terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Dia Voltarei

Título no Brasil: Um Dia Voltarei
Título Original: Flame of Barbary Coast
Ano de Lançamento: 1945
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: Joseph Kane
Roteiro: Borden Chase, Prescott Chaplin
Elenco: John Wayne, Ann Dvorak, Joseph Schildkraut

Sinopse:
Em San Francisco, no crepúsculo do velho oeste, um cowboy chamado Duke Fergus (John Wayne) se apaixona por uma bela dançarina e cantora de saloon conhecida como Ann 'Flaxen' Tarry (Ann Dvorak). Só que conquistar seu coração não vai ser tão fácil pois ele terá que disputá-la contra o magnata corrupto Tito Morell (Joseph Schildkraut). Filme indicado ao Oscar nas categoria de Melhor Som e Melhor Música Original (R. Dale Butts e Morton Scott). 

Comentários:
A Segunda Guerra Mundial estava chegando ao seu final quando John Wayne decidiu voltar aos filmes de faroeste. Só que dessa vez ele optou por um roteiro bem leve, quase uma comédia romântica passada nos tempos do velho oeste. Nada de muita ação envolvida, a história se concentrava mais nessa cantora e bailarina, cujo coração era disputada por dois homens, um magnata rico e sem escrúpulos e o cowboy de Wayne, trabalhador, de bom coração, muito ético e tudo mais. O fato curioso é que o próprio Wayne escolheu a atriz que iria trabalhar nesse papel da dançarina de saloon. E ele escolheu Ann Dvorak. Os críticos da época do lançamento original do filme criticaram a escolha pois ela já tinha passado da idade certa para interpretar essa personagem. Para Wayne isso entretanto era irrelevante. Ele estava interessado mesmo em seus talentos como cantora e dançarina. E nesse aspecto a veterana realmente não deixou nada a desejar. 

Pablo Aluísio.

Quando a Mulher se Atreve

Título no Brasil: Quando a Mulher se Atreve
Título Original: In Old Oklahoma
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures 
Direção: Albert S. Rogell
Roteiro: Thomson Burtis, Ethel Hill
Elenco: John Wayne, Martha Scott, Albert Dekker

Sinopse:
Em 1906, nas terras indígenas de Oklahoma, um cowboy chamado Daniel F. Somers (John Wayne) luta pelos seus direitos de arrendamento de um rancho contra um ganancioso empresário que deseja suas terras, pois há petróleo em seu subsolo. Enquanto a disputa se desenvolve, uma linda professora rouba os corações de ambos os inimigos.

Comentários:
Era para ser mais um faroeste de rotina na carreira de John Wayne, mas houve algumas mudanças interessantes. A produção decidiu filmar tudo no deserto de Utah, ao invés da Califórnia onde seus filmes anteriores tinham sido feitos. Isso trouxe uma bela fotografia ao filme como um todo. Era uma região diferente, com belas paisagens. Outras surpresas viriam. Os críticos gostaram do filme e teceram elogios e o filme acabou sendo indicado ao Oscar em duas categorias. Eram indicações bem inustiadas em se tratando de um western. Foi indicado na categoria de melhor som, pois se usou um equipamento de captação novo na época e melhor música. Acabou sendo um caso raro de filme de faroeste indicado por sua trilha sonora. Quem poderia imaginar?

Pablo Aluísio.

Fugitivos do Terror

Título no Brasil: Fugitivos do Terror
Título Original: Three Faces West
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Bernard Vorhaus
Roteiro: F. Hugh Herbert
Elenco: John Wayne, Sigrid Gurie, Charles Coburn, Spencer Charters

Sinopse:
O filme Three Faces West acompanha um médico austríaco refugiado que foge da Europa com sua filha após a ascensão do nazismo. Eles se estabelecem em uma comunidade agrícola nos Estados Unidos, onde tentam reconstruir suas vidas em meio às dificuldades provocadas pelas tempestades de areia do período conhecido como Dust Bowl. Enquanto a cidade enfrenta a destruição das plantações e o êxodo dos moradores, o médico passa a trabalhar ao lado de um jovem fazendeiro para ajudar a população local a sobreviver e encontrar esperança em tempos difíceis.

Comentários:
Three Faces West mistura drama social, romance e elementos de faroeste, refletindo preocupações importantes da época, como a crise dos refugiados europeus e os efeitos devastadores do Dust Bowl nos Estados Unidos. O filme também possui um tom de propaganda humanitária, defendendo a acolhida de imigrantes em um momento marcado pelo avanço do nazismo na Europa. John Wayne aparece em um papel mais dramático e menos heroico do que em muitos de seus westerns posteriores, demonstrando versatilidade em sua carreira inicial. Embora hoje seja uma obra menos conhecida, o filme é valorizado por seu contexto histórico e pela combinação incomum entre drama rural americano e questões internacionais do período pré-Segunda Guerra Mundial.

Erick Steve. 

Filmografia de John Wayne - Parte 2

Filmografia de John Wayne - Parte 2
Mais uma leva de filmes do ator John Wayne, agora na primeira metade da década de 1940, justamente os anos em que os Estados Unidos estiveram envolvidos na Segunda Grande Guerra Mundial. John Wayne não foi para as forças armadas americanas, ficando nos Estados Unidos, onde atuou em produções que ajudaram no esforço de guerra de sua nação. 

1940:
Comando Negro
Fugitivos do Terror
A Longa Viagem de Volta
A Pecadora

1941:
O Traído
O Carnaval da Vida
O Morro dos Maus Espíritos

1942:
Dama por uma Noite
Vendaval de Paixões
Indomável
Caminho Fatal
Tigres Voadores
Ódio e Paixão
Uma Aventura em Paris

1943:
Arrisca-te, Mulher!
Quando a Mulher se Atreve

1944:
Romance dos Sete Mares
Adorável Inimiga

1945:
Adorável Inimiga
Um Dia Voltarei
Espírito Indomável
Dakota
Fomos os Sacrificados

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 17

Provavelmente o último filme de John Wayne ao velho estllo tenha sido "O Anjo e o Malvado" (Angel and the Badman, 1947). Esse western seguia a fórmula das antigas fitas que Wayne havia feito bem no começo de sua carreira. Ele próprio escolheu o roteiro, bancou o filme através de sua recém criada companhia cinematográfica e atuou na distribuição ao lado da Republic Studios, que não teria vida longa, fechando as portas em poucos anos. Na realidade o próprio Wayne dirigiu esse filme, mas por receio de ser criticado, acabou colocando o roteirista do filme como creditado na direção. Isso mostrava que ele ainda tinha uma certa insegurança de ser visto como um cineasta em Hollywood. 

Depois disso John Wayne entraria definitivamente na grande fase de sua carreira. Ele deixaria os pequenos filmes de bang-bang de lado para atuar em filmes de western que mais se pareciam com grandes épicos sobre a fundação dos Estados Unidos. Grande produções, com elencos milionários, filmes dirigidos por grandes mestres da sétima arte. Foi a era de ouro de sua carreira. 

