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terça-feira, 23 de junho de 2026

O Intrépido General Custer

O Intrépido General Custer
Cinebiografia romanceada do General George Armstrong Custer (Errol Flynn) e sua sétima cavalaria. A tropa ficou muito famosa na história norte-americana por causa de suas lutas contra tribos hostis lideradas pelo chefe Sioux Touro Sentado. O clímax do filme acontece justamente na batalha de Little Big Horn quando os soldados americanos enfrentaram de forma decisiva, em campo aberto, as hordas indígenas. Quando resolvi assistir esse filme fui com o pensamento de que veria uma produção muito bem realizada, historicamente incorreta, mas que no final das contas tinha tudo para ser um bom western de entretenimento estrelado pelo ídolo Errol Flynn. Acertei bem no alvo! 

O título em inglês é uma expressão popular no exército que se refere aos soldados mortos em serviço, no campo de batalha - uniformizados, com suas botas! (They Died with Their Boots On). Pois bem, a primeira parte do filme é um tanto romanceada além do que seria razoável, inclusive com toques de humor em excesso, algo que eu realmente não esperava nesse tipo de produção. Essa parte inicial tem muito mais a ver com o estilo bonachão de Errol Flynn do que com a biografia do general Custer, que era um sujeito sisudo e de poucas palavras na vida real (ao contrário da caracterização de Flynn, sempre sorridente e soltando piadas).

Já dos sessenta minutos em diante o filme cresce muito (são duas horas e meia de duração). Isso acontece porque o lado mais romanceado do filme é deixado de lado para que o roteiro desenvolva os eventos que aconteceram com o General e seus soldados. A partir desse momento do filme Custer se torna um general e vai para o oeste lutar nas chamadas guerras indígenas. O filme aqui se torna mais sério, com roteiro muito bem estruturado e com um final muito bem realizado, inclusive do ponto de vista histórico (os tropeços em termos de história ocorrem quase todos na primeira parte do filme). O elenco de apoio traz a simpática Olivia de Havilland fazendo mais uma vez o interesse romântico de Flynn. Charley Grapewin surge no papel de "California Joe", um dos melhores personagens do filme, aqui na pele de um excepcional ator, ótimo mesmo. De resto o filme faz jus à fama do diretor Raoul Walsh, sempre muito competente. Se não é fiel do ponto de vista histórico, pelo menos serve, ainda nos dias de hoje, como um competente veículo de diversão para o espectador.

O Intrépido General Custer (They Died with Their Boots On, EUA, 1941) Direção: Raoul Walsh / Roteiro: Wally Kline, Eneas MacKenzie / Elenco Errol Flynn, Olivia de Havilland, Arthur Kennedy / Sinopse: Cinebiografia romanceada do General George Armstrong Custer (Errol Flynn) e sua sétima cavalaria. Militar famoso desde os tempos da guerra civil ele liderou uma série de ataques contra índios rebeldes em territórios distantes do velho oeste e acabou tendo um final trágico.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Caravana de Ouro

Caravana de Ouro
Na fase final da Guerra Civil Americana, os confederados sofrem pela falta de recursos, dinheiro e equipamentos. A única solução é encontrar de forma urgente uma nova fonte de ouro. Ela existe em Virginia City, Nevada, porém a região está dominada pelas tropas da União. O alto comando do exército sulista decide então enviar o Capitão Vance Irby (Randolph Scott) para liderar uma caravana que traga o ouro até Richmond. A União, por sua vez, envia o Major Kerry Bradford (Errol Flynn) para deter os planos dos rebeldes. Começa a partir daí um jogo de traições, falsas pistas e acobertamentos envolvendo o valioso carregamento.

Virginia City é uma obra pouco lembrada do mestre Michael Curtiz. Com roteiro mais bem elaborado do que o habitual, envolvendo uma curiosa trama de espionagem protagonizada por dois militares se fazendo passar por espiões e agentes infiltrados, o filme acabou sendo considerado complexo demais para o público ao qual se destinava. Hoje em dia ganha muito em novas revisões, justamente por causa da bem arquitetada história. Outro ponto que chama logo a atenção é o elenco, com três grandes mitos da história de Hollywood. O primeiro é Errol Flynn, eterna estrela das produções dirigidas por Curtiz na Warner. Seu personagem tem ares de Robin Hood, a perícia de um Capitão Blood e a valentia do General Custer. De maneira geral, apesar de ser o protagonista do enredo, é o personagem menos interessante do filme, apenas uma mistura pouco criativa de vários outros papéis desempenhados por Flynn ao longo de sua carreira.

