chegada do cinema sonoro no final da década de 1920 e início dos anos 1930, quando os tiros, os cascos dos cavalos, os diálogos e as trilhas sonoras ampliaram ainda mais o impacto das produções. Foi nesse período que começaram a surgir novas estrelas, preparando o terreno para nomes como John Wayne, Gary Cooper, Randolph Scott e Henry Fonda, que dominariam as telas nas décadas seguintes. Paralelamente, os estúdios investiam em campanhas publicitárias cada vez maiores, transformando os westerns em verdadeiros eventos cinematográficos. O público passou a identificar o gênero como um espetáculo de ação e aventura, consolidando sua posição entre os maiores sucessos comerciais de Hollywood.

O extraordinário sucesso dos primeiros westerns exerceu profunda influência sobre toda a história do cinema. Eles ajudaram a definir a linguagem narrativa de Hollywood, popularizaram o conceito de astro cinematográfico e demonstraram que determinados gêneros poderiam atrair públicos fiéis por décadas. Além do êxito financeiro, essas produções construíram uma visão mitificada da expansão para o Oeste, criando personagens lendários como o cowboy solitário, o xerife incorruptível e o fora da lei carismático, figuras que atravessaram gerações e continuam presentes na cultura popular. Historiadores do cinema frequentemente destacam que o western foi o primeiro gênero verdadeiramente internacional produzido pelos Estados Unidos, influenciando cineastas em diversos países e inspirando movimentos como o western italiano das décadas de 1960 e 1970. Críticos da Variety, do The New York Times e da revista Sight & Sound frequentemente apontam que o western foi decisivo para consolidar Hollywood como a principal indústria cinematográfica do mundo, graças à combinação de histórias universais, grandes astros e enorme apelo popular. O legado desses primeiros filmes permanece vivo até hoje, sendo reconhecido como um dos pilares fundamentais da história do cinema mundial.

O Faroeste em seus primórdios - Parte 2

Provavelmente o primeiro grande astro do cinema no gênero western tenha sido Tom Mix. De origem humilde (seu pai era um trabalhador comum, um lenhador), Mix não tinha a menor habilidade para atuar bem, porém já tinha experiência no mundo dos espetáculos circenses, pois havia trabalhado muitos anos no circuito wild west, onde artistas de circo se passavam por cowboys e índios do velho oeste.

A novidade vinha do fato de que agora tudo poderia ser capturado em filme. Ao invés de excursionar por todo o país em shows itinerantes, agora era possível fazer apenas uma apresentação, filmar e depois distribuir cópias por todo o país em exibições a preços promocionais. Era a invenção do cinema como negócio lucrativo, como indústria. Para Tom Mix, o primeiro grande cowboy das telas de cinema, não poderia haver nada melhor.

Os roteiros desses primeiros filmes de western, ainda na era do cinema mudo, não primavam pela originalidade. Na verdade eram meras adaptações dos shows de oeste selvagem. Havia basicamente dois ou três personagens centrais. O mocinho, o vilão e a mocinha. Os índios estavam na tela apenas para atacar os pioneiros brancos, que eram covardemente assassinados. Esse selvagens pele-vermelhas então deveriam ser exterminados. O bangue-bangue era o mote principal. Já nesses primeiros filmes mudos podemos encontrar cenas que iriam virar o marco principal dos faroestes. O mocinho em duelo contra o bandido, na rua principal, enquanto todos esperavam para ver quem sacava a arma mais rápido.

Tom Mix tinha experiência militar. Por dois anos ele serviu a artilharia do exército americano. Também havia trabalhado como assistente de xerife no Arizona. Assim era o homem certo para os primeiros filmes de western. Sabia montar bem (suas origens eram rurais), sabia manejar um revólver com eficiência e tinha uma boa imagem, uma boa presença de cena. O pacote completo. Sobre atuar, bem isso era apenas um aspecto secundário nessas primeiras produções. O que valia a pena (e o ingresso) eram mesmo as cenas de cavalgada, os duelos e, é claro, a pura diversão.

Pablo Aluísio.

O Faroeste em seus primórdios - Parte 1

O termo faroeste só existe no Brasil. É uma abreviação da palavra Farm of West (Fazenda do Oeste) que se popularizou na língua portuguesa. Para os americanos esse gênero cinematográfico é conhecido simplesmente como Western, que quer dizer simplesmente Oeste, ocidental. Como se sabe há duas costas bem definidas no mapa dos Estados Unidos, a costa leste (Nova Iorque e demais estados banhados pelo Oceano Atlântico) e a costa oeste (Califórnia e estados vizinhos).