"Sangue de Heróis" (Fort Apache, 1948) foi seu primeiro grande filme nessa nova era. Dirigido por John Ford, o elenco contava ainda com outro grande astro de Hollywood naqueles anos, o excelente Henry Fonda. O diretor Ford queria contar a história da cavalaria norte-americana na conquista do Oeste selvagem. Sua ideia inicial era construir uma série de filmes sobre esse tema e esse seria o mais bem acabado nesse seu ambicioso projeto. 

Um grande filme, de fato. Marcou época e se tornou um dos maiores sucessos cinematográficos do ano. John Wayne e Henry Fonda se deram muito bem no set de filmagens. Tanto que se pensava na época que eles iriam trabalhar juntos em outros filmes com mais frequência. Algo que infelizmente não iria acontecer. Fort Apache fez tanto sucesso que Wayne não largou mais John Ford. Ele havia encontrado o diretor que tanto procurava, desde o começo de sua carreira, nos distantes anos 1920. Seria a consolidação de uma grande parceria entre eles. E o cinema só teria a ganhar com eles trabalhando juntos! 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Os Astros: Clint Eastwood

Os filmes de western de Clint Eastwood ocupam um lugar central não apenas em sua carreira, mas também na própria história do gênero. Eastwood começou a se destacar internacionalmente nos anos 1960, principalmente por meio das produções dirigidas por Sergio Leone, que reinventaram o western tradicional americano com uma abordagem mais crua e estilizada. Esses filmes, conhecidos como “spaghetti westerns”, foram inicialmente recebidos com certo ceticismo pela crítica norte-americana, mas conquistaram enorme sucesso comercial e posteriormente reconhecimento artístico. A figura do “Homem sem Nome” interpretada por Eastwood tornou-se um ícone cultural, marcando o início de sua associação definitiva com o gênero.

A chamada Trilogia dos Dólares — composta por Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito — foi fundamental para consolidar Eastwood como astro. Esses filmes apresentavam personagens moralmente ambíguos, violência estilizada e trilhas sonoras marcantes de Ennio Morricone. Apesar de críticas iniciais que consideravam os filmes excessivamente violentos ou pouco refinados, o público respondeu com entusiasmo, transformando-os em sucessos de bilheteria. Com o passar do tempo, essas obras passaram a ser consideradas clássicos do cinema, influenciando gerações de cineastas e redefinindo os padrões do western moderno.

Após o sucesso na Europa, Eastwood retornou aos Estados Unidos e estrelou outros westerns importantes. Em seguida, participou de Os Abutres Têm Fome, que teve recepção moderada, e dirigiu e estrelou O Estranho Sem Nome, um western mais sombrio e psicológico, que foi bem recebido pela crítica e obteve bom desempenho nas bilheterias. Esse período marcou a transição de Eastwood de ator para cineasta, mostrando sua capacidade de explorar temas mais profundos dentro do gênero.

Nos anos seguintes, Eastwood continuou a revisitar o western, consolidando sua visão autoral com filmes como Josey Wales, o Fora da Lei, amplamente elogiado pela crítica por sua abordagem humanista e complexa do Velho Oeste. Já O Cavaleiro Solitário trouxe uma narrativa quase mística, embora tenha tido recepção crítica mais dividida. Esses filmes mostram como Eastwood evoluiu dentro do gênero, passando de um anti-herói lacônico para personagens mais introspectivos e reflexivos, refletindo também o amadurecimento do próprio ator e diretor.

O auge artístico de sua relação com o western veio com Os Imperdoáveis, considerado por muitos como uma obra-prima. O filme foi aclamado pela crítica, venceu quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e teve grande sucesso comercial. Nele, Eastwood desconstrói o mito do pistoleiro, apresentando um protagonista envelhecido e atormentado pelo passado. Décadas depois, ele retornaria ao gênero com Cry Macho: O Caminho para a Redenção, que, embora tenha recebido críticas mistas e desempenho modesto nas bilheterias, reforça sua ligação duradoura com o western e sua disposição em revisitar temas clássicos sob uma nova perspectiva.

Lista dos melhores filmes de faroeste de Clint Eastwood lançados nos cinemas:
Por um Punhado de Dólares ("A Fistful of Dollars", 1964)
Por uns Dólares a Mais ("For a Few Dollars More", 1965)
Três Homens em Conflito ("The Good, the Bad and the Ugly", 1966))
Os Abutres Têm Fome ("Two Mules for Sister Sara", 1970)
O Estranho Sem Nome ("High Plains Drifter", 1973)
Josey Wales, o Fora da Lei ("The Outlaw Josey Wales", 1976)
O Cavaleiro Solitário ("Pale Rider", 1985)
Os Imperdoáveis ("Unforgiven", 1992)
Cry Macho: O Caminho para a Redenção ("Cry Macho", 2021)

Erick Steve. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Os Diretores: George Sherman

George Sherman
George Sherman foi um dos diretores mais prolíficos e consistentes do cinema norte-americano, especialmente reconhecido por sua vasta contribuição ao gênero faroeste clássico. Nascido em 14 de setembro de 1908, em Nova York, Sherman iniciou sua carreira ainda jovem em Hollywood, trabalhando inicialmente como assistente de direção. Rapidamente, destacou-se pela eficiência e pela capacidade de realizar filmes dentro de prazos curtos e orçamentos modestos, qualidades muito valorizadas pelos estúdios nas décadas de 1930 e 1940.

Durante os anos 1940 e 1950, George Sherman tornou-se um nome frequente nos estúdios Republic Pictures e Universal, onde dirigiu dezenas de westerns. Seus filmes eram marcados por ritmo ágil, narrativa direta e forte valorização da ação, elementos essenciais para o público fiel do gênero. Sherman tinha especial habilidade em explorar paisagens naturais, usando locações externas para dar autenticidade visual às histórias do Velho Oeste, mesmo quando trabalhava com recursos limitados.

Ao longo da carreira, o diretor colaborou com grandes astros do faroeste, como John Wayne, Audie Murphy, Randolph Scott e Rory Calhoun. Com Audie Murphy, em particular, realizou alguns de seus filmes mais lembrados, ajudando a consolidar a imagem do ator como um dos principais heróis do western dos anos 1950. Sherman sabia equilibrar cenas de ação com momentos dramáticos, construindo personagens claros em termos morais, algo característico do faroeste clássico.

Embora seja mais associado aos westerns, George Sherman também dirigiu filmes de outros gêneros, incluindo aventuras, dramas e produções de capa e espada. Títulos como O Filho de Ali Babá (1952) e A Princesa do Nilo (1954) demonstram sua versatilidade e sua facilidade em transitar por diferentes estilos cinematográficos. Mesmo fora do faroeste, sua direção mantinha clareza narrativa e forte senso de entretenimento popular.

