terça-feira, 3 de novembro de 2026

O Lutador de Kentucky

Título no Brasil: O Lutador de Kentucky (também conhecido como Estranha Caravana)
Título Original: The Fighting Kentuckian
Ano de Lançamento: 1949
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: George Waggner
Roteiro: George Waggner
Elenco: John Wayne, Vera Ralston, Philip Dorn, Oliver Hardy, Marie Windsor, John Howard, Hugo Haas, Grant Withers, Odette Myrtil e Paul Fix. 

Sinopse: 
A história se passa no início do século XIX, depois da derrota de Napoleão Bonaparte, quando um grupo de oficiais franceses exilados recebe do Congresso americano terras no Alabama para estabelecer uma nova comunidade. Liderados pelo general Paul DeMarchand e pelo coronel Georges Geraud, os franceses procuram construir uma nova vida em território americano, mas enfrentam dificuldades e interesses de pessoas que desejam tomar suas propriedades. Durante a marcha de seu regimento pelo Alabama, o soldado John Breen conhece Fleurette DeMarchand, filha do general francês, e imediatamente se apaixona por ela. O problema é que a jovem está comprometida com Blake Randolph, um empresário influente que pretende se apoderar das terras concedidas aos franceses. Percebendo as intenções de Randolph, John resolve ajudar a comunidade e impedir que seus moradores sejam expulsos. Ao lado de seus companheiros, ele enfrenta as ameaças dos especuladores e procura conquistar o coração de Fleurette. Entre aventuras, confrontos e situações bem-humoradas, John demonstra sua coragem e determinação, transformando uma disputa por terras em uma luta pelo amor e pela justiça. 

Comentários:
O Lutador de Kentucky é um faroeste produzido pela Republic Pictures e protagonizado por John Wayne, que também participou da produção do filme. Dirigido por George Waggner, o longa apresenta uma mistura de aventura, romance, humor e elementos históricos, utilizando como pano de fundo a chegada de soldados franceses ligados aos antigos exércitos de Napoleão Bonaparte aos Estados Unidos. John Wayne interpreta John Breen, um soldado de Kentucky que se envolve na defesa de uma comunidade ameaçada por interesses econômicos. Vera Ralston interpreta Fleurette DeMarchand, a jovem francesa que conquista o coração do protagonista, enquanto Philip Dorn vive o coronel Georges Geraud e Hugo Haas interpreta o general Paul DeMarchand. Um dos grandes atrativos da produção é a participação de Oliver Hardy, conhecido mundialmente como o Gordo da famosa dupla O Gordo e o Magro, que interpreta Willie Paine. Marie Windsor também participa como Ann Logan, e John Howard interpreta o antagonista Blake Randolph. A presença de Hardy proporciona momentos de humor e constitui uma das curiosidades mais interessantes do elenco. O filme foi realizado em preto e branco, possui aproximadamente 100 minutos de duração e teve suas filmagens realizadas principalmente em Agoura, na Califórnia. 

A produção chegou aos cinemas americanos em setembro de 1949, com lançamento registrado em outubro pela American Film Institute. Embora não esteja entre os faroestes mais conhecidos de John Wayne, apresenta vários elementos tradicionais do gênero, incluindo disputas por terras, conflitos entre comunidades, heróis corajosos e uma história de amor em meio a situações de perigo. O roteiro procura combinar acontecimentos inspirados em fatos históricos com uma narrativa de aventura bastante característica do cinema americano daquele período. A participação de Oliver Hardy merece atenção especial, pois permite vê-lo atuando sozinho, sem Stan Laurel, seu parceiro cinematográfico de tantos anos. John Wayne e Hardy desenvolveram uma boa convivência durante as filmagens, embora o comediante não tenha demonstrado interesse em abandonar sua conhecida parceria para construir uma carreira independente no cinema. Outro aspecto interessante é a participação de Wayne como produtor, demonstrando seu envolvimento crescente nos negócios cinematográficos e nas decisões sobre seus próprios projetos. Comercialmente, o filme teve um resultado razoável, mas não alcançou a popularidade de grandes sucessos do ator. Atualmente, permanece como uma produção curiosa de sua filmografia, especialmente pela reunião de John Wayne e Oliver Hardy e pela mistura de faroeste, romance e comédia.