A conquista do Oeste fez parte da história dos Estados Unidos. Os pioneiros que foram para lá encontraram terras desérticas, selvagens nativos hostis e muita brutalidade, mas havia novas terras dadas pelo governo a quem chegasse primeiro. Também havia ouro e esse metal foi o grande propulsor dos pioneiros, principalmente na Califórnia, onde grandes cidades como San Francisco nasceram basicamente de vilas de mineradores de ouro.  Esse também foi tema de inúmeros filmes ao longo dos anos.

Curiosamente outro tema recorrente em filmes de western, envolvendo a guerra civil e os estados confederados, não teve historicamente nenhuma ligação com o velho oeste. Isso porque a guerra civil se desenrolou mesmo nas fronteiras dos estados do sul, que geograficamente eram bem longe dos estados do oeste. No máximo houve algumas batalhas no meio oeste, mas na costa oeste mesmo a guerra pouco chegou. Ignorado pelos roteiristas, isso entrou também na mitologia do velho oeste, afinal a guerra civil foi muito marcante na história dos Estados Unidos e aconteceu na mesma época em que os pioneiros tentavam a sorte no meio do deserto do oeste.

E foi no oeste também que se desenvolveu a indústria cinematográfica americana, mais especificamente na cidade de Los Angeles, na Califórnia. Ora, era simplesmente impossível ignorar a mitologia da própria região nas histórias dos filmes, por isso o cinema americano tal como o conhecemos também nasceu junto com o western. No registro dos primeiros filmes na América já se encontram diversos faroestes, todos já com primórdios da mitologia do velho oeste, com seus cowboys, índios, soldados da cavalaria, bandidos e mocinhas indefesas.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 14 de julho de 2026

Audie Murphy e o Western - Parte 5

Em 1950 Audie Murphy atuou no western "Cavaleiros da Bandeira Negra." Já tive oportunidade de escrever sobre esse faroeste aqui no blog. Murphy interpretava nada mais, nada menos, do que um dos pistoleiros mais conhecidos da história do velho oeste americano, o bandoleiro e assassino Jesse James. É interessante porque ao invés de ser um roteiro mais ligado com a verdade histórica, aqui se priorizou um suposto bom mocismo (que nunca existiu) de Jesse James. O pistoleiro deixa de ser um bandido para ser um homem arrependido.

Ele e o irmão Frank James (Richard Long) decidem abandonar a vida de crimes, deixando para trás o bando de Clarke Quantrill (Brian Donlevy); Esse foi outro personagem histórico real, um facínora que usava as cores de um dos lados da guerra civil para matar e saquear populações civis desarmadas e indefesas. Uma coisa insana. No filme pelo menos ele mantém o estigma de vilão, algo que nem sempre acontece sob uma ótica revisionista histórica que existe principalmente nos estados do sul. Acredite, muitos sulistas até hoje consideram Quantrill uma espécie de herói nacional, ou pelo menos, um herói das cores da bandeira confederada! Algo lamentável realmente.

De uma maneira ou outra, o nome de Jesse James sempre garantia boas bilheterias naqueles tempos. Ele havia sido, ao lado de Billy The Kid, um dos nomes mais conhecidos da mitologia do velho Oeste. Curiosamente, o ator iria ao longo dos anos interpretar os dois personagens históricos. Os filmes não era historicamente precisos, nem era essa sua intenção. Na realidade, eram adaptações de romances de faroeste que eram muito populares na época. Alguns roteiros foram baseados em livros de bolso que viraram febre editorial nos anos 50.

Depois desse faroeste que eu sempre considerei muito bom, Audie Murphy fez um dos melhores filmes de sua carreira. Em "A Glória de um Covarde" o ator foi dirigido pelo mestre John Huston. Seu personagem se chamava Henry Fleming, um soldado ianque que decide desertar durante a guerra civil americana. Todos os seus companheiros de farda parecem ser bravos e valentes, mas Henry tem sérias dúvidas sobre o que está acontecendo. Esse filme é brilhante porque valoriza mais o lado humano de seus personagens. Não é um faroeste comum ou um filme sobre a guerra civil que ficasse no convencional. Algo previsível de entender, já que Huston foi um diretor genial, um dos mais brilhantes cineastas de sua geração. Ele jamais iria fazer um filme de faroeste que fosse banal. Esse sem dúvida foi um dos grandes filmes de Audie Murphy.

