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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Era Uma Vez no Oeste

Era Uma Vez no Oeste
O filme Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West) foi lançado em 1968, dirigido por Sergio Leone e estrelado por Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale e Jason Robards. Considerado um dos maiores westerns da história do cinema, o filme apresenta uma narrativa épica ambientada na expansão das ferrovias no Oeste americano. A história gira em torno de Jill McBain, uma mulher que chega a uma nova cidade após casar-se com um fazendeiro, apenas para descobrir que seu marido e sua família foram assassinados. Ao seu redor orbitam três figuras centrais: Harmonica, um misterioso pistoleiro em busca de vingança; Frank, um implacável assassino a serviço de interesses corporativos; e Cheyenne, um fora da lei carismático. À medida que a trama se desenrola, os destinos desses personagens se entrelaçam em um cenário de violência, ambição e transformação histórica. O filme se destaca por seu ritmo contemplativo, com longas sequências silenciosas que constroem tensão de maneira única. A direção de Leone enfatiza enquadramentos amplos e closes intensos. A narrativa aborda o fim do Velho Oeste e o surgimento de uma nova ordem. Assim, Era uma Vez no Oeste se apresenta como uma obra grandiosa e profundamente simbólica.

Quando foi lançado, Era uma Vez no Oeste teve uma recepção crítica mista nos Estados Unidos, embora tenha sido muito bem recebido na Europa. O The New York Times considerou o filme “excessivamente longo e indulgente em seu estilo”, criticando o ritmo lento da narrativa. Já o Los Angeles Times reconheceu a força visual do filme, mas apontou que ele poderia ser difícil para espectadores acostumados a westerns mais tradicionais. A revista Variety destacou que o longa possuía “uma estética impressionante, embora nem sempre acessível ao grande público”. Muitos críticos americanos da época não estavam preparados para a abordagem operística e estilizada de Leone. Em contraste, na Europa, o filme foi amplamente elogiado por sua ambição artística e inovação dentro do gênero. Alguns críticos europeus consideraram a obra uma evolução do western, transformando-o em algo mais próximo de uma ópera cinematográfica. Assim, a recepção inicial foi marcada por uma divisão geográfica na crítica. O filme gerou tanto admiração quanto estranhamento. Dessa forma, sua estreia foi cercada de controvérsia.

Com o passar dos anos, a crítica passou por uma grande reavaliação, transformando Era uma Vez no Oeste em uma obra amplamente reconhecida como-prima. Publicações como The New Yorker passaram a destacar o filme como “um épico cinematográfico de rara beleza e profundidade”. A trilha sonora de Ennio Morricone tornou-se um dos elementos mais celebrados do filme, sendo considerada uma das maiores já compostas para o cinema. A atuação de Henry Fonda como vilão surpreendeu críticos e público, já que o ator era tradicionalmente associado a personagens heroicos. O uso de silêncio, ritmo lento e construção visual passou a ser visto como inovador e influente. Embora o filme não tenha sido um grande vencedor em premiações como o Oscar na época de seu lançamento, sua reputação cresceu enormemente ao longo das décadas. Muitos críticos modernos o consideram um dos maiores westerns já feitos. A sequência de abertura e o duelo final são frequentemente citados como momentos icônicos do cinema. Dessa forma, o filme alcançou status de clássico absoluto. Sua reavaliação crítica foi decisiva para consolidar sua importância histórica.

Do ponto de vista comercial, Era uma Vez no Oeste teve um desempenho muito forte na Europa, especialmente na Itália e na França, onde se tornou um grande sucesso de bilheteria. Nos Estados Unidos, entretanto, seu desempenho inicial foi mais modesto, em parte devido à recepção crítica dividida e ao ritmo pouco convencional do filme. Com o tempo, relançamentos e exibições televisivas ajudaram a ampliar seu público. O filme passou a conquistar novas audiências, especialmente entre cinéfilos e admiradores do gênero western. A popularidade crescente também foi impulsionada pelo prestígio de Sergio Leone. O longa continuou a gerar receita ao longo das décadas por meio de home video e exibições especiais. O público passou a apreciar mais sua abordagem estilizada e sua narrativa épica. Assim, embora não tenha sido um sucesso imediato nos Estados Unidos, o filme se tornou extremamente lucrativo no longo prazo. Seu desempenho comercial acabou acompanhando sua crescente reputação crítica. Dessa forma, consolidou-se como um sucesso duradouro.