Erick Steve. 

Legião Invencível

Legião Invencível
"Legião Invencível" é o segundo filme da trilogia dirigida por John Ford retratando a cavalaria americana. O primeiro, "Sangue de Heróis", era uma alegoria dos acontecimentos que levaram a sétima cavalaria do exército americano a ser dizimada por tribos hostis. Era de certa maneira uma crítica mordaz de Ford para com o fato do General Custer ser idolatrado pelo exército como um herói. Aqui o tema continua. Não é necessariamente uma sequência do filme anterior, personagens são diferentes e finalmente o nome Custer surge em cena (no anterior o papel que seria de Custer foi transferido para a de um Coronel puramente ficcional, embora sua estória seja obviamente a do famoso General). Aqui o enredo começa após o massacre de Custer e sua sétima cavalaria. Prestes a se aposentar o Capitão Nathan Brittles (John Wayne) tem que lidar com os efeitos terríveis de Little Big Horn. A moral das tropas sobreviventes, o risco eminente de um novo ataque e os novos problemas decorrentes da mudança de liderança em um forte avançado são algumas das situações que ele deve contornar.

O elenco novamente conta com o ator preferido de John Ford, o eterno cowboy John Wayne. Fazendo o papel de um personagem muito mais velho do que ele na época, Wayne foi fortemente maquiado para parecer um veterano Capitão perto da aposentadoria. Conciliador tenta abrir uma linha de diálogo com os líderes nativos, mesmo com resultados adversos. John Ford novamente foi a Monument Valley para rodar todas aquelas cenas clássicas que tanto conhecemos - com os montes ao fundo em pleno crepúsculo (uma das marcas registradas da carreira do cineasta). O filme é muito bem fotografado e de forma em geral muito mais leve do que "Sangue de Heróis". Não há muitas cenas de ação (afinal a grande batalha sangrenta havia acontecido no filme anterior) sendo que o filme se apoia muito mais no cotidiano da vida dos soldados no posto avançado. O humor também se faz presente, como quase sempre acontecia nos filmes de Ford. Em conclusão podemos considerar "Legião Invencível" um belo filme que traz uma interessante mensagem em seu roteiro, a de que a paz só será alcançada mesmo com atos de diplomacia e tolerância religiosa e cultural. A guerra, como sempre, nunca será a solução para nenhum problema envolvendo choque de civilizações e culturas.

Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon, EUA, 1949) Direção: John Ford / Roteiro: James Warner Bellah, Frank S. Nugent / Elenco: John Wayne, Joanne Dru, John Agar, Ben Johnson, Harry Carey Jr / Sinopse: Após a morte do General Custer e toda a sétima cavalaria o Capitão Nathan Brittles (John Wayne) tem que lidar com os efeitos terríveis de Little Big Horn. A moral das tropas sobreviventes, o risco eminente de um novo ataque e os novos problemas decorrentes da mudança de liderança em um forte avançado são algumas das situações que ele deve contornar.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

A Colina dos Homens Maus

Título no Brasil: A Colina dos Homens Maus
Título Original: La Collina Degli Stivali
Ano de Produção: 1969
País: Itália
Estúdio: San Marco
Direção: Giuseppe Colizzi
Roteiro: Giuseppe Colizzi
Elenco: Terence Hill, Woody Strode, Bud Spencer

Sinopse:
Em uma cidade próxima a uma rica região, farta em ouro, um grupo de bandoleiros comandados por Mel Fisher, impõe sua dominação através do terror e assassinato. Seu objetivo é se tornar dono das terras locais para se apropriar completamente da fortuna que está sob o solo daquela terra. Quem não estiver disposto a vender sua propriedade certamente morrerá. Seus planos vão muito bem, até a chegada na cidade de Cat Stevens (Terence Hill) e Arch Hutch Bessy (Bud Spencer), que estão dispostos a parar com aquela situação de injustiça e medo!