George Sherman encerrou sua carreira no cinema no início dos anos 1960 e faleceu em 1991, deixando um legado significativo para a história do western hollywoodiano. Embora raramente citado entre os diretores mais autorais do gênero, seu trabalho foi fundamental para sustentar a popularidade do faroeste durante décadas. Hoje, seus filmes são lembrados como exemplos sólidos do cinema clássico de estúdio, representando com competência e energia o espírito do Oeste americano nas telas.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Buffalo Bill

Título no Brasil: Buffalo Bill
Título Original: Buffalo Bill
Ano de Lançamento: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: William A. Wellman
Roteiro: Eneas MacKenzie, Clements Ripley
Elenco: Joel McCrea, Maureen O'Hara, Anthony Quinn

Sinopse:
A história de William "Buffalo Bill" Cody (Joel McCrea), lendário nome da mitologia do western dos Estados Unidos, desde seus dias como batedor do exército até suas atividades posteriores como proprietário de um show do Velho Oeste.

Comentários:
O melhor filme sobre Buffalo Bill foi feito na década de 1970 com Paul Newman no papel principal. Aquele sim é um filme historicamente correto sobre essa figura do velho oeste norte-americano. Esse filme aqui vai por outro caminho, tornando como fato certas lorotas que o próprio Bill contava sobre si mesmo. O que não quer dizer que seja um filme ruim, nada disso, apenas tem essa perspectiva diferenciada. O elenco é muito bom, mas devo dizer que Joel McCrea não era o ator certo para interpretar Buffalo Bill. Era um ator sério demais para esse papel. O verdadeiro Buffalo Bill era meio bufão, um tipo mais circense mesmo. Melhor se sai o sempre bom Anthony Quinn, com sua presença sempre forte e carismática. Então é isso, deixo o registro desse faroeste B que tentou contar a história de William "Buffalo Bill" Cody, mesmo de uma forma bem romanceada e estigmatizada. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Era Uma Vez no Oeste

Era Uma Vez no Oeste
O filme Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West) foi lançado em 1968, dirigido por Sergio Leone e estrelado por Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale e Jason Robards. Considerado um dos maiores westerns da história do cinema, o filme apresenta uma narrativa épica ambientada na expansão das ferrovias no Oeste americano. A história gira em torno de Jill McBain, uma mulher que chega a uma nova cidade após casar-se com um fazendeiro, apenas para descobrir que seu marido e sua família foram assassinados. Ao seu redor orbitam três figuras centrais: Harmonica, um misterioso pistoleiro em busca de vingança; Frank, um implacável assassino a serviço de interesses corporativos; e Cheyenne, um fora da lei carismático. À medida que a trama se desenrola, os destinos desses personagens se entrelaçam em um cenário de violência, ambição e transformação histórica. O filme se destaca por seu ritmo contemplativo, com longas sequências silenciosas que constroem tensão de maneira única. A direção de Leone enfatiza enquadramentos amplos e closes intensos. A narrativa aborda o fim do Velho Oeste e o surgimento de uma nova ordem. Assim, Era uma Vez no Oeste se apresenta como uma obra grandiosa e profundamente simbólica.

Quando foi lançado, Era uma Vez no Oeste teve uma recepção crítica mista nos Estados Unidos, embora tenha sido muito bem recebido na Europa. O The New York Times considerou o filme “excessivamente longo e indulgente em seu estilo”, criticando o ritmo lento da narrativa. Já o Los Angeles Times reconheceu a força visual do filme, mas apontou que ele poderia ser difícil para espectadores acostumados a westerns mais tradicionais. A revista Variety destacou que o longa possuía “uma estética impressionante, embora nem sempre acessível ao grande público”. Muitos críticos americanos da época não estavam preparados para a abordagem operística e estilizada de Leone. Em contraste, na Europa, o filme foi amplamente elogiado por sua ambição artística e inovação dentro do gênero. Alguns críticos europeus consideraram a obra uma evolução do western, transformando-o em algo mais próximo de uma ópera cinematográfica. Assim, a recepção inicial foi marcada por uma divisão geográfica na crítica. O filme gerou tanto admiração quanto estranhamento. Dessa forma, sua estreia foi cercada de controvérsia.

Com o passar dos anos, a crítica passou por uma grande reavaliação, transformando Era uma Vez no Oeste em uma obra amplamente reconhecida como-prima. Publicações como The New Yorker passaram a destacar o filme como “um épico cinematográfico de rara beleza e profundidade”. A trilha sonora de Ennio Morricone tornou-se um dos elementos mais celebrados do filme, sendo considerada uma das maiores já compostas para o cinema. A atuação de Henry Fonda como vilão surpreendeu críticos e público, já que o ator era tradicionalmente associado a personagens heroicos. O uso de silêncio, ritmo lento e construção visual passou a ser visto como inovador e influente. Embora o filme não tenha sido um grande vencedor em premiações como o Oscar na época de seu lançamento, sua reputação cresceu enormemente ao longo das décadas. Muitos críticos modernos o consideram um dos maiores westerns já feitos. A sequência de abertura e o duelo final são frequentemente citados como momentos icônicos do cinema. Dessa forma, o filme alcançou status de clássico absoluto. Sua reavaliação crítica foi decisiva para consolidar sua importância histórica.

Do ponto de vista comercial, Era uma Vez no Oeste teve um desempenho muito forte na Europa, especialmente na Itália e na França, onde se tornou um grande sucesso de bilheteria. Nos Estados Unidos, entretanto, seu desempenho inicial foi mais modesto, em parte devido à recepção crítica dividida e ao ritmo pouco convencional do filme. Com o tempo, relançamentos e exibições televisivas ajudaram a ampliar seu público. O filme passou a conquistar novas audiências, especialmente entre cinéfilos e admiradores do gênero western. A popularidade crescente também foi impulsionada pelo prestígio de Sergio Leone. O longa continuou a gerar receita ao longo das décadas por meio de home video e exibições especiais. O público passou a apreciar mais sua abordagem estilizada e sua narrativa épica. Assim, embora não tenha sido um sucesso imediato nos Estados Unidos, o filme se tornou extremamente lucrativo no longo prazo. Seu desempenho comercial acabou acompanhando sua crescente reputação crítica. Dessa forma, consolidou-se como um sucesso duradouro.

Atualmente, Era uma Vez no Oeste é amplamente considerado um dos maiores filmes da história do cinema. A obra é frequentemente incluída em listas dos melhores filmes já produzidos. Sua influência pode ser vista em inúmeros diretores contemporâneos, que adotaram elementos do estilo de Sergio Leone. O uso de enquadramentos extremos, trilha sonora marcante e construção lenta do suspense tornou-se referência. O filme também é visto como uma reflexão sobre o fim de uma era, marcando a transição do Velho Oeste para a modernidade. A atuação de Henry Fonda como vilão continua sendo um dos aspectos mais comentados. A personagem de Claudia Cardinale também é reconhecida por sua importância dentro da narrativa. Novas gerações continuam descobrindo o filme e se impressionando com sua estética. Dessa forma, sua reputação como clássico é incontestável. Era uma Vez no Oeste permanece como uma obra essencial do cinema mundial.

Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West, Itália/Estados Unidos, 1968) Direção: Sergio Leone / Roteiro: Sergio Leone, Sergio Donati e Dario Argento, baseado em história de Leone e Bernardo Bertolucci / Elenco: Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale, Jason Robards, Gabriele Ferzetti e Paolo Stoppa / Sinopse: Em meio à expansão das ferrovias no Oeste americano, uma mulher e três homens com motivações distintas se enfrentam em uma trama de vingança, ambição e transformação histórica. 