Pablo Aluísio. 

Antro da Perdição

Título no Brasil: Antro da Perdição
Título Original: Destry
Ano de Lançamento: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: George Marshall
Roteiro: Edmund H. North, D.D. Beauchamp
Elenco: Audie Murphy, Mari Blanchard, Lyle Bettger

Sinopse:
No velho oeste, em uma pequena cidade, um jovem de boa índole é nomeado como o novo xerife. O que ele não sabe, mas vai aprender da pior forma possível, é que todo o sistema ali é corrupto, passando pelo prefeito e por demais homens ricos e influentes e isso vai colocar o xerife recém nomeado em rota de colisão contra todos esses sujeitos desonestos e poderosos. 

Comentários:
"Antro da Perdição" fechou o ano de 1954 para o ator Audie Murphy nos cinemas. Foi lançado nas férias de fim de ano e se deu muito bem nas bilheterias. Esse western foi dirigido pelo ótimo cineasta George Marshall. A história mostrava um jovem que se tornava xerife de uma cidade do velho oeste. O problema é que a corrupção imperava naquela região. O próprio prefeito, aliado a um criminoso e bandoleiro, dominavam tudo, roubando e pilhando toda a riqueza da cidade. Ser um xerife honesto naquele meio certamente não seria fácil. Temos aqui mais um faroeste B estrelado pelo Audie Murphy. Ele costumava ser bem duro quando criticava seus próprios filmes, mas a realidade é que todos eles eram ótimas películas voltadas para a pura diversão. E funcionavam muito bem, lotando as sessões de matinês dos anos 50. Essas eram realizadas para um público mais juvenil, crianças e adolescentes. E os donos de cinema agradeciam. Em suma, não havia nada de errado nessas produções. Muito pelo contrário, várias delas ficaram no imaginário popular de seu público, criando até um doce saudosismo em quem teve a oportunidade de ver no cinema, na época. 

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Tambores da Morte

Título no Brasil: Tambores da Morte
Título Original: Drums Across the River
Ano de Lançamento: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Nathan Juran
Roteiro: John K. Butler, Lawrence Roman
Elenco: Audie Murphy, Walter Brennan, Lyle Bettger

Sinopse:
Colonos e mineradores brancos, vindos do leste, começam uma terrível disputa por terras tradicionalmente ocupadas por povos originários, no velho oeste americano. A disputa visa colocar em mãos o ouro, recém descoberto naquelas ricas regiões inexploradas. 

Comentários:
"Tambores da Morte" foi o segundo filme de Audie Murphy a chegar nos cinemas nesse ano de 1954. A história mostrava uma terra em conflito no velho oeste. Colonos brancos descobriam ouro nas terras tradicionalmente ocupadas por índios. Obviamente que a ganância acabava falando mais alto. Os nativos queriam a preservação de suas terras e os colonos queriam extrair todo aquele ouro das montanhas que eram sagradas pelos índios. A guerra entre eles não demorava a acontecer. Bom western B, bem típico dos anos 50. Não vai muito a fundo na questão envolvendo a posse daquelas terras ricas em ouro, sobre quem efetivamente teria direito a elas, mas funciona muito bem como diversão de matinê. Não poderia se esperar algo diferente disso naqueles tempos. 

Pablo Aluísio e Erick Steve.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Pistoleiro do Destino

Pistoleiro do Destino
Clássico western trazendo o ator Gary Cooper como astro principal de seu elenco. Também conhecido como "Tudo por Uma Mulher" esse faroeste conta uma história interessante. Ao chegar numa pequena cidade do velho oeste, o cowboy Melody Jones (Gary Cooper) é confundido com o famoso pistoleiro Monte Jarrad (Dan Duryea), bandido procurado e com a cabeça à prêmio. Todos na cidadezinha temem a presença de Melody, apesar dele ser na verdade apenas um cowboy, um trabalhador rural, que nunca se envolveu com o mundo do crime. Para piorar a namorada do verdadeiro Jarrad começa a fazer de tudo para que todos continuem acreditando que Melody é de fato o fora-da-lei, isso porque ela quer mesmo desviar a atenção do xerife enquanto o verdadeiro bandido planeja uma forma de escapar da região sem ser enforcado por seus crimes.