Comentários:
Outro bom exemplar da bem sucedida parceria entre Terence Hill e Bud Spencer. No Brasil ficaram extremamente conhecidos por causa dos filmes da série Trinity! O diretor desse filme, o especialista Giuseppe Colizzi, iria inclusive dirigir "Dá-lhe Duro, Trinity!" em 1972. Filmado praticamente todo no deserto de Almería, Andalucía, na Espanha, o filme segue o padrão que já havia dado muito certo antes na carreira do diretor, como em, por exemplo, "Os Quatro da Ave Maria" e "Deus Perdoa... Eu Não!". Embora os filmes de Terence Hill tenham se notabilizado pelo bom humor, esse aqui não é tão na linha mais pastelão como viria a acontecer anos depois. Há um tom bem mais sério, embora é claro, cenas divertidas surjam ao longo do filme. Mas sempre salientando que essa não é a tônica principal da produção. "A Colina dos Homens Maus" inclusive fecha a trilogia formada com os filmes anteriores já citados do diretor, todos tendo como enredo as aventuras do pistoleiro Cat Stevens pelo velho oeste. Terence Hill assim encerrava o ciclo desse seu personagem, que só seria superado mesmo em termos de popularidade por Trinity. Em suma, um faroeste italiano que certamente agradará em cheio aos fãs do Spaguetti Western.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Assim Começou Trinity

Assim Começou Trinity
Filme de faroeste com a dupla Terence Hill e Bud Spencer. Na história dois caçadores de recompensas (interpretados pelos próprios Hill e Spencer) chegam numa cidadezinha do velho oeste em busca de seu prêmio. Para provar que capturaram o famoso pistoleiro procurado vivo ou morto, porém, só possuem suas botas pois o sujeito foi literalmente pelo ares após ser atacado com bananas de dinamite. O proprietário do banco que oferece a recompensa não fica convencido sobre o que eles contam. Na verdade ele decide não pagar a recompensa. Para se livrar da dupla, o banqueiro resolve então libertar o condenado à forca Cacopoulos (Eli Wallach) para "resolver" o problema. E isso só aumenta a confusão com os caçadores de recompensas. O título nacional, "Assim Começou Trinity", é enganoso. Na verdade não temos nesse filme o personagem Trinity. O personagem interpretado por Terence Hill na verdade se chamava Cat Stevens. Assim o nome Trinity só foi usado por questões comerciais, para atrair público aos cinemas. Originalmente, sem suas primeiras sessões, o filme foi lançado com o nome de "Os Quatro da Ave Maria" e só depois que os filmes com Trinity viraram febre é que finalmente se mudou mais uma vez o título do filme por óbvias razões comerciais.

Dito isso é bom frisar que se trata de um Macaroni Western muito divertido, bem de acordo com o que seria no futuro os filmes estrelados pela dupla Terence e Bud. O primeiro sempre fazendo o papel do pistoleiro cuca fresca e o segundo sempre encarnando o tipo brutamontes de bom coração. Eles fizeram tanto sucesso juntos que acabaram indo para outros gêneros, sempre com o mesmo sucesso. A fórmula se baseava em um estilo de humor bem fanfarrão, pastelão até. O público, é claro, adorava pois havia um certo feeling circense neles. O curioso é que esse "Assim Começou Trinity" nem era tão escrachado quanto os filmes que viriam, mas tampouco também deixava de ter um pezinho na chanchada burlesca. O interessante é que a dupla central acabou passando por apuros e quase foi ofuscada no filme pelo ótimo ator Eli Wallach, em interpretação mais cômica e bem humorada. O seu personagem estava sempre passando a perna em Terence Hill e Bud Spencer ao longo do filme. Enfim, temos um filme divertido, engraçado, diria até mesmo ingênuo para os padrões atuais, mas que no final das contas agradava e divertia muito o público em sua época de lançamento original.
 