Erick Steve. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Rajadas de Ódio

Rajadas de Ódio
Muitas vezes a paz é simplesmente impossível. Isso é o que tenta mostrar o excelente western "Rajadas de Ódio". Na trama somos apresentados a Johnny MacKay (Alan Ladd) que é enviado pelo presidente Grant para uma região remota do Oeste com o objetivo de pacificar o local. Para isso ele deve usar de todos os meios diplomáticos possíveis, inclusive procurando pessoalmente o chefe rebelde conhecido como "Capitão Jack" (Charles Bronson). Os problemas começam logo na viagem aonde sua diligência é atacada e uma das passageiras, uma senhora inocente, é morta covardemente por um dos homens de Jack.

A partir daí as coisas parecem ir de mal a pior. Embora com toda a boa vontade do mundo Johnny enfrentará muitas dificuldades em alcançar a paz simplesmente porque esse não é o desejo do Capitão Jack e seu bando de Apaches selvagens. Quando uma das partes não aceita e nem quer a paz ela se torna simplesmente impossível. Uma das coisas mais corajosas de "Rajadas de Ódio" é o fato de seu roteiro ser extremamente bem intencionado, pacifista, muito ideológico, algo que realmente chama a atenção em um faroeste da década de 1950.

O elenco é liderado pelo sempre correto Alan Ladd. Seu personagem, um delegado de paz, vem bem a calhar aos tipos que Ladd geralmente interpretava em seus filmes. Ele sempre aparecia em cena como o bom Cowboy, de boa índole e coração de ouro mas que na necessidade também sabia usar de suas armas para impor novamente a ordem no local. Esse tipo de personagem faz parte da mitologia do velho oeste em vários filmes, livros e histórias e Alan Ladd encarnava com perfeição esse tipo de "cavalheiro de esporas".

O filme foi dirigido pelo competente Delmer Daves, um diretor que sempre gostei. Fino e elegante fez vários faroestes para os estúdios Warner, todos com muita competência. Pouco tempo depois da realização desse "Rajadas de Ódio" encontraria em Glenn Ford uma grande parceria em westerns de sucesso. Em conclusão indico esse bem intencionado faroeste para os apreciadores de bons roteiros, principalmente os que trazem em seu conteúdo uma mensagem subliminar positiva e edificante. Nesse aspecto a mensagem de "Rajadas de Ódio" tocará fundo nos pacifistas por convicção.


Rajadas de Ódio (Drum Beat, Estados Unidos, 1954) Direção: Delmer Daves / Roteiro: Delmer Daves / Elenco: Alan Ladd, Charles Bronson, Audrey Dalton, Marisa Pavan / Sinopse: Na trama somos apresentados a Johnny MacKay (Alan Ladd) que é enviado pelo presidente Grant para uma região remota do Oeste com o objetivo de pacificar o local. Para isso ele deve usar de todos os meios diplomáticos possíveis, inclusive procurando pessoalmente o chefe rebelde conhecido como "Capitão Jack" (Charles Bronson).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 14 de abril de 2026

A Ronda da Vingança

A Ronda da Vingança
O filme Tumbleweed foi lançado em 1953, dirigido por Nathan Juran e estrelado por Audie Murphy, Lori Nelson, Chill Wills, Ralph Meeker, Robert Barrat e Eugene Iglesias. O longa acompanha Jim Harvey, um batedor do Exército que se junta a uma caravana de colonos em sua jornada rumo ao Oeste. Durante a travessia, o grupo enfrenta inúmeros perigos, incluindo ataques indígenas, condições adversas e conflitos internos. Após um confronto com os nativos, Jim é acusado injustamente de covardia e deslealdade, sendo rejeitado tanto pelos militares quanto pelos colonos. Determinado a limpar seu nome, ele parte em uma jornada para provar sua inocência e recuperar sua honra. Ao longo do caminho, o personagem enfrenta desafios que testam sua coragem e determinação. A narrativa mistura elementos clássicos do western com temas de honra, redenção e justiça. O filme também explora o cotidiano das caravanas que atravessavam territórios perigosos durante a expansão para o Oeste. A ambientação em Technicolor destaca as paisagens amplas e áridas. Assim, Tumbleweed se apresenta como um western tradicional com forte apelo dramático.

Quando foi lançado, Tumbleweed recebeu uma recepção crítica moderada, sem grande entusiasmo por parte da imprensa americana. O The New York Times considerou o filme “um western sólido, mas convencional, que segue fórmulas já conhecidas do gênero”. Já o Los Angeles Times destacou a presença de Audie Murphy, afirmando que o ator “traz autenticidade ao papel graças à sua experiência real de guerra”. A revista Variety comentou que o filme era “eficiente em sua execução, embora careça de inovação narrativa”. Muitos críticos reconheceram a competência técnica da produção, especialmente nas cenas de ação e nas sequências envolvendo a caravana. No entanto, apontaram que o roteiro não apresentava grandes surpresas. A performance de Murphy foi frequentemente elogiada por sua sinceridade e naturalidade. Ainda assim, o filme foi visto como mais um exemplo típico do western da época. A crítica geral considerou o longa agradável, mas não excepcional. Dessa forma, sua recepção inicial foi positiva, porém discreta.

A continuidade da recepção crítica manteve essa avaliação equilibrada. Publicações como The New Yorker destacaram que o filme possuía “uma abordagem honesta e direta, sem pretensões maiores”. Muitos críticos também observaram que o longa se destacava mais pelo carisma de seu protagonista do que por sua narrativa. Apesar de não ter recebido indicações a grandes prêmios como o Oscar, o filme foi reconhecido como uma produção competente dentro de seu gênero. A direção de Nathan Juran foi considerada funcional, sem grandes ousadias estilísticas. A fotografia em cores foi elogiada por capturar bem as paisagens do Oeste americano. Com o passar dos anos, o filme passou a ser visto como um exemplo representativo dos westerns da década de 1950. A simplicidade de sua narrativa foi reinterpretada como parte de seu charme. Assim, embora não tenha sido um marco do cinema, Tumbleweed conquistou respeito como uma obra sólida. Sua recepção crítica permaneceu estável ao longo do tempo.

Do ponto de vista comercial, Tumbleweed teve um desempenho satisfatório nas bilheterias. O filme se beneficiou da popularidade de Audie Murphy, que era uma figura admirada pelo público americano devido ao seu passado como herói de guerra. O gênero western também estava em alta na época, o que contribuiu para atrair espectadores. Embora não tenha sido um grande sucesso de bilheteria, o longa conseguiu gerar lucro para o estúdio. O público respondeu positivamente às cenas de ação e à história de redenção do protagonista. O filme também teve boa circulação em exibições televisivas posteriores. Ao longo dos anos, passou a ser exibido regularmente em canais dedicados a filmes clássicos. Isso ajudou a manter sua popularidade entre fãs do gênero. Assim, Tumbleweed alcançou um sucesso comercial modesto, porém consistente. Seu desempenho reforçou a presença de Murphy como estrela do western.