Embora à primeira vista pareça um faroeste convencional, o que temos aqui é um filme que foge um pouco dos padrões da época, inclusive apostando em um pouco de humor e romance, onde o roteiro não explorava apenas os tiroteios ou os duelos, mas também os problemas criados após o personagem de Cooper ser confundido com um bandido rápido no gatilho. O Melody Jones de Cooper é na verdade um sujeito bem pacato, tímido e introvertido. Esse jeito caladão caía muito bem no tipo de personagem que o ator Gary Cooper costumava interpretar em seus filmes.

Dessa forma o roteiro de Nunnally Johnson tem um jeito diferenciado em relação ao típico roteiro de filmes de faroeste daqueles tempos. Também desenvolve melhor a principal personagem feminina, a destemida Cherry de Longpre (Loretta Young). Esse diferencial foi proposital pois o estúdio estava tentando também atrair o público feminino para assistir ao filme. Uma leve mudança para aumentar as bilheterias. E a presença de Gary Cooper acentuava ainda mais esse apelo junto às mulheres, já que ele era considerado um dos maiores galãs do cinema americano. Alto, boa pinta, com jeito de pioneiro do volho oeste, honesto e confiável, ele fazia suas fãs suspirarem quando iam ao cinema.

Pistoleiro do Destino / Tudo por Uma Mulher (Along Came Jones, Estados Unidos, 1945) Estúdio: MGM / Direção: Stuart Heisler / Roteiro: Nunnally Johnson, Alan Le May / Elenco: Gary Cooper, Loretta Young, William Demarest, Dan Duryea, Frank Sully, Don Costello / Sinopse: Melody Jones (Cooper) é um cowboy íntegro e honesto que passa a ser confundido com um perigoso pistoleiro e criminoso na pequena cidade do velho oeste onde chega após uma longa viagem pelo deserto.

Pablo Aluísio.

Legião de Heróis

Título no Brasil: Legião de Heróis
Título Original: North West Mounted Police
Ano de Produção: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Cecil B. DeMille
Roteiro: Alan Le May, Jesse Lasky Jr
Elenco: Gary Cooper, Madeleine Carroll, Paulette Goddard, Preston Foster, Robert Preston, George Bancroft

Sinopse:
A história do filme se passa em 1885. Dusty Rivers (Cooper) é um Texas Ranger que viaja para o Canadá para prender um caçador procurado por assassinato e roubo. O criminoso cruzou a fronteira e passou a incitar os nativos da região em uma rebelião contra o governo canadense. O clima passa a ser de guerra. Caberá a Rivers prender o procurado para evitar um banho de sangue. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor edição e melhor direção de fotografia.

Comentários:
Um faroeste diferente, cuja história se passa no frio Canadá e não nas longas areias do deserto do velho oeste dos Estados Unidos. Nem preciso escrever que a direção de fotografia ficou belíssima, justamente por causa das locações em regiões especialmente belas daquele país montanhoso e gelado. Acabou vencendo o Oscar de forma mais do que merecida. Além disso o filme se destaca também por ter dois nomes importantes na história do cinema americano. O primeiro é Cecil B. DeMille, lendário produtor e magnata do cinema na era de ouro de Hollywood. O interessante é que ele gostou tanto do roteiro do filme que decidiu dirigir, algo que nem sempre fazia, uma vez que se notabilizou mesmo por ser um grande produtor na velha Hollywood. Gary Cooper é o outro nome que se destaca e logo chama a atenção. Considerado um dos grandes atores de estilo faroeste do cinema americano, esse veterano das telas está em seu papel habitual, a do homem honesto e íntegro, que deseja fazer cumprir a lei, custe o que custar. Em conclusão temos aqui um clássico do western que se destaca justamente por suas peculiaridades. Grande filme!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Enterrem Meu Coração na Curva do Rio

Esse é um filme muito importante, seu roteiro conta capítulos relevantes da história da conquista do oeste dos Estados Unidos. Após o massacre da sétima cavalaria pelas tribos comandadas por Touro Sentado (August Schellenberg) o governo americano consegue finalmente celebrar um tratado de paz com a nação Sioux. Os guerreiros são desarmados e povo indígena enviado para reservas no Arizona, Colorado e outros estados do oeste. Nesse processo também começa a mudança cultural entre os índios. Siouxs como Ohiyesa (Chevez Ezaneh) ganham nomes cristãos e são enviados para estudar nas grandes cidades do leste. Era o começo do fim da identidade cultural do nativo americano.