Assim Começou Trinity / Os Quatro da Ave Maria (I quattro dell'Ave Maria, Itália, 1968) Estúdio: Crono Cinematografica, Finanzia San Marco / Direção: Giuseppe Colizzi / Roteiro: Bino Cicogna, Giuseppe Colizzi / Elenco: Terence Hill, Bud Spencer, Eli Wallach / Sinopse: Cat Stevens (Terence Hill) e Hutch Bessy (Bud Spencer) são dois caçadores de recompensas no velho oeste que acabam tendo que brigar ainda mais pelo dinheiro prometido pela captura de um criminoso procurado vivo ou morto.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

A Lei é Implacável

Título no Brasil: A Lei é Implacável
Título Original: The Doolins of Oklahoma
Ano de Produção: 1949
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: Kenneth Gamet
Elenco: Randolph Scott, George Macready, Louise Allbritton
  
Sinopse:
Bill Doolin (Randolph Scott) é um bandoleiro no velho oeste americano. Membro da quadrilha dos Daltons ele escapa da morte após chegar atrasado em um encontro com os demais membros de seu bando. Na fuga, para sobreviver, acaba matando um homem. Depois desse crime se torna um homem procurado vivo ou morto pela lei. Eventualmente forma um novo grupo, mas os anos de violência e crimes o esgotam completamente. Assim tenta assumir uma nova vida, com uma nova identidade. O passado porém está prestes a voltar para assombrar novamente sua vida.

Comentários:
O eterno cowboy do cinema Randolph Scott se consagrou como o eterno homem do oeste, bom e íntegro. Em raras ocasiões interpretou vilões ou bandoleiros. Aqui temos um exemplo. Ele interpreta um fora-da-lei, um criminoso conhecido e perseguido que em determinado momento  de sua vida fica farto de tudo. Cansado de fugir e arriscar sua vida ele assim conhece uma boa mulher, Elaine Burton (Virginia Huston), que também sonha em formar uma família para viver feliz no resto de sua vida. Era justamente o que Bill deseja. usando um nome falso, Bill Daley, ele começa a reconstruir sua vida numa pequena e pacata cidade do oeste. Pretende se casar com Elaine e esquecer seu passado de crimes. A lei porém se mostra implacável pois seguindo seus rastros o xerife Sam Hughes (George Macready) descobre seu paradeiro. Para piorar os antigos membros de seu bando também descobrem onde Bill está vivendo. Aos poucos ele acaba percebendo que seus sonhos de felicidade estão prestes a virar poeira. "The Doolins of Oklahoma" é um western da década de 1940 que já traz por antecipação o visual, timing e o roteiro típicos da década que nascia, os anos 1950, um dos períodos mais produtivos do faroeste americano em toda a sua história.

Pablo Aluísio.

A Volta dos Homens Maus

A Volta dos Homens Maus
Mais um bom western estrelado por Randolph Scott. Ele interpreta um rancheiro que decide vender seu gado, sua propriedade, para ir embora, para outra cidade, onde está prestes a acontecer uma nova corrida ao ouro. Antes disso porém uma quadrilha de assaltantes a banco invade uma pequena cidade. No grupo se encontra até mesmo uma mulher, Cheyenne (Anne Jeffreys), que durante uma fuga acaba sendo baleada, indo parar no rancho de Scott.

Ele decide ajudá-la. Não apenas a escondendo da patrulha que a persegue, como também pedindo ajuda ao médico local. Curada, ela decide finalmente se redimir daquela vida. Outro personagem interessante do filme - e o alívio cômico - vem do personagem interpretado pelo ator George 'Gabby' Hayes. Ele fez muitos filmes ao lado de John Wayne e John Ford, sempre interpretando velhinhos matutos e bons de briga. Aqui ele esbanja a mesma linha de humor que o tornou conhecido nos filmes de faroeste daquela época.