Atualmente, Tumbleweed é considerado um western clássico de médio porte, representativo da produção hollywoodiana dos anos 1950. Embora não seja frequentemente citado entre os maiores filmes do gênero, ele é apreciado por fãs de westerns tradicionais. A atuação de Audie Murphy continua sendo um dos principais atrativos do filme. Sua história de honra e redenção ainda ressoa com o público contemporâneo. Críticos modernos reconhecem o filme como uma obra honesta e bem executada. A simplicidade da narrativa é vista como um reflexo do estilo da época. O filme também serve como um registro do período em que os westerns dominavam o cinema americano. Novas gerações podem encontrá-lo como uma introdução acessível ao gênero. Dessa forma, Tumbleweed mantém sua relevância como um exemplo sólido do western clássico. Sua reputação permanece estável e respeitável.

A Ronda da Vingança (Tumbleweed, Estados Unidos, 1953) Direção: Nathan Juran / Roteiro: Russell S. Hughes e John C. Higgins, baseado no romance The Tumbleweed Trail, de Hal G. Evarts / Elenco: Audie Murphy, Lori Nelson, Chill Wills, Ralph Meeker, Robert Barrat e Eugene Iglesias / Sinopse: Um batedor acusado injustamente de covardia durante um ataque indígena parte em busca de redenção, tentando provar sua inocência enquanto protege uma caravana em sua jornada pelo Oeste americano.

Erick Steve. 

Traição Cruel

Traição Cruel 
Clay O'Mara (Audie Murphy) recebe uma notícia terrível. Seu pai e seu irmão foram mortos por ladrões de gado. Ele decide então ir até a cidade onde eles moravam para vingar suas mortes. Chegando lá, procura pelo xerife e se oferece para trabalhar como assistente. Mesmo relutante o xerife decide lhe dar a estrela que identifica os homens da lei. E vai além, lhe diz que um pistoleiro que vive no lugarejo de Diablo muito certamente sabe quem matou seus pais. O que O'Mara nem desconfia é que o próprio xerife e um advogado da região estão envolvidos na morte de seus familiares. Eles os mataram para não apenas roubar seu rebanho, mas também parte de sua propriedade rural. Bom filme que procura trazer elementos novos no velho tema da vingança pessoal. Aqui os responsáveis pelos crimes são os próprios homens da lei que fazem de tudo para o protagonista se dar mal, afinal é do interesse do xerife corrupto que ele se dê mal mesmo, que morra o mais rapidamente possível.

Há um personagem interessante nesse filme, um pistoleiro perseguido por O'Mara, um sujeito que foge dos padrões de personagens pistoleiros do velho oeste. Esse é um falastrão, sempre com tiradas irônicas e gargalhadas, mesmo quando é enviado para um julgamento que pode o condenar à forca. Só que por viver no mundo do crime Whitey Kincade (Dan Duryea) sabe muito bem do envolvimento do xerife na morte dos familiares de Clay O'Mara. E por uma ironia do destino se torna o principal parceiro na vingança que o personagem de Murphy tanto deseja. Enfim, um western da Universal que apesar de seu modesto orçamento - é nitidamente um filme B - mantém o interesse por causa desse grupo de personagens que transitam entre o crime e a lei, sem muita cerimônia ou culpas pessoais. Vale a pena assistir, principalmente para os fãs de Audie Murphy, ator que sempre foi muito querido em nosso país pelos admiradores dos antigos filmes de faroeste.

Traição Cruel (Ride Clear of Diablo, Estados Unidos, 1954) Estúdio: Universal Pictures / Direção: Jesse Hibbs / Roteiro: George Zuckerman, D.D. Beauchamp / Elenco: Audie Murphy, Susan Cabot, Dan Duryea / Sinopse: Após a morte de seu pai e irmão, Clay O'Mara (Audie Murphy) parte em busca de vingança. Ele se torna auxiliar do xerife que, sem que ele desconfie, esteve envolvido no crime de seus familiares. Quem acaba o ajudando é o pistoleiro procurado Whitey Kincade (Dan Duryea) que de inimigo se torna seu improvável parceiro.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 9

Quatro anos antes do clássico "E O Vento Levou" chegar nas telas de cinema o ator Randolph Scott estrelou em um filme muito parecido com aquele dirigido por Fleming. Se tratava de "Noivado na Guerra" (So Red the Rose), um romance épico passado durante a guerra civil dos Estados Unidos. Scott era esse homem comum, com planos para se casar, ter filhos e morar em seu rancho, que via todos os seus planos de vida irem para o buraco com a eclosão de um dos conflitos armados mais sanguinários da história daquela nação.

A produção requintada e caprichada chamava bem a atenção. O próprio Randolph Scott dizia a todos que esse era até aquele momento seu filme mais bem realizado. Só que infelizmente com a chegada de "E O Vento Levou" alguns anos depois, ninguém mais iria se lembrar desse primeiro filme. "Quando eu assisti ao filme de Clark Gable me lembrei imediatamente do meu, mas aí já era tarde demais!" - Brincaria o ator durante uma entrevista.

Bem menos pretensioso foi o filme posterior de Scott. Era uma crônica social sobre costumes da época chamado de "Escândalo na Aldeia" (Village Tale). O enredo se passava todo dentro de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde praticamente todos os moradores se conheciam. Randolph Scott era o jovem rapaz que começava a virar alvo de fofocas dentro da cidadela. Os boatos diziam que ele estava envolvido com uma mulher mais velha e casada. Imagine então os problemas vindos de uma fofoca maldosa como essa. Foi um bom filme, mas com resultado comercial apenas modesto.

Os fãs do ator queriam ver mesmo eram índios, lutas, tiroteios, duelos e cavalos. Assim Scott voltou ao velho oeste no grande sucesso "O Último dos Moicanos" (The Last of the Mohicans). O filme surpreendeu se tornando uma das maiores bilheterias do ano. Também caiu nas graças da crítica, chegando a ter três indicações ao Oscar, um feito e tanto. A história se passava durante a colonização pioneira dos Estados Unidos. Scott com figurino de Daniel Boone enfrentava os perigos daquelas terras desconhecidas. Uma das maiores ameaças vinha justamente dos nativos conhecidos como moicanos, com seus penteados bem característicos (imitados pelos punks séculos depois) e uma fúria violenta contra o homem branco que vinha para invadir suas terras.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Caminho Fatal

Título no Brasil: Caminho Fatal
Título Original: In Old California
Ano de Lançamento: 1942
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: William C. McGann
Roteiro: Gertrude Purcell, Frances Hyland
Elenco: John Wayne, Binnie Barnes, Albert Dekker, Helen Parrish, Patsy Kelly, Edgar Kennedy

Sinopse:
Durante a corrida do ouro na Califórnia, no século XIX, um farmacêutico de Boston chamado Tom Craig (Wayne), chega a Sacramento para começar uma nova vida, mas logo enfrenta problemas. Ele entra em conflito com o chefe político local Britt Dawson, que exige pagamento de proteção dos cidadãos. No fundo essa seria uma extorsão em cima de comerciantes locais. 

