Encontro com o Diabo, título brasileiro de The Big Land, foi lançado nos Estados Unidos em 23 de fevereiro de 1957, com direção de Gordon Douglas, cineasta que trabalharia em diversos gêneros ao longo de sua carreira, incluindo faroestes, filmes policiais e aventuras. A produção foi realizada pela Jaguar Productions, empresa de Alan Ladd, e distribuída pela Warner Bros., tendo como protagonistas o próprio Alan Ladd, Virginia Mayo e Edmond O'Brien, acompanhados por Anthony Caruso, Julie Bishop, John Qualen e Don Castle. O roteiro foi escrito por David Dortort e Martin Rackin, a partir do romance Buffalo Grass, de Frank Gruber, publicado em 1955. O filme foi rodado em parte nas proximidades de Sonora, na Califórnia, embora sua história se passe principalmente no contexto do Kansas e do Missouri após a Guerra Civil. A narrativa acompanha Chad Morgan, ex-oficial confederado que retorna ao Texas e participa de uma grande condução de gado em direção ao Missouri. Os criadores de gado esperam conseguir bons preços por seus animais, mas encontram um mercado dominado pelo inescrupuloso Brog, que controla o único ponto ferroviário disponível para o transporte da carne. Depois de perceber que não conseguirá prosperar naquele sistema, Chad se une a Joe Jagger, um ex-arquiteto que caiu no alcoolismo, e começa a imaginar uma alternativa. Os dois decidem criar uma nova comunidade no Kansas, ligada à ferrovia, capaz de receber gado e produtos agrícolas. O projeto, porém, ameaça diretamente os interesses de Brog e transforma a construção da nova cidade em uma disputa pela própria sobrevivência.
A recepção da crítica americana foi predominantemente negativa, especialmente entre os principais críticos de jornais e revistas. Bosley Crowther, do The New York Times, foi particularmente duro e escreveu que as expectativas sugeridas pelo título "dribble down the drain", classificando o filme como um faroeste indistinto e criticando a artificialidade tanto da história quanto da atuação de Alan Ladd. Crowther chegou a descrever Ladd como um "pasteboard cutout of the cowboy", uma espécie de figura de papelão do herói que o ator havia interpretado em Shane. A crítica do Los Angeles Times foi igualmente desfavorável, afirmando que o filme era "about as plodding as a western can get and still be called one". A principal reclamação era justamente o ritmo lento, especialmente para um filme que pretendia combinar aventura, conflito de terras, condução de gado e tiroteios. O The New Yorker, entretanto, ofereceu uma crítica mais espirituosa e menos agressiva. John McCarten observou que havia algo relaxante em acompanhar Alan Ladd entre gado, pistoleiros e paisagens do Oeste, mas ironizou a conhecida economia emocional do ator, comparando sua capacidade de não demonstrar sentimentos à de John Wayne. Para McCarten, Ladd permanecia essencialmente um herói de poucas dimensões, embora isso fizesse parte de seu apelo junto ao público. Assim, a crítica americana reconheceu alguns valores de produção e a presença de Ladd, mas considerou o filme convencional demais para se destacar entre os numerosos faroestes produzidos em Hollywood durante os anos 1950.
A recepção internacional também não transformou The Big Land em um clássico do gênero. No Reino Unido, o filme foi lançado com o título Stampeded, uma alteração que procurava enfatizar seu caráter de aventura western e sua história envolvendo uma grande condução de gado. Na França, recebeu o título Les loups dans la vallée, enquanto em outros países europeus também ganhou títulos diferentes, demonstrando a tentativa dos distribuidores de apresentar a produção como um faroeste tradicional de ação. A crítica europeia posterior foi mais interessada em observar o lugar do filme dentro da carreira de Alan Ladd do que em tratá-lo como uma grande realização cinematográfica. Um dos aspectos mais curiosos da produção é que ela foi uma das obras realizadas pela Jaguar Productions, companhia criada por Ladd em 1953, numa tentativa do ator de controlar melhor seus próprios projetos. O filme também possui importância histórica por marcar a estreia cinematográfica dos filhos de Alan Ladd, Alana e David Ladd, embora David tenha se tornado especialmente conhecido no ano seguinte em The Proud Rebel. Outro elemento interessante é a participação de Edmond O'Brien, cuja interpretação de Joe Jagger oferece uma das dimensões mais humanas e descontraídas da produção. Não houve indicações ao Oscar ou ao Globo de Ouro, e The Big Land permaneceu à margem das principais premiações de 1957. Seu reconhecimento posterior veio principalmente de admiradores do faroeste clássico e de estudiosos da carreira de Alan Ladd.