Outro ponto que vai chamar a atenção dos fãs de western vem da quadrilha de assaltantes a banco. Ela é formada por lendas do velho oeste como Billy The Kid, Sundance Kid, os irmãos Dalton. Clato que os roteiristas desse filme fizeram uma salada geral, juntando personagens históricos reais em um mesmo bando. Na realidade eles viveram em épocas e lugares diferentes e nunca se conheceram de fato. Porém para esse filme todos foram reunidos em prol da diversão do público. De maneira em geral gostei muito dessa produção. É bem realizado, tem um bom roteiro e um desfecho que segue a tradição de muitos filmes de western, com direito a um duelo bem no meio de uma cidade fantasma localizada no deserto.

A Volta dos Homens Maus (Return of the Bad Men, Estados Unidos, 1948) Direção: Ray Enright / Roteiro: Charles O'Neal, Jack Natteford / Elenco: Randolph Scott, Robert Ryan, Anne Jeffreys, George 'Gabby' Hayes, Jacqueline White / Sinopse: Quadrilha de pistoleiros e foras-da-lei se reúne em uma pequena cidadezinha do velho oeste para roubar o banco local. Enquanto isso um rancheiro decide vender tudo para entrar na corrida ao ouro que está sendo organizada rumo ao novo estado da Califórnia.

Pablo Aluísio. 

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 11

O filme "Suzana" (Susannah of the Mounties) foi lançado em 1939. Com direção da dupla de cineastas William A. Seiter e Walter Lang (esse último não creditado), o faroeste contava uma história interessante. O roteiro mostrava um problema que nem sempre era tratado pelos filmes da época. A questão das crianças órfãs, quando os pais eram mortos em conflitos entre os colonizadores e os índios. Quem cuidava dessas crianças? Scott aqui interpreta o bom homem que resolve adotar uma dessas órfãs. Curiosamente esse filme foi colorizado, mas prefiro muito mais a versão original, em preto e branco.

O filme seguinte segue sendo muito especial para fãs do western. Isso porque nessa produção o ator Randoloh Scott interpretou ninguém menos do que o lendário xerife Wyatt Earp. Estou me referindo, é claro, a um dos personagens mais mitológicos do velho oeste americano. Um personagem histórico, que realmente existiu. "A Lei da Fronteira" (Frontier Marshal, Estados Unidos, 1939) é um desses filmes até complicados de achar, mas caso você consiga não deixe de adquirir para sua coleção de filmes clássicos e de western. Item indispensável.

O filme seguinte de Scott não foi um faroeste ao velho estilo, mas sim um filme de guerra chamado "Vigilantes do Mar" (Coast Guard, Estados Unidos, 1939). Um filme bem pouco conhecido hoje em dia, mas que seguiu o clima de euforia que se seguia naqueles tempos conturbados. Não é desnecessário lembrar que o mundo estava nas vésperas do maior conflito da história, a II Grande Guerra Mundial. Com os ânimos patrióticos em alta, os estúdios corriam para faturar em cima desse tipo de sentimento dos americanos.

E o fim da década de 1930 chegou para Scott com o lançamento de sua último filme dos anos 30, chamado "20.000 Homens por Ano" (20,000 Men a Year, Estados Unidos, 1939). Dirigido por Alfred E. Green, também era um filme sobre militarismo, mas ao invés da marinha do filme anterior, tínhamos aqui a história de um piloto da força aérea. Os fãs curtiram e prestigiaram, mas o fato é que as pessoas (principalmente os mais jovens) queriam ver Randolph Scott interpretando cowboys e não aviadores. E o ator entendeu bem esse recado.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Sangue de Heróis