Já o Capitão confederado Vance Irby, interpretado por Randolph Scott, é muito mais bem desenvolvido. Comandante de uma prisão militar no começo do filme, ele é enviado pessoalmente pelo presidente Jeff Davis para trazer o ouro para os cofres sulistas numa última e desesperada tentativa de vencer uma guerra que naquela altura já parecia estar perdida, pois como bem explica um dos generais rebeldes: “Guerras são vencidas com dinheiro e não apenas com bravura e honra”. Randolph Scott está completamente à vontade, até porque o western sempre foi o seu gênero preferido no cinema. Humphrey Bogart surge em cena como John Murrell, líder de um grupo de bandoleiros que está de olho no ouro. É muito divertido assistir Bogart nesse papel, pois ele é bastante sui generis em sua carreira. Com um bigodinho bem estranho, ele mal pôde ser reconhecido por causa de sua caracterização. Além disso, trata-se de um personagem bem coadjuvante, o único vilão verdadeiro da trama, papel aceito pelo ator por causa de sua amizade e gratidão para com Curtiz, cineasta a quem tinha enorme respeito. Assim, Caravana do Ouro é de fato um ótimo faroeste que merece ser desempoeirado após ficar tantos anos esquecido sob as areias do tempo.

Caravana de Ouro (Virginia City, Estados Unidos, 1940) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Robert Buckner / Elenco: Errol Flynn, Randolph Scott, Humphrey Bogart, Miriam Hopkins / Sinopse: Durante os momentos finais da Guerra Civil Americana, um oficial confederado lidera uma arriscada caravana para transportar ouro através de território dominado pela União, desencadeando um perigoso jogo de espionagem e traições.

Pablo Aluísio. 

Em Cartaz: Caravana de Ouro
O western Caravana de Ouro estreou nos cinemas em 1940, produzido pela Warner Bros. e dirigido por Michael Curtiz, reunindo um elenco de peso liderado por Errol Flynn, Randolph Scott, Humphrey Bogart e Miriam Hopkins. Ambientado nos momentos finais da Guerra Civil Americana, o filme acompanha uma arriscada missão confederada para transportar uma enorme carga de ouro a partir da cidade de Virginia City, enquanto forças da União tentam impedir o plano. Lançado em plena era de ouro dos filmes de aventura, o longa foi divulgado como uma superprodução de ação e suspense histórico.

Do ponto de vista comercial, Caravana de Ouro teve um bom desempenho de bilheteria, confirmando a popularidade contínua de Errol Flynn junto ao público. Embora não esteja entre os maiores sucessos da carreira do ator, o filme arrecadou valores suficientes para ser considerado lucrativo para o estúdio, especialmente no mercado doméstico americano. A combinação de western, drama de guerra e ação ajudou a atrair um público amplo, reforçando a força do gênero nos anos 1940.

A recepção crítica na época foi majoritariamente positiva, destacando o ritmo acelerado e o espetáculo visual. O jornal The New York Times escreveu que o filme era “uma aventura robusta e movimentada, encenada com energia e competência”, elogiando a direção segura de Michael Curtiz e a escala das sequências de ação. Já a revista Variety descreveu o longa como “um western de grande fôlego, repleto de incidentes dramáticos e apelo comercial garantido”, ressaltando seu potencial junto ao público popular.

Entre os destaques apontados pela imprensa estava a presença de Humphrey Bogart no papel do vilão John Murrell. Alguns críticos observaram que Bogart oferecia “uma atuação surpreendentemente sinistra e memorável”, contrastando com os heróis tradicionais do gênero. Outros jornais notaram que o filme, embora ambientado na Guerra Civil, tratava o conflito mais como pano de fundo para ação e aventura do que como uma reconstrução histórica rigorosa, algo visto como uma virtude no cinema de entretenimento da época.

Com o passar dos anos, Caravana de Ouro consolidou-se como um clássico do western de estúdio, lembrado tanto pela direção eficiente de Curtiz quanto pelo encontro de grandes estrelas em início ou auge de carreira. As críticas publicadas em 1940 já indicavam que o filme não pretendia redefinir o gênero, mas sim oferecer um espetáculo envolvente e bem produzido. Hoje, ele permanece como um exemplo representativo do cinema de aventura hollywoodiano do início da década de 1940 e do poder narrativo da Warner Bros. naquele período.