Com duração de aproximadamente 92 minutos, The Big Land era uma produção relativamente enxuta para os padrões dos grandes faroestes americanos dos anos 1950. O orçamento exato não é facilmente encontrado em fontes confiáveis, mas o projeto fazia parte do novo acordo de produção entre a Jaguar Productions de Alan Ladd e a Warner Bros., que previa vários filmes ao longo de alguns anos. A produção teve uma campanha comercial apoiada sobretudo no nome de Ladd, que ainda era associado ao enorme sucesso de Shane, de 1953. O problema era justamente esse: praticamente todos os novos faroestes estrelados pelo ator eram comparados com aquele clássico, e The Big Land não conseguiu alcançar o mesmo impacto. O TCM observa que a comparação com Shane tornou-se inevitável e acabou prejudicando a percepção de vários dos westerns posteriores de Ladd. Não há atualmente um número consolidado e confiável de bilheteria mundial que permita apresentar uma renda total do filme sem correr o risco de reproduzir estimativas frágeis. Entretanto, registros de exibição contemporâneos mostram que a produção teve circulação comercial significativa em várias cidades americanas. O público encontrou aquilo que normalmente esperava de um faroeste de Alan Ladd: cavalgadas, conflitos por terras, gado, romance, vilões violentos e um confronto final. A recepção popular posterior também é moderada: o IMDb registra aproximadamente 6,3/10, enquanto o Rotten Tomatoes apresenta apenas 36% de aprovação crítica, embora a amostragem seja extremamente pequena. Portanto, comercialmente o filme cumpriu sua função como entretenimento de gênero, mas não se transformou em um dos grandes sucessos da carreira de Ladd.
Atualmente, The Big Land é visto principalmente como um faroeste de segunda linha dentro da filmografia de Alan Ladd, mas isso não significa que seja desprovido de interesse. O filme possui uma importância especial para quem deseja acompanhar a fase em que Ladd tentou assumir maior controle sobre sua carreira através da Jaguar Productions. A própria Turner Classic Movies reconhece que, apesar das críticas negativas de Bosley Crowther, admiradores de Ladd e do gênero podem encontrar prazer na produção, particularmente nas cenas de condução de gado e no trabalho do veterano diretor de fotografia John F. Seitz. Seitz havia trabalhado em clássicos como Double Indemnity, The Lost Weekend, Sunset Boulevard e This Gun for Hire, e sua presença dá ao filme uma qualidade visual superior àquela que sua reputação crítica poderia sugerir. Também chama atenção a tentativa de apresentar a construção de uma cidade e de uma nova rota comercial como o verdadeiro objetivo do herói, em vez de simplesmente contar uma história de vingança. Chad Morgan não deseja inicialmente matar seus inimigos; sua experiência na Guerra Civil fez com que rejeitasse a violência. Essa característica dá ao personagem uma dimensão interessante, ainda que o roteiro acabe conduzindo inevitavelmente ao tradicional duelo final. O filme também registra um momento importante da carreira de Alan Ladd, poucos anos depois de Shane e pouco antes de produções como The Proud Rebel e The Badlanders. Assim, embora esteja longe dos grandes clássicos do western, The Big Land permanece uma peça curiosa do cinema de gênero dos anos 1950, especialmente para os admiradores de Ladd e para quem se interessa pela evolução do faroeste americano no período.
Encontro com o Diabo (The Big Land, Estados Unidos, 1957) Direção: Gordon Douglas / Roteiro: David Dortort e Martin Rackin, baseado no livro Buffalo Grass, de Frank Gruber / Elenco: Alan Ladd, Virginia Mayo, Edmond O'Brien, Anthony Caruso, Julie Bishop e John Qualen / Sinopse: Após descobrir que um poderoso comerciante controla o mercado de gado do Missouri, um ex-oficial confederado decide construir uma nova cidade e uma ligação ferroviária no Kansas, enfrentando a violenta reação de seus inimigos.
Pablo Aluísio e Erick Steve.

Cine Western
ResponderExcluirPablo Aluísio.