Sangue de Heróis
O filme Fort Apache foi lançado em 1948, dirigido por John Ford e estrelado por Henry Fonda, John Wayne, Shirley Temple, Pedro Armendáriz, Ward Bond e George O'Brien. O longa é o primeiro da chamada “Trilogia da Cavalaria” de Ford e se passa em um posto militar isolado no Oeste americano. A trama acompanha o coronel Owen Thursday, um oficial rígido e orgulhoso que assume o comando de Fort Apache e passa a impor sua autoridade de forma inflexível. Em contraste, o capitão Kirby York, interpretado por John Wayne, representa uma visão mais pragmática e experiente do cotidiano militar na fronteira. À medida que a tensão aumenta entre o coronel e seus subordinados, a situação se agrava com os conflitos com os povos indígenas da região. Thursday, movido por orgulho e desejo de glória, toma decisões questionáveis que colocam seus homens em perigo. O filme constrói um retrato complexo da disciplina militar, da honra e dos erros humanos. Ao mesmo tempo, apresenta uma visão crítica das relações entre o Exército e os nativos americanos. A narrativa combina ação, drama e reflexão histórica. Assim, Fort Apache se destaca como um western mais profundo e reflexivo do que o padrão da época.

Quando foi lançado, Fort Apache recebeu uma recepção crítica majoritariamente positiva, sendo elogiado pela imprensa americana por sua abordagem mais madura do gênero western. O jornal The New York Times destacou que o filme era “um drama poderoso que vai além dos clichês do faroeste tradicional”, ressaltando a complexidade dos personagens e da narrativa. Já o Los Angeles Times elogiou a direção de John Ford, afirmando que ele conseguiu “equilibrar espetáculo e introspecção com grande habilidade”. A revista Variety destacou a qualidade do elenco e a força do roteiro, observando que o filme “apresenta um retrato humano e convincente da vida militar na fronteira”. Muitos críticos também elogiaram a forma como o filme aborda o tema da arrogância militar e suas consequências. A performance de Henry Fonda foi particularmente destacada, especialmente por interpretar um personagem diferente de seus papéis habituais. A crítica reconheceu o filme como um trabalho mais sofisticado dentro do gênero. Assim, Fort Apache conquistou respeito imediato entre jornalistas e especialistas em cinema.

A recepção crítica continuou favorável, com diversas publicações destacando o filme como uma das melhores obras de John Ford. A revista The New Yorker comentou que o longa era “uma meditação elegante sobre autoridade, honra e erro humano”. Muitos críticos também elogiaram a forma como o filme humaniza os personagens indígenas, algo relativamente incomum para a época. Embora o filme não tenha sido um grande destaque em premiações como o Oscar, ele foi amplamente reconhecido como uma obra de alta qualidade artística. A direção de Ford, aliada à fotografia em preto e branco e às paisagens monumentais, foi frequentemente citada como um dos pontos fortes do longa. A construção dos personagens e o desenvolvimento da trama também receberam elogios consistentes. Ao longo do tempo, críticos passaram a considerar Fort Apache como um dos westerns mais importantes do período clássico de Hollywood. A obra contribuiu para redefinir o gênero, introduzindo maior complexidade moral. Dessa forma, o filme consolidou sua reputação entre os grandes clássicos do cinema americano.

Do ponto de vista comercial, Fort Apache teve um desempenho sólido nas bilheterias. Embora não tenha sido um fenômeno gigantesco, o filme foi bem recebido pelo público e gerou lucro para o estúdio. O orçamento relativamente controlado ajudou a garantir sua viabilidade financeira. O público da época apreciou a combinação de ação, drama e personagens marcantes. A presença de estrelas como John Wayne e Henry Fonda contribuiu significativamente para atrair espectadores. O filme também teve boa repercussão em exibições posteriores, especialmente na televisão. Com o passar dos anos, sua popularidade continuou a crescer, impulsionada por sua qualidade artística. Muitos fãs de western passaram a considerar o filme uma obra essencial do gênero. Assim, Fort Apache conseguiu equilibrar reconhecimento crítico e sucesso comercial. Seu desempenho consolidou a posição de John Ford como um dos grandes diretores de Hollywood.