Comentários:
Antes de qualquer coisa eu não gosto desse título nacional. Muito ruim e genérico. O título original do filme é mais adequado ao que se vê na tela pois esse filme se propõe a contar um pouco sobre a vida dos primeiros  pioneiros a chegarem na Califórnia, na velha Califórnia, durante a corrida do ouro nas montanhas daquele estado norte-americano. Um bom drama faroeste da Republic que inclusive chegou a arrancar elogios dos críticos mais ácidos da época. Um deles chegou a ironizar em seu texto dizendo que sim, John Wayne podia atuar! Dizem que o velho Duke levou aquela crítica como um insulto pessoal! Não tiro suas razões. Mas enfim, eis aqui um western até diferente na filmografia de John Wayne a começar pelo roteiro, que foi escrito por duas mulheres! O mais machista de todos os gêneros cinematográficos finalmente se rendia ao talento dessas damas escritoras. Nada mal. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 16

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 16
Em 1942 o mundo estava em guerra. O ataque japonês ao porto norte-americano de Pearl Harbor colocou os Estados Unidos no conflito. Vários atores e diretores entraram nas forças armadas, mas curiosamente John Wayne não conseguiu entrar para o exército. Além da idade, havia problemas de saúde com o já veterano Wayne. Isso iria de certa forma manchar um pouco sua fama de grande patriota, mas Wayne percebeu que sua carreira iria se tornar gloriosa a partir daquele momento. Sem a concorrência dos grandes astros, excelentes roteiros lhe foram oferecidos. O tempo de filmes B tinha ficado para trás. 

Embora estivesse em busca de filmes de guerra, outro gênero ao qual iria se dedicar naqueles anos, John Wayne não pretendia negligenciar seus filmes de faroeste, ainda que isso tenha realmente acontecido. Afinal havia sido eles que lhe trouxeram fama e sucesso no cinema. Por isso ainda em 1942 ele voltou a vestir a velha vestimenta de cowboy, subiu em um cavalo e estrelou o filme "Caminho Fatal". Com direção de William C. McGann, esse era um western tradicional, como nos velhos tempos. No filme Wayne interpretava um sujeito que se mudava de Boston para uma cidade no velho oeste, bem no meio da corrida ao ouro. Em tempos de violência, ele iria aprender rapidamente as regras do jogo naquele lugar distante da civilização. 

O mais interessante de tudo é que ele daria um tempo depois dessa produção nos filmes de faroeste. Na realidade ficaria dois anos afastado do gênero, justamente os anos da guerra. Nesse período, como era de se esperar, ele atuou em filmes com temáticas militares para levantar a moral dos soldados americanos que lutavam na Europa e no Pacífico. Seu maior sucesso nessa fase foi "Tigres Voadores" sobre uma esquadrilha de bravos pilotos americanos lutando na guerra. Se ele não podia lutar a guerra real, iria se dedicar, pelo menos por um tempo, em ser um modelo de herói dos filmes que estavam passando nos cinemas. Deu certo e todos essas produções foram bem nas bilheterias. 

Ele só retornaria mesmo ao velho estilo em 1945, no mesmo ano em que a guerra chegou ao seu final. John Wayne atendia assim aos inúmeros pedidos de fãs que chegavam todos os dias no estúdio. Ele estava de volta ao mundo do velho oeste. O filme que marcou seu retorno era intitulado "Dakota", justamente o nome de um estado do meio-oeste dos Estados Unidos. A história do filme se passava em 1871, onde empresários nortistas desonestos lutavam contra fazendeiros de trigo da região de Dakota, com o objetivo de aproveitar o desenvolvimento trazido pela nova ferrovia inaugurada na região. Tudo para controlar a cidade de Fargo, considerada a mais rica daquele estado. Esse sem dúvida foi um bom filme de sua carreira naquele período. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Três Homens em Conflito

Três Homens em Conflito
O filme Três Homens em Conflito (Il buono, il brutto, il cattivo), dirigido por Sergio Leone, foi lançado em 1966 e conta com um elenco icônico formado por Clint Eastwood, Eli Wallach e Lee Van Cleef. Ambientado durante a Guerra Civil Americana, o filme acompanha três personagens distintos — o “Bom” (Blondie), o “Feio” (Tuco) e o “Mau” (Angel Eyes) — que se envolvem em uma perigosa busca por um tesouro escondido em um cemitério. Cada um deles possui motivações próprias, e alianças temporárias são formadas e quebradas ao longo da narrativa. O filme se destaca por sua narrativa não convencional, com longos momentos de tensão silenciosa e construção gradual do suspense. A jornada dos personagens os leva por desertos áridos, campos de batalha e cidades devastadas pela guerra. A relação entre Blondie e Tuco é marcada por humor, traições e uma curiosa parceria. Ao mesmo tempo, Angel Eyes surge como uma figura implacável, representando o perigo constante. A direção estilizada de Leone, com seus closes marcantes e enquadramentos inovadores, redefine o gênero western. Assim, o filme constrói uma narrativa épica sobre ganância, sobrevivência e destino.

Quando foi lançado, Três Homens em Conflito teve uma recepção crítica mista, especialmente nos Estados Unidos. O jornal The New York Times criticou o filme por sua longa duração e ritmo irregular, sugerindo que a narrativa era excessivamente estendida. Já o Los Angeles Times reconheceu a originalidade visual do filme, mas apontou que a violência estilizada poderia afastar parte do público. A revista Variety comentou que o longa possuía “momentos de grande impacto visual, mas carecia de disciplina narrativa em alguns trechos”. Muitos críticos americanos da época não estavam acostumados ao estilo dos chamados “spaghetti westerns”, o que influenciou a recepção inicial. Por outro lado, na Europa, especialmente na Itália e na França, o filme foi melhor recebido, sendo visto como uma evolução do gênero western. Alguns críticos elogiaram a ousadia estética e a forma como Leone desconstruía os clichês do faroeste tradicional. Ainda assim, a recepção geral inicial nos Estados Unidos foi marcada por certo ceticismo. O filme dividiu opiniões, mas já chamava atenção por sua identidade única. Dessa forma, sua estreia foi marcada por controvérsia e curiosidade.

Com o passar do tempo, a crítica passou a reavaliar o filme de maneira extremamente positiva. Publicações como The New Yorker destacaram posteriormente a habilidade de Leone em criar tensão cinematográfica de forma inovadora. Muitos críticos passaram a considerar o longa uma obra-prima do cinema. A trilha sonora composta por Ennio Morricone tornou-se um dos elementos mais celebrados do filme, sendo reconhecida como uma das mais icônicas da história do cinema. Embora o filme não tenha sido amplamente premiado em grandes cerimônias como o Oscar na época de seu lançamento, sua influência cultural cresceu de forma significativa ao longo das décadas. Críticos contemporâneos elogiam especialmente a sequência final no cemitério, considerada uma das mais memoráveis já filmadas. A construção dos personagens e o uso do silêncio também passaram a ser vistos como inovadores. Dessa forma, o filme ganhou um novo status entre estudiosos e cinéfilos. A reavaliação crítica transformou a obra em um marco do cinema mundial. Hoje, ele é amplamente considerado um dos maiores westerns já realizados.