Baseado em fatos reais esse filme foi inspirado no best seller escrito por Dee Brown que desde seu lançamento já vendeu mais de quatro milhões de cópias. A obra pertence a um grande movimento de revisionismo que foi muito forte dentro do meio acadêmico americano durante os anos 1970. Basicamente o livro mostrava o processo de destruição da cultura nativa dos povos indígenas americanos, em especial os Sioux, povo guerreiro e orgulhoso que foi de fato o último a se render ao exército da União no século XIX. Subjugados, os últimos guerreiros e suas famílias foram enviados para distantes e secas reservas em regiões onde não havia caça e nem condição de se viver da terra. Chefes tribais como o glorioso Touro Sentado que venceu as tropas do General Custer foram humilhados, vivendo sob vigilância do governo americano que os colocou numa situação de viver às custas das rações distribuídas pelos agentes federais.

Todo esse clima de tensão acabou favorecendo ao renascimento de um novo sentimento contra o homem branco, o que gerou mais mortes e destruição, culminando com o desaparecimento dos últimos grandes chefes tribais. Esse filme da HBO tenta passar parte da riqueza da obra original mas se concentra em apenas duas linhas narrativas. Na primeira acompanhamos o fim da vida de Touro Sentado. As humilhações que lhe foram impostas e a complicada convivência com os brancos, sempre rompendo seus tratados anteriores em busca de mais subjugação por parte dos nativos. Já na segunda linha narrativa o roteiro explora a história de um jovem Sioux que, levado para o centro da civilização branca, troca de nome e se forma em Medicina. Sua crise de identidade porém logo se impõe e ele tenta superar essa complicada e delicada situação. É um ótimo filme, muito consciente do ponto de vista histórico e social, que certamente agradará aos que gostam de conhecer mais sobre a história do velho oeste americano.

Enterrem Meu Coração na Curva do Rio (Bury My Heart at Wounded Knee, Estados Unidos, 2007) Estúdio: HBO Films / Direção: Yves Simoneau / Roteiro: Daniel Giat, baseado na obra de Dee Brown / Elenco: August Schellenberg, Anna Paquin, Chevez Ezaneh, Aidan Quinn / Sinopse: A história do filme é toda baseada em fatos reais, contando a história das guerras e do choque cultural entre homens brancos e nativos americanos, durante a conquista do oeste.

Pablo Aluísio.

O Filho da Estrela Nascente

Título no Brasil: O Filho da Estrela Nascente
Título Original: Son of the Morning Star
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Television, The Mount Company
Direção: Mike Robe
Roteiro: Evan S. Connell, Melissa Mathison
Elenco: Gary Cole, Rosanna Arquette, Stanley Anderson, George Dickerson, Terry O'Quinn, Dean Stockwell

Sinopse:
Enviado pelo governo americano para combater guerreiros rebeldes das nações Sioux e Apache, o General George Armstrong Custer (Gary Cole) acaba caindo em uma emboscada numa região conhecida como Little Bighorn. O dia é 25 de junho de 1876 e a chacina da Sétima Cavalaria dos Estados Unidos entraria para a história. Filme vencedor do Primetime Emmy Awards nas categorias de Melhor Som, Figurino e Edição. 

Comentários:
Essa é uma minissérie que foi lançada no Brasil, no mercado de vídeo VHS, em edição dupla. A intenção dos produtores foi contar de forma isenta e historicamente correta a verdadeira história do General Custer e a Sétima Cavalaria. Como se sabe esse foi um dos eventos mais famosos da história do velho oeste americano, quando Custer e seus homens foram derrotados e mortos por nativos liderados por Cachorro Louco e Touro Sentado. A morte dos soldados e seu general traumatizou os americanos na época, a tal ponto que o exército entrou definitivamente na chamada guerra indígena, onde centenas de milhares de índios foram mortos em batalhas sangrentas e brutais. Outros foram despachados para territórios desertos, hostis, onde muitos morreram de fome ou pela exaustão de se viver em lugares tão impróprios para a vida humana. Assim o roteiro procura responder a pergunta que perdurou por todos esses séculos: Custer era um verdadeiro herói ou um carniceiro que foi fazer o serviço sujo do governo americano, matando homens, mulheres, idosos e crianças sem distinção? No meio da barbárie se destacam as boas cenas de luta e a reconstituição histórica perfeita que fez esse filme ser premiado pelo Emmy, o Oscar da TV americana. Hoje em dia essa produção anda meio esquecida. Pessoalmente nunca vi uma reprise nos canais de TV a cabo. Seria uma boa ideia resgatar esse bom momento televisivo sobre um dos generais mais controversos da história dos Estados Unidos e sua colonização rumo ao oeste selvagem. 

Pablo Aluísio.