Atualmente, Fort Apache é amplamente considerado um dos grandes clássicos do western americano. O filme é frequentemente citado como uma obra fundamental dentro da filmografia de John Ford. Sua abordagem mais crítica e complexa das relações entre o Exército e os povos indígenas continua sendo relevante. A atuação de Henry Fonda é lembrada como uma das mais marcantes de sua carreira. O filme também é reconhecido por sua influência sobre westerns posteriores, que passaram a explorar temas mais profundos e ambíguos. A trilogia da cavalaria de Ford, iniciada com este filme, é vista como uma das contribuições mais importantes ao gênero. Críticos contemporâneos continuam elogiando sua narrativa e seus personagens. Novas gerações de espectadores ainda descobrem e apreciam o filme. Dessa forma, Fort Apache mantém sua relevância histórica e artística. Sua reputação como clássico é amplamente consolidada.

Sangue de Heróis  (Fort Apache, Estados Unidos, 1948) Direção: John Ford / Roteiro: Frank S. Nugent e Laurence Stallings, baseado em história de James Warner Bellah / Elenco: Henry Fonda, John Wayne, Shirley Temple, Pedro Armendáriz, Ward Bond e George O'Brien / Sinopse: Um rígido coronel assume o comando de um posto militar na fronteira e, ao ignorar a experiência de seus oficiais, conduz suas tropas a um confronto perigoso que revela as consequências do orgulho e da liderança inflexível.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Sangue de Heróis

Sangue de Heróis
Baseado no livro de James Warner Bellah, "Fort Apache - Sangue de Heróis" é um ótimo faroeste. Produzido e dirigido por John Ford, ele é o primeiro de uma trilogia realizada pelo cineasta sobre a cavalaria do exército americano, pós-guerra civil. Os dois outros, igualmente ótimos, são "Legião Invencível", de 1949, e "Rio Grande", de 1950. O filme gira em torno de um arrogante coronel da cavalaria americana, disposto a tudo para ter o reconhecimento do governo dos EUA por seus relevantes serviços prestados à nação. Para tanto, despreza os conselhos de seus auxiliares mais próximos, conhecedores dos problemas vividos pelos apaches, no longínquo território do Arizona e se envolve numa guerra desnecessária e suicida contra os indígenas, que só queriam ser tratados com um pouco de respeito e justiça. E o que chama a atenção é que, após sua morte, ele consegue ser oficialmente reconhecido como herói, muito embora tenha injustificadamente sacrificado a vida de centenas de homens sob seu comando.

Além do belo trabalho realizado por Ford, o filme conta com um roteiro muito bem estruturado e com a magnífica fotografia de Archie Stout. Henry Fonda está soberbo no papel do coronel Thursday, seguido de John Wayne, como o oficial que se rebela contra suas ordens. Adicionalmente "Fort Apache - Sangue de Heróis" conta ainda com um elenco coadjuvante de primeira linha, com nomes como Ward Bond, Victor McLaglen, George O'Brien e Pedro Armendáriz, entre outros. Shirley Temple, a garota prodígio da década de 30, faz um bom trabalho como adulta, na época com 20 anos de idade. O roteiro (e obviamente o livro que lhe deu origem) são em essência uma romantização em cima da história real do General Custer. Após ser morto pelas tribos comandadas por Cavalo Louco e Touro Sentado, Custer virou um herói nacional nos EUA. Na realidade ele era um carreirista que não media esforços para subir na carreira, não importando as consequências de seus atos. O Coronel Thursday do filme nada mais é do que uma alegoria da personalidade verdadeira do Custer histórico. Por tudo isso e muito mais o filme hoje é simplesmente essencial para os fãs do grande cinema da era de ouro de Hollywood. Sem dúvida uma obra magnífica.

Sangue de Heróis (Fort Apache, Estados Unidos, 1948) / Direção: John Ford / Roteiro: Frank S. Nugent, James Warner Bellah / Elenco: John Wayne, Henry Fonda, Ward Bond, Shirley Temple e John Agar / Sinopse: Sangue de Heróis é o primeiro filme da grande trilogia western do renomado diretor John Ford. O filme é baseado na história real do famoso General Custer que na vida real era um carreirista que não media esforços para subir na hierarquia militar.