Do ponto de vista comercial, Três Homens em Conflito foi um sucesso significativo, especialmente no mercado europeu. O filme teve um bom desempenho nas bilheterias internacionais, consolidando o sucesso dos westerns italianos na década de 1960. Nos Estados Unidos, embora não tenha sido um fenômeno imediato, o longa conseguiu atrair público suficiente para se tornar rentável. O orçamento relativamente modesto contribuiu para seu sucesso financeiro. O público respondeu positivamente à combinação de ação, humor e estilo visual marcante. Com o passar dos anos, o filme continuou a gerar receita por meio de relançamentos e exibições televisivas. A popularidade crescente também impulsionou vendas em formatos domésticos, como VHS, DVD e Blu-ray. Muitos espectadores foram atraídos pelo carisma de Clint Eastwood e pela narrativa envolvente. Assim, o filme conseguiu conquistar não apenas a crítica ao longo do tempo, mas também um público fiel. Seu desempenho comercial ajudou a consolidar o gênero spaghetti western no cenário internacional.

Atualmente, Três Homens em Conflito é amplamente reconhecido como um dos maiores filmes da história do cinema. A obra é frequentemente citada em listas dos melhores filmes de todos os tempos. Sua influência pode ser vista em diversos diretores contemporâneos, que se inspiraram no estilo visual e narrativo de Sergio Leone. O uso de enquadramentos extremos, trilha sonora marcante e construção lenta do suspense tornou-se referência no cinema moderno. O filme também é considerado o ápice da chamada “Trilogia dos Dólares”. A atuação de Clint Eastwood ajudou a consolidar sua imagem como ícone do western. A trilha sonora de Ennio Morricone continua sendo amplamente reconhecida e utilizada em diversas mídias. Novas gerações de espectadores continuam descobrindo o filme e se impressionando com sua estética. Dessa forma, sua reputação como clássico é incontestável. Três Homens em Conflito permanece como uma obra essencial para qualquer amante de cinema.

Três Homens em Conflito (Il buono, il brutto, il cattivo, Itália/Espanha/Alemanha Ocidental, 1966) Direção: Sergio Leone / Roteiro: Sergio Leone e Luciano Vincenzoni / Elenco: Clint Eastwood, Eli Wallach, Lee Van Cleef, Aldo Giuffrè, Luigi Pistilli e Rada Rassimov / Sinopse: Durante a Guerra Civil Americana, três pistoleiros com interesses conflitantes competem para encontrar um tesouro escondido, formando alianças instáveis em uma jornada marcada por traições, violência e confrontos decisivos.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Os Diretores: John Ford

John Ford
John Ford foi um dos maiores diretores da história do cinema, sendo uma figura central na consolidação da linguagem cinematográfica clássica de Hollywood. Ele nasceu em 1º de fevereiro de 1894, em Cape Elizabeth, no estado do Maine, nos Estados Unidos, com o nome de John Martin Feeney. Filho de imigrantes irlandeses, Ford cresceu em um ambiente marcado por fortes tradições culturais e familiares, elementos que mais tarde influenciariam muitos de seus filmes. Ainda jovem, mudou-se para a Califórnia, onde começou a trabalhar na indústria cinematográfica ao lado de seu irmão mais velho, Francis Ford, que também era ator e diretor. Nos primeiros anos de sua carreira, John Ford desempenhou diversas funções nos estúdios, aprendendo na prática os fundamentos do cinema em uma época em que a indústria ainda estava em formação. Essa experiência inicial foi essencial para o desenvolvimento de seu estilo único e de sua visão artística.

Durante a era do cinema mudo, John Ford dirigiu uma grande quantidade de filmes, muitos deles westerns, gênero com o qual ele se tornaria profundamente associado. Foi ao longo das décadas de 1920 e 1930 que ele começou a consolidar sua reputação como um dos principais diretores de Hollywood. Um de seus maiores sucessos foi Stagecoach (1939), conhecido no Brasil como No Tempo das Diligências, que revolucionou o gênero western ao trazer maior profundidade psicológica aos personagens e uma narrativa mais sofisticada. O filme também ajudou a transformar John Wayne em uma grande estrela do cinema. Ford era conhecido por seu domínio da linguagem visual, pelo uso expressivo das paisagens — especialmente do Monument Valley — e pela capacidade de contar histórias humanas dentro de cenários épicos. Seu estilo influenciou gerações de cineastas e ajudou a definir a estética do western clássico.

Ao longo de sua carreira, John Ford demonstrou grande versatilidade, dirigindo filmes de diferentes gêneros, incluindo dramas, adaptações literárias e filmes históricos. Entre suas obras mais importantes estão The Grapes of Wrath (As Vinhas da Ira, 1940), baseado no romance de John Steinbeck, e How Green Was My Valley (Como Era Verde o Meu Vale, 1941), que lhe rendeu um de seus vários prêmios da Academia. Ford conquistou quatro Oscars de Melhor Diretor, um recorde que permanece até hoje, consolidando sua posição como um dos maiores nomes da história do cinema. Seus filmes frequentemente exploravam temas como comunidade, tradição, honra e sacrifício, refletindo valores profundamente enraizados na cultura americana. Além disso, Ford era conhecido por sua direção firme no set e por seu estilo direto, muitas vezes exigente com atores e equipe.

Durante a Segunda Guerra Mundial, John Ford serviu na Marinha dos Estados Unidos e dirigiu documentários importantes sobre o conflito. Um de seus trabalhos mais notáveis desse período foi The Battle of Midway, que documentou um dos momentos decisivos da guerra no Pacífico. Sua contribuição para o cinema documental e para o esforço de guerra foi amplamente reconhecida, e ele chegou a receber condecorações militares por seu trabalho. Após a guerra, Ford continuou dirigindo filmes de grande impacto, incluindo westerns que se tornaram clássicos, como Rastros de Ódio (The Searchers, 1956), considerado por muitos críticos um dos maiores filmes já feitos. Nesse período, ele aprofundou ainda mais sua abordagem estética e temática, explorando conflitos morais e psicológicos com maior complexidade.

John Ford faleceu em 31 de agosto de 1973, deixando um legado monumental para o cinema mundial. Sua obra influenciou diretores como Orson Welles, Akira Kurosawa e Steven Spielberg, entre muitos outros. Ford é frequentemente lembrado como um dos arquitetos do cinema clássico, responsável por estabelecer padrões narrativos e visuais que continuam sendo utilizados até hoje. Sua capacidade de unir espetáculo visual com profundidade emocional fez de seus filmes obras atemporais. Ao longo de décadas, ele ajudou a moldar a identidade do cinema americano e a elevar o western a um dos gêneros mais importantes da história da sétima arte. Seu nome permanece como sinônimo de excelência cinematográfica e de uma era dourada que definiu os rumos do cinema moderno.

segunda-feira, 23 de março de 2026

O Caminho do Diabo

Título no Brasil: O Caminho do Diabo
Título Original: Devil's Doorway
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Anthony Mann
Roteiro: Guy Trosper
Elenco: Robert Taylor, Louis Calhern, Paula Raymond, Edgar Buchanan, Marshall Thompson, James Mitchell

Sinopse:
Lance Poole é um índio Shoshone que retorna à sua terra natal como herói da Guerra Civil Americana, condecorado por bravura. No entanto, ao voltar para Wyoming, ele se depara com o preconceito e a discriminação dos colonos brancos, que não aceitam que ele possua terras férteis. Determinado a manter sua propriedade e seu modo de vida, Poole enfrenta uma série de injustiças legais e conflitos violentos. Com o apoio de uma jovem advogada, ele luta contra um sistema que tenta expulsá-lo de sua própria terra, em uma narrativa marcada por tensão racial e tragédia.