Atualmente, Era uma Vez no Oeste é amplamente considerado um dos maiores filmes da história do cinema. A obra é frequentemente incluída em listas dos melhores filmes já produzidos. Sua influência pode ser vista em inúmeros diretores contemporâneos, que adotaram elementos do estilo de Sergio Leone. O uso de enquadramentos extremos, trilha sonora marcante e construção lenta do suspense tornou-se referência. O filme também é visto como uma reflexão sobre o fim de uma era, marcando a transição do Velho Oeste para a modernidade. A atuação de Henry Fonda como vilão continua sendo um dos aspectos mais comentados. A personagem de Claudia Cardinale também é reconhecida por sua importância dentro da narrativa. Novas gerações continuam descobrindo o filme e se impressionando com sua estética. Dessa forma, sua reputação como clássico é incontestável. Era uma Vez no Oeste permanece como uma obra essencial do cinema mundial.

Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West, Itália/Estados Unidos, 1968) Direção: Sergio Leone / Roteiro: Sergio Leone, Sergio Donati e Dario Argento, baseado em história de Leone e Bernardo Bertolucci / Elenco: Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale, Jason Robards, Gabriele Ferzetti e Paolo Stoppa / Sinopse: Em meio à expansão das ferrovias no Oeste americano, uma mulher e três homens com motivações distintas se enfrentam em uma trama de vingança, ambição e transformação histórica. 

Erick Steve. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Rajadas de Ódio

Rajadas de Ódio
Muitas vezes a paz é simplesmente impossível. Isso é o que tenta mostrar o excelente western "Rajadas de Ódio". Na trama somos apresentados a Johnny MacKay (Alan Ladd) que é enviado pelo presidente Grant para uma região remota do Oeste com o objetivo de pacificar o local. Para isso ele deve usar de todos os meios diplomáticos possíveis, inclusive procurando pessoalmente o chefe rebelde conhecido como "Capitão Jack" (Charles Bronson). Os problemas começam logo na viagem aonde sua diligência é atacada e uma das passageiras, uma senhora inocente, é morta covardemente por um dos homens de Jack.

A partir daí as coisas parecem ir de mal a pior. Embora com toda a boa vontade do mundo Johnny enfrentará muitas dificuldades em alcançar a paz simplesmente porque esse não é o desejo do Capitão Jack e seu bando de Apaches selvagens. Quando uma das partes não aceita e nem quer a paz ela se torna simplesmente impossível. Uma das coisas mais corajosas de "Rajadas de Ódio" é o fato de seu roteiro ser extremamente bem intencionado, pacifista, muito ideológico, algo que realmente chama a atenção em um faroeste da década de 1950.

O elenco é liderado pelo sempre correto Alan Ladd. Seu personagem, um delegado de paz, vem bem a calhar aos tipos que Ladd geralmente interpretava em seus filmes. Ele sempre aparecia em cena como o bom Cowboy, de boa índole e coração de ouro mas que na necessidade também sabia usar de suas armas para impor novamente a ordem no local. Esse tipo de personagem faz parte da mitologia do velho oeste em vários filmes, livros e histórias e Alan Ladd encarnava com perfeição esse tipo de "cavalheiro de esporas".

O filme foi dirigido pelo competente Delmer Daves, um diretor que sempre gostei. Fino e elegante fez vários faroestes para os estúdios Warner, todos com muita competência. Pouco tempo depois da realização desse "Rajadas de Ódio" encontraria em Glenn Ford uma grande parceria em westerns de sucesso. Em conclusão indico esse bem intencionado faroeste para os apreciadores de bons roteiros, principalmente os que trazem em seu conteúdo uma mensagem subliminar positiva e edificante. Nesse aspecto a mensagem de "Rajadas de Ódio" tocará fundo nos pacifistas por convicção.


Rajadas de Ódio (Drum Beat, Estados Unidos, 1954) Direção: Delmer Daves / Roteiro: Delmer Daves / Elenco: Alan Ladd, Charles Bronson, Audrey Dalton, Marisa Pavan / Sinopse: Na trama somos apresentados a Johnny MacKay (Alan Ladd) que é enviado pelo presidente Grant para uma região remota do Oeste com o objetivo de pacificar o local. Para isso ele deve usar de todos os meios diplomáticos possíveis, inclusive procurando pessoalmente o chefe rebelde conhecido como "Capitão Jack" (Charles Bronson).

Pablo Aluísio.