Pablo Aluísio.

Rio Vermelho

Rio Vermelho
Assistir a esse filme foi um enorme prazer para mim. Primeiro porque eu sou um fã incondicional do ator Montgomery Clift. Segundo porque eu acho este um dos mais belos westerns de todos os tempos e terceiro porque John Wayne e Howard Hawks estão no auge de suas carreiras. Esta é uma película realmente nota dez, em todos os aspectos e por isso se tornou um filme atemporal, inesquecível e clássico. Montgomery Clift era um caso à parte. Considerado um dos maiores atores jovens de seu tempo, ao lado de Marlon Brando e James Dean, Clift era um profissional à frente de sua época. Cria do teatro americano, local onde ele sentia-se realmente à vontade, ele relutou muito antes de ingressar no cinema. Temia perder sua identidade e ser engolido pelo Star System. Sempre foi um ator independente e conseguiu se impor à indústria, fez poucos filmes, mas todos escolhidos a dedo, e muitos destes títulos se tornaram clássicos absolutos da história. do cinema americano. Basta lembrar de "Um lugar ao sol" e "A um passo da Eternidade", por exemplo. Complexo e torturado por demônios internos, Clift acabou por tabela imprimindo uma densidade ímpar em suas atuações. O conflito interno do ator era automaticamente passado para seus papéis. Aqui ele se sobressai mesmo interpretando um personagem sem grande profundidade, em sua estreia nas telas, curiosamente em um western estrelado pelo maior nome do gênero, John Wayne. O contraste entre a determinação e rudeza de Wayne com a sensibilidade de Clift se torna um dos grandes trunfos do filme.

E o Duke? Bem, ele está novamente ótimo no papel de um velho rancheiro dono de milhares de cabeças de gado, que tem como único objetivo levá-las, em uma grande caravana, para o Estado do Missouri. Conforme o tempo passa e as dificuldades se tornam maiores o personagem de Wayne vai ficando cada vez mais obcecado, tornando insuportável a vida de seus homens. O clímax ocorre em uma feroz luta entre Wayne e Clift. Um duelo entre os velhos e os novos paradigmas do velho oeste. A cena entrou para a história do cinema americano. Em relação à inspirada direção um famoso crítico americano resumiu a opinião da época: "Tendo como pano de fundo as belas paisagens do meio oeste americano, o mestre Howard Hawks faz um dos melhores faroestes dos últimos tempos, não se limitando, no entanto, a falar apenas do expansionismo capitalista americano, povoando terras desertas em meados do século 19. Vai além: realizando um belo painel sobre as relações humanas, através dp choque de personalidades de Dunson (Wayne) e Garth (Montgomery Clift). Criados como pai e filho, protagonizam uma estória de amor e ódio absolutamente emocionante". O filme concorreu aos Oscar de melhor roteiro e Montagem. Uma injustiça não ter ganho nenhum, mas se a Academia não o premiou ele acabou recebendo outro tipo de reconhecimento, e este bem mais importante, o reconhecimento popular daqueles que o assistiram e jamais esqueceram ao longo de todos esses anos.

Rio Vermelho (Red River, EUA, 1948) Direção: Howard Hawks / Roteiro: Borden Chase e Charles Schnee, baseado na novela The Chisholm Trail de Borden Chase. / Elenco: John Wayne, Montgomery Clift, Joanne Dru, Walter Brennan / Sinopse: Thomas Dunson (John Wayne) é um velho rancheiro, dono de milhares de cabeças de gado, que tem como único objetivo levá-las, em uma grande caravana, para o Estado do Missouri. Conforme o tempo passa e as dificuldades se tornam maiores Thomas vai ficando cada vez mais obcecado, tornando insuportável a vida de seus homens, entrando em conflito com Matt Garth (Montgomery Clift), um cowboy que participa da caravana.

Pablo Aluísio.