Comentários:
No lançamento em 1950, Devil's Doorway foi bem recebido pela crítica, sendo elogiado por sua abordagem séria e incomum sobre o racismo contra os povos indígenas — um tema raramente tratado com profundidade nos faroestes da época. O jornal The New York Times destacou a direção de Anthony Mann e a intensidade dramática do filme, enquanto críticos posteriores ressaltaram sua importância dentro do gênero western. Embora não tenha sido um grande sucesso comercial na época, o filme ganhou reconhecimento ao longo dos anos e hoje é considerado um dos westerns mais progressistas de sua era. A atuação de Robert Taylor também é frequentemente lembrada como uma das mais marcantes de sua carreira. Atualmente, A Porta do Inferno (outro título pelo qual o filme também ficou conhecido) é visto como uma obra relevante por questionar mitos tradicionais do Velho Oeste e por abordar temas sociais com uma perspectiva mais crítica e humana.

Erick Steve. 

terça-feira, 17 de março de 2026

Audie Murphy e o Western - Parte 4

"Caminho da Perdição", o último filme de Audie Murphy na década de 1940, era um drama sobre delinquentes juvenis dirigido por Kurt Neumann. O elenco era formado praticamente todo por jovens desconhecidos, a única exceção era a presença de Jane Wyatt. Passava longe de ser um grande filme, indo mais para o lado do cinema B, porém serviu como mais um teste para Murphy como ator. De quebra ele conseguiu mais publicidade, mesmo que esse drama não fosse grande coisa. O simples fato de trazê-lo no poster já era um bom começo.

A década de 1950 começou e finalmente Audie Murphy encontrou seu caminho em Hollywood. O filme se chamava "Duelo Sangrento" e era a produção ideal que Murphy tanto esperava. Nesse western que tinha o título original de "The Kid from Texas", Murphy interpretava nada mais, nada menos do que um dos personagens históricos mais famosos da mitologia do velho oeste, o pistoleiro William Bonney, mais conhecido como 'Billy the Kid'. É curioso que quando a Universal contratou o diretor Kurt Neumann para dirigir o faroeste esse indicou ao estúdio o próprio Audie Murphy com quem havia trabalhado no filme anterior. Não haveria ninguém melhor para atuar como Kid.

A crítica de um modo geral gostou do filme. Para muitos seria um "bom pequeno filme". Outra atração é que ele foi lançado em cores, considerado ainda na época como um sinal de capricho, de que a produção era realmente boa e que o estúdio confiava no sucesso. Historicamente o filme não era muito preciso. Billy The Kid não nasceu no Texas, como fazia supor o roteiro, ele havia nascido em Nova Iorque. Porém de uma maneira em geral aspectos históricos da história de Kid foram mantidos, como seu envolvimento na guerra do condado de Lincoln.

Nesse mesmo ano Audie Murphy surgiria nas telas com mais um western intitulado no Brasil de "Serras Sangrentas". Originalmente o filme se chamava "Sierra" e era dirigido por Alfred E. Green. Baseado na novela escrita por Stuart Hardy, a estória mostrava a luta de pai e filho tentando sobreviver nas montanhas em uma época em que a lei e a ordem eram apenas esperanças vãs de surgir naquelas regiões perdidas do velho oeste. Curiosamente esse faroeste era estrelado por uma atriz, a bela Wanda Hendrix. Audie Murphy era apenas o segundo nome do elenco, mostrando que ele estava disposto a ceder espaço em prol de atuar em bons filmes, com roteiros mais bem escritos.

Pablo Aluísio.

Jornada Sangrenta

Jornada Sangrenta
Na véspera do começo da guerra civil americana o tenente Jed Sayre (Audie Murphy) é enviado para um distante forte da cavalaria, nos confins da fronteira. A região é pacificada, pois vigora há muitos anos um tratado de paz entre o governo americano e a nação Navajo. O novo comandante da guarnição também é um novato, o capitão Lee Whitlock (Robert Sterling), que logo demonstra pouca experiência no contato com os indígenas nativos. Após o desaparecimento de uma carroça com armamentos e munições a situação volta a ficar tensa. Acontece que logo surgem boatos de que as armas tinham sido roubadas pelos Navajos. A notícia logo chega aos ouvidos do General B.N. Stone (Ray Collins). Ele, fingindo estar surpreso, exige que a carga seja devolvida ao exército imediatamente. A situação soa estranha para o tenente Jed (Murphy), uma vez que ele acredita na inocência dos índios locais. O que os envolvidos não sabem é que tudo no fundo é uma artimanha do General Stone, um sulista que almeja abandonar o exército da União para se unir às forças da Confederação. Antes de anunciar sua traição porém ele deseja que uma nova guerra entre a cavalaria e os Navajos estoure pois assim as tropas do exército americano ficariam fragilizadas ao enfrentar uma nova guerra com os nativos.

Mais um bom western estrelado pelo ator Audie Murphy. Aqui ele interpreta um tenente com larga experiência que começa a entender que está na verdade no meio de uma grande conspiração envolvendo inclusive o seu general, alguém que deveria seguir ordens, mas que na verdade se trata de um traidor perigoso. Amigo dos Navajos, inclusive de seu chefe, ao qual conhece há muitos anos, ele terá que evitar um verdadeiro massacre gratuito pois acaba descobrindo que os roubos e mortes atribuídos aos Navajos não foram cometidos por eles, mas sim por homens cumprindo ordens do general corrupto.

"Jornada Sangrenta" além de ser um western acima da média, com muita ação e batalhas, ainda traz um belo roteiro, muito bem arquitetado que mostra uma situação que foi bem real no começo da guerra civil quando muitos oficiais de alta patente simplesmente deserdaram para as tropas rebeldes, confederadas do sul, causando um grande problema de evasão nas tropas da União, chamadas de Ianques. Audie Murphy, herói de guerra na vida real, representa toda a lealdade daqueles que lutaram ao lado dos casacos azuis. No final das contas "Jornada Sangrenta" é de fato um bom retrato de um dos momentos mais violentos da história dos Estados Unidos.

Jornada Sangrenta (Column South, Estados Unidos, 1953) Direção: Frederick De Cordova / Roteiro: William Sackheim / Elenco: Audie Murphy, Joan Evans, Robert Sterling, Ray Collins / Sinopse: Um pelotão da cavalaria americana estacionada em um forte da fronteira com a nação Navajo se torna peça de intriga de um perigoso jogo político envolvendo um general traidor que nas vésperas da guerra civil pretende aderir ao exército rebelde confederado do Sul.

Pablo Aluísio.